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EVANGELHO DA VERDADE
GARCÍA BAZÁN, Francisco. Gnosis. La esencia del dualismo gnóstico. Buenos Aires: Ediciones Universitarias Argentinas, 1978
O documento começa dizendo: “… o Evangelho da Verdade é alegria para aqueles que receberam do Pai da Verdade o dom de conhecê-Lo…”. Seu conteúdo é o seguinte:
I. Prólogo, que é uma síntese do desenvolvimento do escrito. Referência à verdadeira doutrina, materialização da Palavra, que é a que salva, a representação do mais puro do Pleroma, início da reintegração, que se enraíza no Pai.
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Menção ao Pai como Princípio inefável e supraontológico. O desconhecimento do fundamento ontológico dá lugar a uma obra ilusória que não obscurece a verdadeira Realidade e que desaparece com o conhecimento autêntico que se identifica com o sustento do real. O homem pode se confundir na visão deste último.
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A verdadeira doutrina é aquela que tem a ver com a realidade do homem (pneuma ou Si-Mesmo). Em Jesus, enquanto Cristo (expressão histórica do Eu-Mesmo exemplar), isso se concretizou claramente, por isso foi e é ameaçado pelo Erro que tenta ocultar a Realidade. O Eu-Mesmo é idêntico ao que pode ser expresso pelo Pai, mas se manifesta em formas reais que lhe são inferiores. Mas tal é a constituição da Realidade, não a expressão de uma vontade antropomórfica.
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Jesus Cristo é o verdadeiro mestre para o homem. Ele se opõe à sabedoria que o próprio homem cria, que é do Erro. Essa falsa sabedoria tende a ocultá-lo, mas se o homem se afasta do exterior e retorna à sua profundidade, ele vive espiritualmente.
V. A disposição que radica no seio do Pai deve se manifestar na intimidade de cada ser para se tornar um Jesus Cristo, como aconteceu com Jesus.
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Esta é a grande lição da manifestação do espírito oculto.
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Assim, visível em Jesus, mostrou como está encerrado entre os ignorantes e é possível tornar-se espiritual quando se compreende isso, este é um ser completo ao conhecer, pois deixa de ignorar o sentido total que reside no Pai. Nessa perspectiva, domina a eternidade, gnose e nome se identificam; aquele que conhece sabe desde sempre como é e, por isso, seu nome já estava inscrito no Pai e toda a Realidade se torna evidente para ele. O ignorante não pode se salvar.
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Jesus (como Jesus Cristo) tira da ignorância aqueles que o compreendem como um acontecimento simbólico e, assim, reconstrói o Pleroma.
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No Pai se existe e se conhece pela gnose que torna o conhecedor manifestação imediata do Pai. Esta é a gnose eterna que se manifesta em uma doutrina que exige compreensão, que é realização pneumática.
X. O Pleroma é reconstituído pela Palavra que procede do Pai, a quem manifesta.
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Desta forma, alcança-se a perfeição e a forma adquire seu sentido no supraformal, Unidade que se projeta sobre cada parte.
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Recebida esta doutrina, para que seja realização, deve ser mantida.
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Quando isso acontece, a Palavra em cada um se plenifica e o mundo é julgado e condenado, pois se obtém o Universal. Esta é a Verdade, estar cheio do pneuma.
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Somente o Pai é, tudo o mais por Ele existe e somente aquele que sabe disso existe verdadeiramente; embora os demais existentes, ignorando-O, também por Ele existam, mas terão que conhecer para serem inteiros, com o conhecimento que vem do Pai.
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Aquele que não conhece está imerso na ilusão.
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Aquele que se voltou para si mesmo descobriu o Eu-Mesmo que veio buscá-lo e, aprofundando-se nele, pelo Filho, chegou ao princípio da manifestação do Pai.
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O hídrico não compreende o sentido de Jesus: Ele emitiu o Logos Perfeito e tem sido o caminho da gnose. Isso é simbolizado pela parábola do Bom Pastor e pelo relato do pneuma que busca a si mesmo e do reencontro que é o sábado, da abertura do gnóstico, do dia perfeito e da Luz que irradia a Verdade.
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Exortações: 1) de apoio àqueles que têm a possibilidade de se reconhecerem; 2) de manutenção da concentração em si mesmos. A dispersão fortalece o âmbito do adversário. A vontade do Pai está acima da Lei.
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O Pai é bom e os pneumáticos provêm Dele e, mesmo quando se misturam com a matéria, continuam estando acima da matéria. O pneuma na terra enfraquece seu poder de manifestação e a separação chega a ocultá-lo. Seu retorno ou conversão é a realização da Palavra, na qual se reencontra e que existe pelo Pai. A manifestação do Pai é diferente de sua diversificação.
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O Perfeito busca o deficiente para completá-lo com a graça, como o médico busca o doente que precisa dele.
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Fala-se de Cristo entre os passíveis de conversão para que se tornem ungidos e, assim, se tornem perfeitos como Cristo.
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O Pai conhece o que provém Dele, suas sementes, que constituem o Pleroma. A Palavra expressa a Vontade do Pai, que antes de se manifestar era uma unidade com a Inteligência e a Graça.
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O Pai é incompreensível, assim como a Sua Vontade. Assim, a Realidade tem seu sustento no Pai e o homem a oculta, não a destrói. O fim consiste em conhecer. Do Pai provém o Princípio e deste os demais seres que O glorificam.
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Mas, visto que o Pai é único, Ele gerou o Filho, que é o Seu Nome e Princípio dos Eons. Este é o Nome invisível e inefável.
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Nome que fala da Profundidade.
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E toda emanação do Pai é pleromática e nele se radica. Desta forma, o Todo encontra-se em repouso, considerando a bondade de Deus.
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Aquele que finalmente alcançou este lugar obteve a plenitude e o descanso.
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