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MISTÉRIO DO SIGNO
BORELLA, Jean. Le mystère du signe. Paris: Maisonneuve Larose, 1989.
Tópicos do Prefácio
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O despertar do homem para o dia e para a vida é imediatamente inscrito no tempo cósmico e na sucessão dos ciclos anuais, onde a abóbada celeste, a quadripartição do horizonte e a própria verticalidade do corpo humano ensinam a esfera, a hierarquia dos graus de realidade e a correspondência analógica que unifica todas as coisas.
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A busca do olhar humano pelo ponto oriental onde nasce a luz orienta todo o seu dia no tempo cósmico.
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A abóbada celeste percorrida pelo sol ensina a esfera que abriga e a altura que desperta para o sentido do Absoluto.
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A quadripartição do horizonte pelos pontos equinociais e solsticiais traça a grande cruz do mundo, que ordena e revela a inteligibilidade da roda cósmica.
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O corpo vertical do homem ensina a hierarquia dos graus de realidade, da pedra ao espírito, e sua correspondência analógica.
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A voz e os gestos humanos, por meio do rito, cumprem o perpétuo processo de exodo e retorno da criação ao Princípio.
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A antiga Tradição, através de mitos e hierodramas litúrgicos, atualiza a significação primordial dos momentos essenciais da vida.
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A palavra originária transmitida pelos Antigos comenta o Livro do Mundo, nomeando todas as coisas para que sejam compreendidas e integradas pelo centro humano do cosmos.
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A luz do sol ensina ao olhar a multitude separativa dos seres, enquanto a Palavra e a Tradição, como sol dos espíritos, ensinam à inteligência e a ação ritual realiza a unificação no sacrifício.
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Durante milênios, a humanidade viveu imersa no mundo sacro dos símbolos religiosos, onde toda coisa era palavra inteligível e toda palavra era eco do Verbo, sendo esta a realidade objetiva do simbolismo sacro que deve ser percebida em sua presença e evidência antes de qualquer descrição ou análise.
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O simbolismo sacro tem sido objeto de múltiplos estudos por parte da história das religiões, etnografia, sociologia, psicologia e filosofia nos últimos cento e cinquenta anos, cujo mérito principal foi produzir documentação abundante, mas que, salvo exceções, serviu mais para torná-lo incompreendido devido à falta de uma revolução cosmológica e epistemológica contrária aos hábitos mentais modernos.
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As chaves para a verdade do simbolismo encontram-se principalmente em René Guénon, não por um tratado geral, mas por suas aplicações exemplares e fundadoras, e sob sua influência e a de Frithjof Schuon, autor de um tratado completo do simbolismo, os estudos de simbologia transformaram-se com obras de Titus Burckhardt, Jean Canteins, Jean Hani, o Dicionário de símbolos de Jean Chevalier e O mundo dos símbolos das edições Zodiaque.
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O presente trabalho, embora se situe na linha desse mesmo ensino, distingue-se pelo método filosófico que parte dos dados da experiência humana para se elevar às essências por análise reflexiva, porque a pensamento contemporâneo dedicou-se ao estudo teórico do signo e do símbolo, influenciando grande parte da intelligentsia ocidental e oriental, e impondo a necessidade de opor a este desafio o modelo do signo simbólico tal como apresentado pelas culturas sagradas e concebido pela filosofia tradicional, objetivo proposto em O mistério do signo.
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Índice
Introdução — as duas definições do símbolo
Primeira Parte — Eidética do símbolo segundo a história
Introdução
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I O símbolo da Antiguidade à Idade Média
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Origem grega
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Etimologia
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O testemunho de Platão
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A origem pitagórica
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Simbolismo e liturgia
Segundo o judaísmo grego-
Existência de um simbolismo na tradição judaica
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Testemunha de Filon (vide nosso Philon)
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Atestação escriturária do symbolon
Segundo o cristianismo grego-
O vocabulário do simbolismo no Novo Testamento
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O testemunho de São Justino e São Irineu de Lyon
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São Clemente de Alexandria (vide nosso Clemente de Alexandria)
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Orígenes (vide nosso Origenes)
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Teodoreto de Cyro
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São Dionísio Areopagita (vide nosso Dionisio Areopagita)
Segundo o cristianismo latino-
Um novo sentido da palavra
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O symbolon na literatura paleo-medieval, particularmente em João Escoto
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A partir do século XII
II Símbolo e alegoria na época moderna-
Sua equivalência primeira
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A oposição de Goethe
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Algumas expressões contemporâneas de oposição
III Da essência do símbolo-
Os dois polos da função simbólica
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O símbolo dos símbolos
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O símbolo no símbolo
Conclusão: o signo da aliançaSegunda parte — Analítica do Símbolo
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Introdução: Função e Estrutura
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IV Do signo segundo a ciência lingüística
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O fechamento epistêmico do conceito
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Coerência da linguagem e coerência do pensamento
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A ciência realiza o conceito do lado da ação
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Duas ilustrações do fechamento epistêmico do conceito: Galileu e Saussure
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A abertura especulativa do conceito filosófico
A noção lingüística de signo-
O signo é primeiramente signo do signo
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O signo saussuriano
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A rejeição da noção estrutural do signo
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A função de comunicação
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Falar não é comunicar
V Do signo segundo a filosofia-
Do campo semiológico
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A separação semântica e descoberta da significância
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De sua unidade: signos lingüísticos e não lingüísticos
Descrição geral do signo-
O triângulo semântico
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Identificação do significante
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Identificação do referente objetivo
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Identificação do sentido e do referente inteligível
Notas históricas-
A doutrina de Santo Agostinho
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Os medievais
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As doutrinas da Índia
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O hinduísmo clássico
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O tantrismo e o shivaismo de Cachemira
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A “Palavra Suprema”
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O processo logo-cosmogônico
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A reminiscência invocatória
VI Do signo simbólico-
Das espécies de signo
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Fundamento da distinção das espécies de signo
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O signo indutivo e o signo institucional
O signo simbólico, unidade transformante do signo indutivo e do signo institucionalO semeion em São João (vide nosso semeion)O ícone de RoublevPotencialidade semântica do símbolo e ontologia de referência-
O símbolo significado por presentificação
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Referência semiótica e referência simbólica
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A visão essencialmente múltipla do símbolo
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Unidade semântica e transcendência do símbolo
A hermenêutica acordada ao símbolo: memorial e reminiscência-
A hermenêutica institutiva
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A hermenêutica especulativa
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A hermenêutica integrativa
VII Estrutura geral e organização da ordem simbólica-
Esquema do signo simbólico
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Classificação dos símbolos
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Rejeição do modelo linguístico
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Extensão do campo simbólico
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A natureza do significante como princípio de classificação
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As três classes fundamentais de significantes elementares
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Os dois princípios limitativos do campo simbólico
Conclusão: o símbolo é um operador semântico
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