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MATERIA PRIMA

ALLEAU, R. Aspects de l'alchimie traditionnelle. Paris: Ed. de Minuit, 1986.

Como acabamos de esclarecer, examinaremos os principais aspectos do simbolismo alquímico menos em função de um sistema de interpretação e mais na medida em que as noções simbólicas estudadas correspondem a constelações míticas pertencentes especificamente ao domínio da alquimia. Cada uma dessas constelações corresponde a um nome particular: “matéria-prima”, “mercúrio”, “enxofre”, “sal”, “fogos”, “obras”, “regimes”, “cores”, etc. O erro mais comum consiste em confundir esses termos “secretos” e “sagrados” com noções emprestadas do entendimento e da linguagem “profanos”. A esse respeito, nem os críticos “racionalistas” nem os autores da escola “ocultista” contemporânea parecem preocupar-se com as ambiguidades e equívocos que interpretações “químicas” ou “místico-morais” inevitavelmente acarretam.

Para retomar um exemplo emprestado do xadrez, a peça chamada “Rainha” foi assim nomeada por convenção, e o fato de se assemelhar a uma rainha em alguns de seus ornamentos nada nos revela sobre as regras que governam seus movimentos no tabuleiro nem sobre sua natureza particular de objeto destinado a um uso preciso. Da mesma forma, um jogador de damas, ainda que o melhor do mundo, se ignorar as regras do xadrez, será incapaz de jogá-lo, embora ambos os jogos pareçam tão próximos quanto a alquimia e a química.

Percebe-se assim o erro fundamental cometido pelos “hiperquímicos” do início do século XX que, sob a liderança de F. Jollivet-Castelot, pretenderam explicar “quimicamente” a alquimia e “alquimicamente” a química. Isso significava desconhecer tanto o sentido tradicional desse saber quanto o valor e a originalidade da ciência contemporânea.

Quanto às interpretações “místico-morais” familiares a autores como Eliphas Lévi, Péladan, Guaita ou Oswald Wirth, por que supor que diretrizes dessa ordem teriam sido transmitidas “secretamente” e “alquimicamente” quando existe toda uma literatura mística especializada? Basta reler Mestre Eckhart ou Ruysbroek para compreender que exemplos extraídos do simbolismo alquímico não autorizam, de modo algum, reduzir a alquimia a uma forma de mística ou, menos ainda, a imperativos morais.

Se desejamos, portanto, reconstituir o tabuleiro mental próprio ao pensamento alquímico, é preciso admitir, de uma vez por todas, que esse pensamento corresponde a uma disciplina autônoma e que, fora do quadro dessa disciplina, qualquer interpretação de seus símbolos não pode apresentar nenhum sentido coerente.

Na verdade, o nome de cada constelação alquímica ocupa uma posição central, pois, em torno desse ponto de atração, cristalizaram-se, ao longo dos séculos, noções e imagens muito diversas, embora essa profusão aparente de valores oculte uma unidade profunda de inspiração. O teatro alquímico conta apenas com um número restrito de atores suntuosamente paramentados, e os mil bordados dos trajes não devem fazer esquecer que o fio da intriga permanece uno e imutável. Recordemos estas linhas reveladoras de Antonin Artaud sobre esse aspecto da alquimia:

“…É preciso crer que o drama essencial, aquele que estava na base de todos os Grandes Mistérios, acompanha o segundo tempo da Criação, o da dificuldade e do Duplo, o da matéria e do espessamento da ideia… Ora, esses conflitos que o Cosmos em ebulição nos oferece de maneira filosoficamente alterada e impura, a alquimia no-los propõe em toda sua intelectualidade rigorosa, pois nos permite reencontrar o sublime, mas com drama, após uma trituração minuciosa e exacerbada de toda forma insuficientemente refinada, insuficientemente madura, já que está no próprio princípio da alquimia não permitir ao espírito tomar seu impulso senão após ter passado por todos os canais, todos os alicerces da matéria existente, e ter refeito esse trabalho em dobro nos limbos incandescentes do futuro. Pois dir-se-ia que, para merecer o ouro material, o espírito teve primeiro de provar a si mesmo que era capaz do outro e que só conquistou este, só o atingiu condescendendo com ele, considerando-o como um símbolo secundário da queda que precisou realizar para reencontrar, de maneira sólida e opaca, a expressão da própria luz, da raridade e da irredutibilidade.”

