User Tools

Site Tools


Action unknown: copypageplugin__copy
burckhardt:idei:arquetipos

ARQUÉTIPOS

  • As possibilidades principiais ou essências imutáveis (al-ayan al-tabita), embora contidas na indistinção da Essência divina, são também, enquanto se refletem no Intelecto universal, as ideias ou arquétipos que Platão, em sua parábola da caverna, compara com os objetos reais cujas sombras projetadas na parede da caverna são a única coisa percebida pelos prisioneiros.
    • Nesse sentido, todos os sufis que adotam a teoria dos arquétipos são necessariamente platônicos.
    • A doutrina dos arquétipos é solidária da doutrina da Onisciência divina, como demonstra o sufi persa Nur al-Din Abd al-Rahman Jami em seu livro Lawai'h: a verdadeira essência de cada coisa permanece sempre, embora não manifestada, no abismo interior do Ser verdadeiro, e pretender que os conteúdos da Ciência divina são evanescentes implicaria o ateísmo.
  • Os argumentos de alguns filósofos contra a existência das ideias de Platão são invalidados pela compreensão de que esses arquétipos não têm existência como substâncias distintas, conforme aponta Ibn Arabi, constituindo apenas possibilidades inerentes ao Intelecto e principialmente inerentes à Essência divina.
    • Qualquer discussão filosófica sobre os universais procede de uma confusão entre os arquétipos e seus reflexos puramente mentais.
    • As ideias gerais como formas mentais são puras abstrações, mas essa constatação não prejudica a doutrina dos arquétipos, pois estes são as possibilidades que as abstrações pressupõem e sem as quais careceriam de qualquer verdade intrínseca.
    • Negar as essências imutáveis, fonte de qualquer conhecimento relativo, equivaleria a negar o espaço com o pretexto de que não tem forma espacial.
    • Os arquétipos nunca se manifestam como tais nem no ordem sensível nem no mental, mas a eles conduz, no terreno dos princípios, tudo o que esses dois ordens encerram; só intuitivamente podem ser conhecidos, a partir de seus símbolos ou pela identificação com a Essência divina.
  • A expressão corânica dhikr significa reminiscência no sentido platônico de conhecimento refletido dos arquétipos, com o matiz de que a palavra significa literalmente menção, ambivalência que desempenha papel importante na linguagem sufi.
    • O versículo corânico idkuruni adkurkum (II, 152) pode traduzir-se por lembrai-vos de Mim, Eu me lembrarei de vós, ou por mencionai-Me, Eu vos mencionarei.
    • A transposição do passado para a ordem dos princípios é conforme ao simbolismo geral das línguas semíticas: o pretérito indefinido em árabe serve para exprimir a ação intemporal de Deus.
    • Essa ambivalência vincula a evocação das Realidades essenciais ao simbolismo sonoro das fórmulas de encantação ou invocação (dhikr), e por dhikr designa-se também qualquer forma de concentração na Presença divina.
    • A lembrança ou menção suprema não é senão a identificação com o Verbo divino, que é o Arquétipo dos arquétipos.
  • A reminiscência sufi, assim como a reminiscência platônica (mneme), não é de natureza psicológica mas eminentemente intelectual, razão pela qual seus suportes podem ser de ordem elementar e corporal.
    • Nada mais falso que considerar os métodos de encantação como uma forma de adoração mais primária e menos consciente do que, por exemplo, a oração livre.
    • Existe um vínculo de analogia inversa entre o ordem cósmico mais elementar e o ordem espiritual mais elevado, e por isso os suportes que ajudam a transformar a consciência no espírito informal assemelham-se aos grandes ritmos da natureza, aos movimentos dos astros, às ondas do mar ou aos espasmos do amor e da agonia.
/home/mccastro/public_html/perenialistas/data/pages/burckhardt/idei/arquetipos.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki