Corpo

(DRG)

O ser individual, segundo a Tradição, é constituído pelo ternário: “espírito, alma e Corpo”, estando o Corpo sujeito a uma condição, a da espacialidade, porque qualquer corpo, pelo seu aspecto necessariamente extenso, necessita ser capaz de se localizar num ambiente correspondente à sua natureza.

Porém, alerta Guénon, devemos ter cuidado para não imaginar que o Corpo é o lugar onde o espírito se assenta. Sendo a mente o Atmâ, isto é, o princípio de todos os estados do ser, este princípio não pode ser localizado porque a lei metafísica exige que todas as coisas sejam incluídas na sua própria origem. Contudo, do ponto de vista relativo ou analógico, podemos dizer que o espírito está contido na individualidade humana e, portanto, no seu corpo, pois se Atmâ é de facto o Centro universal que contém todas as coisas, ao manifestar-se em forma humana, aparece como localizado no centro da individualidade, e até, especifica Guénon, no “centro da sua modalidade corporal”.

Além disso, através do efeito de superar os próprios limites, o ser pode trazer o seu Centro para o universal e fazer da sua individualidade, assim como do seu corpo, apenas uma das possibilidades contidas neste Centro. Esta operação, que Guénon descreve como uma “reversão”, está diretamente relacionada com o que a Cabala chama de “o movimento das luzes”, e que o Islão, através do awliyâ, descreve com estas palavras: “Os nossos corpos são os nossos espíritos, e os nossos espíritos são os nossos corpos” (ajsâmna arwâhnâ, wa arwâhnâ ajsâmnâ).

(RGEME, cap. II, “Possível e Compossível”. RGIRE, cap. XXX, “O Espírito está no corpo ou o corpo no espírito.”)

Veja Individualidade, Medição.