Os alquimistas, respeitosos das regras da obediência filosófica, velaram o nome vulgar de seu “sujeito” ou da “matéria-prima” sob um simbolismo extremamente complexo, não sem razões pertinentes, uma das mais importantes sendo, sem dúvida, a de que o neófito se viu na obrigação lógica de reformar seu entendimento “profano” por seus próprios esforços, submetendo-se a uma série de exercícios mentais dominados pela coerência interna e suprarracional dos símbolos.

Sem essa “preparação mental”, que exige anos de ardentes pesquisas, o plano experimental propriamente dito não pode ser alcançado, e nenhum resultado de ordem operativa poderá ser obtido. É indispensável, cremos, insistir nesse ponto que muitos autores tradicionais julgaram dever deixar nas sombras. Mesmo conhecendo a fórmula exata e a sequência das operações alquímicas, nenhum químico seria capaz de realizá-las, o que, aliás, não é mais misterioso do que muitos casos análogos observáveis na prática das artes, onde, por exemplo, não basta saber a composição das cores de uma pintura para ser capaz de reproduzi-la.

Fulcanelli, em As Moradas Filosofais, nos ensina a esse respeito: “Não devemos esquecer que se trata de uma ciência esotérica. Por conseguinte, uma inteligência viva, uma excelente memória, o trabalho e a atenção auxiliados por uma vontade forte não são qualidades suficientes para esperar tornar-se douto na matéria.” “Enganam-se grandemente”, escreve Nicolas Grosparmy, “aqueles que pensam que fizemos nossos livros para eles, mas nós os fizemos para expulsar todos os que não são de nossa seita.”

É por isso que podemos afirmar que todas as interpretações “químicas” da “matéria-prima” são falsas, tendo-se visto nela, erroneamente, ora o cinábrio, o ouro, a magnésia, o orpimento, o cobre, o sal marinho, o antimônio, o enxofre, o zinco, a prata ou outros “corpos” químicos, ora produtos extraídos do reino vegetal e mesmo, às vezes, do reino animal, apesar da recomendação expressa dos antigos mestres, que aconselham unanimemente buscar o misterioso “sujeito dos sábios” na “raiz mineral e metálica”.

O “pai” dessa “raiz” é o Sol, e sua “mãe”, a Lua. Esse permanece sendo o princípio fundamental do qual o “investigador da ciência” nunca deve se afastar. Que ele busque, portanto, estabelecer de onde vem esse termo de “raiz” e, quando o tiver compreendido, terá descoberto uma das chaves do grupo simbólico da “matéria-prima”. Limitar-nos-emos aqui a recordar princípios deduzidos da tradição alquímica ocidental e, em particular, da tradição cabírica:

A tríade cabírica sendo composta de três hipóstases do Logos em relação ao quarto termo, que é o Operador ou o Pontífice, inversamente, uma tríade material formará o “Carro terrestre” que servirá de “veículo” à “Palavra” e de “arca” onde o Sacrificador celebrará os Mistérios da “Aliança Primordial”. Pode-se figurar essa união a meio caminho das duas tríades pela estrela de seis pontas conhecida como “Selo de Salomão”, que é um dos símbolos da “Pedra filosofal”.

Esse “sinal” evidencia quinze pontos, o décimo sexto não sendo representável senão pelo conjunto da própria figura, que se refere ao “Equilíbrio da Balança”.

