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ECCE MATER TUA
SARÇA ARDENTE — ENSAIO SOBRE A METAFÍSICA DA VIRGEM
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O capítulo examinará três privilégios marianos interligados, a Imaculada Conceição, o parto virginal e a Assunção, cuja compreensão é facilitada pela explicação do primeiro deles.
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A seleção dos três privilégios da Virgem a serem estudados.
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A relação intrínseca entre a Imaculada Conceição, o parto virginal e a Assunção.
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A importância de elucidar a Imaculada Conceição para a compreensão dos demais privilégios.
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A explicação do mistério da Imaculada Conceição, ao qual Tomás de Aquino não aderia, requer uma metafísica que transcenda a aristotélica, aplicando os conceitos de Essência e Substância para esclarecer este ponto do dogma cristão.
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A insuficiência da metafísica aristotélica para explicar o mistério, ao qual Tomás de Aquino não atribuía fé.
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A necessidade de recorrer a uma metafísica superior, baseada nas noções de Essência e Substância.
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A aplicação dos conceitos do capítulo II ao esclarecimento do dogma.
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A oração da missa de 8 de dezembro fundamenta teologicamente o privilégio mariano ao afirmar que Deus, prevendo a morte de seu Filho, preservou a Virgem de toda mancha desde a sua conceição, preparando-lhe uma morada digna e uma natureza humana intacta, o que a isentou não só do pecado original, mas também de todos os pecados pessoais decorrentes.
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A citação da oração da Imaculada Conceição como base teológica.
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A preservação da Virgem da mancha original na sua conceição para ser morada digna do Verbo.
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A imunidade da Virgem à “grifa do Diabo” em toda a sua existência.
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A distinção entre a preservação da Virgem e a purificação de São João Batista no ventre materno.
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A isenção consequente de todos os pecados pessoais.
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A preservação da Virgem da falta original deu-se em previsão da morte de seu Filho e por aplicação antecipada dos méritos da Cruz, de modo análogo à justificação dos justos do Antigo Testamento que aguardavam nos limbos a abertura do Céu.
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O fundamento da preservação mariana na previsão da morte redentora de Cristo.
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A aplicação antecipada dos méritos da Redenção como modo de preservação.
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O paralelo com a justificação e a situação dos justos do Antigo Testamento.
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A descrição da preservação mariana como aplicação antecipada dos méritos de Cristo é uma formulação humana que traduz a realidade teológica a partir de uma perspectiva temporal, mas que, do ponto de vista divino e atemporal do Princípio, a Redenção é um ato eterno e simultâneo que pode aplicar-se antes ou depois de sua manifestação histórica, assim como a missa representa atualmente o sacrifício da cruz.
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O caráter humano e perspectivo da linguagem que situa a preservação “antes” da redenção.
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A natureza do ato redentor como um ato eterno e simultâneo do ponto de vista do Princípio.
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A manifestação histórica da redenção como centro da história do mundo.
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A aplicabilidade do ato eterno indiferentemente “antes” ou “depois” de sua manifestação temporal.
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O exemplo da missa como re-apresentação atemporal do sacrifício da cruz.
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A relação entre o ato redentor e os diversos momentos do tempo pode ser figurada pelo centro de uma circunferência, que se conecta igualmente a todos os pontos da periferia sem ser afetado pela sucessão temporal que eles representam.
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A analogia do centro da circunferência para ilustrar a atemporalidade do ato redentor.
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A conexão direta e igual do centro (redenção) com todos os pontos da periferia (tempo).
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A independência do centro em relação à sucessão dos pontos na periferia.
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A explicação metafísica do privilégio da Imaculada Conceição fundamenta-se no princípio de que um princípio pertence a uma ordem distinta de sua manifestação, não estando, portanto, sujeito às limitações desta.
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A distinção ontológica entre um princípio e a sua manifestação.
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A imunidade do princípio às vicissitudes e limites inerentes à manifestação.
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Em termos metafísicos, a Imaculada Conceição da Virgem histórica corresponde, no plano divino, à pureza indiferenciada do Princípio passivo universal, de modo que sua geração conceptual no Logos só pode ser imaculada, o que a teologia traduz atribuindo o privilégio aos méritos do Verbo e designando Maria como a primeira redimida.
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A correspondência entre a Imaculada Conceição e a pureza primordial do Princípio passivo universal.
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A geração imaculada de Maria no Logos como fundamento metafísico.
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A tradução teológica dessa verdade na atribuição do privilégio aos méritos do Verbo encarnado.
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A designação de Maria como a “primeira redimida”.
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Quando o princípio feminino não manifestado da manifestação universal se manifesta no mundo, ele não é afetado pelas limitações deste, sendo essa realidade traduzida pela teologia no conceito de “privilégio”, que, na ordem histórica, foi reservado a Cristo e à Virgem, ambos isentos do pecado original que afeta a humanidade.
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A manifestação do princípio feminino sem ser afetado pelas limitações do mundo manifestado.
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O conceito teológico de “privilégio” como tradução dessa realidade metafísica.
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A reserva histórica desse privilégio a Cristo e à Virgem.
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A natureza do pecado original como pecado de origem e de natureza que afeta a humanidade.
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O Verbo Criador, por pertencer a uma ordem distinta de sua manifestação, é isento do pecado que a afeta quando nela se encarna, podendo, como Sabedoria do Pai, escolher e preparar um “suporte” material, a “Sedes Sapientiae”, que preserve do pecado inerente à manifestação.