Analisaremos primeiro a linha axial dos pontos Khi-Iota. Esse raio une dois polos e representa uma polarização entre dois termos: um, Khi, correspondendo à modalidade “primeira” do Logos, ou à “Palavra não proferida”; o outro, Iota, à “matéria-prima” propriamente dita, em seu estado de indiferenciação. Esse ponto Iota é denominado simbolicamente “a Palavra perdida”, “Verbum demissum”, pois, em seu próprio plano, corresponde aos atributos do Princípio, cognoscível mas inconcebível. Assim, pode-se, iniciaticamente, comunicar um nome que tem por função substituir essa “Palavra perdida”, o que, entre outros sentidos, remete à distinção tradicional entre o comunicável e o incommunicável, pois a “Palavra” assim “reencontrada” pela iniciação situa, simbolicamente, o sujeito no “Caminho da Luz originária” e lhe abre, virtualmente, o acesso à “Terra Santa”, ligando-o à “Terra Sagrada”.

Na primeira epístola aos Coríntios, parece que São Paulo alude a essa “Palavra perdida”, análoga ao “Ponto oculto” da árvore sefirótica: “Entretanto, é uma sabedoria que pregamos entre os perfeitos, sabedoria que não é deste século nem dos príncipes deste século, que se reduzem a nada; mas pregamos a sabedoria de Deus, mistério oculto, que Deus, antes dos séculos, predestinou para nossa glória, sabedoria que nenhum dos príncipes deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, nunca teriam crucificado o Senhor da glória.”

Segundo a tradição extremo-oriental, o “meio do Caos antigo” é chamado o “Grande Começo”. Dele nasceu a “Tríplice Matéria”, que é denominada a “Origem”, a “Profundeza ou o Abismo” e o “Caminho”, e esses três, mutuamente acessíveis entre si, não formam senão um.“ (Ye-Chi). O ponto Iota, proveniente do raio direto da Vontade do Princípio, contém em potência os atributos supremos antes de sua diferenciação. Por isso, o nome simbólico de “Profundeza” ou de “Abismo” lhe convém mais especialmente, sendo próprio da profundeza ser “profunda e ainda profunda”, como é próprio do Abismo ser insondável, enquanto os pontos Kapa e Lambda, oferecendo uma relação direta com as rodas do “Sol” e da “Lua”, virtualmente situadas segundo duas hipóstases adversas e complementares do Logos indicadas pelos pontos Heta e Mu, corresponderão aos nomes de “Origem” e de “Caminho”, em seu próprio plano, a saber, a forma e a luz manifestadas.

O ponto Iota da “Tríplice Matéria” é igualmente o lugar designado pelos autores tradicionais como o “Nada”, o “Nihil” ou o “Nil” e o “Vazio”, pois o grau extremo da Descida do Raio da Luz originária, em virtude da inversão do sentido dos símbolos, corresponde ao “Tudo” e à “Plenitude” do Uno transcendente.

Em outro sentido, o ponto Iota é o “Caos”, a saber, a “Mãe do Raio”, a “Mãe misteriosa”, a “Medida sem medida” e a “Paz profunda” no centro da qual o reflexo do Raio aparece e desaparece sem deixar traços e sem perturbar a eterna pureza, a imutável juventude e a beleza oculta do “Espelho” da “Filha do Rei”.

A matéria e a luz estão entre si na mesma relação que a noção de medida e a noção de limite. Nenhuma medida existe sem um limite dado, nenhum limite, sem uma medida recebida. A matéria e a luz não são distintas essencialmente, sendo uma e outra apenas a medida e o limite de uma mesma realidade, desse além como desse aquém de nossa razão limitada que é a Unidade suprema, da qual o Universo, em toda sua expansão concebível, não representa senão uma imagem harmoniosa e soberanamente ordenada.

Essa imagem, se nela podemos distinguir um “Grande Começo” e uma “Grande Origem”, não poderia nos autorizar a aplicar noções humanas à realidade inconcebível no seio da qual o Tudo e o Nada se aniquilam simultaneamente. É por isso que, conhecendo o caráter incompleto e inacabado de nossa consciência atual, a tradição alquímica se colocou, primeiro, sob o signo do “Limite”, atestado pelo papel atribuído aos “hermes” antigos que fixavam os “marcos” de um espaço aos quais correspondem os “marcos” do entendimento humano.

Convém lembrar que esses limites se aplicam tanto à tríade cabírica quanto à própria alquimia e que, assim, em todo o domínio das “ciências tradicionais”, se o primeiro “termo” é posto pela metafísica pura, esta metafísica não é menos “hierarquicamente” superior, em razão de sua universalidade própria, a todas as suas aplicações particulares.

Sobre o eixo central Khi-Theta-Ksi-Thau-Iota são projetados três pontos distintos dos “polos” Khi e Iota. Esses pontos correspondem, por um lado, a uma tríade “mediadora” e, por outro, a dois “corações” ou a dois centros de equilíbrio da tríade da “Tríplice Matéria” e da tríade da “Tríplice Palavra” em relação ao Operador ou ao Pontífice, situado no meio da Estrela, no ponto Ksi.

As linhas próprias ao Operador o localizam, horizontalmente, sobre uma paralela aos eixos dos “corações” e, verticalmente, sobre o eixo único da “Luz originária”. Convém observar, pois esse fato simbólico é da mais alta importância teórica, que o Operador não pode perceber nem o polo superior nem o polo inferior da Estrela, nem a “Palavra não proferida” nem a “Palavra perdida”, nem o Uno supremo nem a “matéria-prima”. Apenas os pontos Theta e Thau refletem, enquanto “corações”, os pontos Khi e Iota.

O ponto Theta corresponde à “Terra celeste”, e o ponto Thau, ao “Céu terrestre”. Com efeito, como mostra claramente a figura, o ponto Theta ocupa uma posição “superior” em relação ao Operador, e o ponto Thau, uma posição “inferior”, embora o primeiro pertença à Tríade da “Tríplice Matéria” e o segundo à Tríade da “Tríplice Palavra”, o que implica uma troca hierogâmica dos atributos da “Terra” e do “Céu”.

O ponto “Theta” é designado, simbolicamente, no Ocidente, pela “Jerusalém celeste”, no Oriente, pela “Cidade dos Salgueiros”, pela “ilha dos Bem-Aventurados”, enquanto o ponto Thau corresponde ao Templo e, de modo geral, a todo “centro terrestre sagrado”, que, aliás, só pode ser considerado como tal se for ordenado pela “qualificação” do Pontífice, que serve de intermediário entre a “Terra Santa” e a “Terra Sagrada”.

Nesse sentido, não existe nenhum lugar verdadeiramente sagrado onde o Operador não tenha recebido o “Dom da Luz originária” e, inversamente, basta que o Operador tenha recebido esse “Dom” para que sua simples presença santifique qualquer lugar terrestre.

Esse Pontífice ou Operador é também o “homem verdadeiro” ou o “homem real”, o “Chen-Jen” da tradição extremo-oriental. A linha horizontal dos pontos Alpha-Ksi-Omega equivale ao “fiel da balança” e ao eixo da “Lei”, o que explica, entre outros sentidos, que o atributo fundamental do “Homem verdadeiro” seja a “Justiça”, que deve ser prestada, simbolicamente, “ao pé da Árvore” e nos três mundos sobre os quais o Justo exerce seu duplo poder.

A tríade da “Tríplice Matéria”, cujo conjunto constitui, simbolicamente, a “matéria-prima”, pode ser estudada seja, de modo geral, em suas relações com a tríade da “Tríplice Palavra”, o que, por exemplo, representa um dos objetos do “Y-King” e da classificação hexagonal dos “mundos” tradicionais, seja, de modo restrito, em sua relação com o mundo “humano” e “terrestre”, que, em nenhum aspecto, ocupa uma posição privilegiada em relação aos anteriores.

Todavia, mesmo em seus estreitos limites, esse mundo “manifestado”, tridimensional e temporal, é a base de uma “realização operativa” que pode transferir do virtual ao real o agregado humano “imaturo”, incompleto e inacabado, do qual cada “centelha encarnada” anima a máscara e carrega o pesado fardo.

A matéria é, portanto, para o agregado humano como para o agregado animal, vegetal ou mineral, o caminho doloroso, lento e profundamente sábio de uma Paixão universal e de passagens efêmeras. Toda a veneração, todo o amor que os alquimistas dedicavam aos espetáculos de aniquilamento e ressurreição provocados pela técnica secreta do “magistério”, a percepção de fatos cuja explicação desafia todos os esforços do que chamamos de “razão”, conferiram aos tratados tradicionais dos mestres esse acento e esse estilo inimitáveis dos quais, apesar dos séculos, cada um de nós ainda pode experimentar as ressonâncias sutis, o calor e a luz, sempre vibrantes, sob o manto negro dos enigmas. Escutemos Ostanes:

“A primeira coisa que é preciso buscar é o conhecimento da pedra que foi procurada pelos Antigos e da qual adquiriram o segredo com o gume do Sabre. E lhes foi proibido nomeá-la ou, se a mencionassem nominalmente, deveria ser por um nome vulgar. E conservavam o segredo até que pudessem revelá-lo às almas puras… A pedra foi descrita como sendo a água corrente, a água eterna, o fogo ardente, o fogo gelado, a terra morta, a pedra dura, a pedra doce. É o escravo fugitivo, o estável e o rápido, a coisa que faz, aquela que é feita; aquela que luta contra o fogo, aquela que mata pelo fogo; aquele que foi morto injustamente, aquele que foi tomado à força; o objeto precioso, o objeto sem valor; a mais alta magnificência, a mais baixa abjeção; exalta aquele que o conhece, ilustra aquele que a ele se aplica; desdenha aquele que o ignora, rebaixa aquele que não o conhece; é proclamado cada dia por toda a Terra. Ó vós, buscai-me, tomai-me e fazei-me morrer, depois, após ter-me matado, queimai-me: após tudo isso, ressuscitarei e enriquecerei aquele que me matou e que me queimou. Se me aproximardes vivo do fogo, torná-lo-ei gelado. Se me sublimardes inteiramente e me ligardes fortemente, retenho então a vida em minhas convulsões extremas e, por Deus, não me detenho senão quando estou saturado do veneno que deve me matar.”

Essa busca da “matéria-prima” introduz o neófito no labirinto no centro do qual os segredos da “alta ciência” estão ocultos em uma coluna, como os livros do Templo. Que melhor exemplo dessa demanda poderíamos dar senão a seguinte descrição da “viagem” iniciática:

“Ouvistes falar, ó estrangeiro, de um labirinto cujo plano Salomão formou em seu espírito e que fez construir com pedras reunidas em círculo? Esse desenho representa sua disposição, sua forma e sua complicação, traçadas por linhas finas, de maneira racional. Vendo seus mil circuitos, do interior ao exterior, suas rotas esféricas que retornam em círculo, para cá e para lá, sobre si mesmas, aprendei o curso circular da vida que assim vos manifesta as curvas escorregadias de seus caminhos bruscamente reenviados. Por suas evoluções esféricas, circulares, ele se enrosca sutilmente em cordões compostos; assim como a serpente perniciosa, em seus repliques, rasteja e se desliza, ora de maneira manifesta, ora secreta.

Ele tem uma porta colocada obliquamente e de acesso difícil. Quanto mais vos apressais do exterior querendo vos lançar, mais ele mesmo, por seus desvios súbitos, vos engaja no interior, em direção à profundeza onde se encontra a saída. Ele vos seduz cada dia em vossas corridas, ele brinca e zomba de vós pelos retornos da esperança; como um sonho que vos engana por visões vãs até que o tempo que rege a comédia tenha se escoado e que a morte, ai!, ordenando tudo na sombra, vos receba sem permitir-vos alcançar a saída.”

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