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A transcendência do Verbo Criador em relação à ordem da manifestação.
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A isenção do Verbo encarnado em relação ao pecado que afeta a manifestação.
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A capacidade do Verbo, enquanto Sabedoria, de escolher e preparar um suporte material imune ao pecado.
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A identificação desse suporte como a “Sedes Sapientiae” das ladainhas.
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A Virgem, como manifestação da Substância universal ou aspecto feminino da Divindade e como suporte da manifestação do Verbo, é preservada do pecado original desde toda a eternidade, em virtude de sua predestinação como tal pelo Criador, conforme recorda a liturgia.
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A identificação da Virgem com a manifestação da Substância universal.
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Sua função de suporte para a manifestação do Verbo.
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A preservação eterna do pecado original, fundada em sua predestinação divina.
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A confirmação litúrgica dessa verdade.
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A designação paulina de Cristo como “Novo Adão” e de Maria como a “Nova Eva” se justifica, pois, assim como Adão e Eva presidiram à geração carnal da humanidade pecadora, Cristo e a Virgem presidem à regeneração espiritual da nova humanidade, sendo princípios de manifestação e de salvação.
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A aplicação dos títulos de “Novo Adão” a Cristo e “Nova Eva” a Maria.
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O paralelo entre a primeira geração carnal e pecadora e a nova geração espiritual.
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A função de ambos como princípios de manifestação e de regeneração (salvação).
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O segundo privilégio mariano é o parto virginal, ensinado pela teologia como a perpétua virgindade de Maria na concepção, no parto e após o parto, motivo pelo qual a liturgia a denomina “Semper Virgo”.
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A definição do parto virginal como o segundo privilégio.
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O ensino teológico da virgindade perpétua de Maria (antes, durante e após o parto).
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A denominação litúrgica de “Semper Virgo”.
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O relato evangélico atribui a concepção virginal à ação do Espírito Santo, cuja virtude tornou a Virgem fecunda sem intervenção humana, estabelecendo um paralelo com a ação do Espírito de Deus fecundando as águas primordiais no Gênesis, o que é simbolizado nas icônes pela Virgem de rosto negro, representando o Caos substancial ou as Eguas primordiais.
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A explicação evangélica da concepção pela ação do Espírito Santo.
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A fecundação da Virgem sem concurso humano.
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O paralelo com a ação do Espírito fecundando as águas no Gênesis.
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O simbolismo da Virgem de rosto negro nas icônes como representação do Caos substancial ou Eguas primordiais.
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A relação entre a cor negra e a indiferenciação primordial da Substância universal, conectando-a à Imaculada Conceição.
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A fecundação da Virgem pelo Espírito ocorre no momento de seu “fiat” de aceitação, por meio do ministério de um Arcanjo, cujo toque, representado por uma estrela em algumas icônes, teria transmitido o Espírito, o qual é denominado “Sanctus Angelus” no Cânon da missa romana.
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O “fiat” da Virgem como condição para a fecundação pelo Espírito.
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O papel ministerial do Arcanjo na transmissão do Espírito.
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O simbolismo da estrela nas icônes como marca do toque angélico.
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A designação do Espírito Santo como “Sanctus Angelus” no Cânon romano.
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O privilégio do parto virginal encontra explicação metafísica nas relações entre Essência e Substância, onde a Substância, ao produzir, não é afetada por sua produção, permanecendo “sempre virgem”, ao mesmo tempo que é passiva em relação à Essência (Ato puro), que atualiza as possibilidades de manifestação nela contidas, sendo Deus a verdadeira causa da Encarnação.
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A explicação metafísica baseada na relação Essência-Substância.
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A não-afetação da Substância por sua própria produção, fundamentando a perpétua virgindade.
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A passividade da Substância em relação à Essência, refletida na atitude da Virgem.
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A atualização das possibilidades manifestativas pela Essência (Ato puro).
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Deus como a verdadeira causa da Encarnação.
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O título de “Mãe de Deus” decorre do fato de Maria ter concebido e dado à luz o Filho de Deus, e a escolha divina de uma mulher para a Encarnação é um ponto importante a ser examinado posteriormente.
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A concessão do título de “Mãe de Deus” a Maria.
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O fato da concepção e parto do Filho de Deus como fundamento do título.
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A relevância da questão sobre a escolha divina de uma mulher para a Encarnação.
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A Encarnação, assim como a Redenção, é um ato eterno na medida em que Deus conheceu desde sempre a união das naturezas humana e divina, embora a geração do Filho seja propriamente eterna; ao criar o mundo, Deus o concebeu segundo o modelo da pessoa perfeita de seu Filho encarnado, o Homem Universal.
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A Encarnação como ato eterno no conhecimento divino.
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A distinção entre a geração eterna do Filho e o ato eterno da Encarnação.
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A criação do mundo segundo o modelo do Verbo encarnado, o Homem Universal.
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Assim como o Verbo se encarnou no seio da Virgem pela palavra do Anjo, a imagem do Filho de Deus é gerada na alma do fiel pelas palavras sacramentais do batismo, conferindo-lhe o poder de se tornar filho de Deus, numa re-nascimento que, segundo Mestre Eckhart, é eterno no mesmo sentido exposto.
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O paralelo entre a Encarnação no seio da Virgem e a geração da imagem do Filho na alma do batizado.
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O papel das palavras sacramentais do batismo nessa geração.
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O poder conferido de se tornar filho de Deus.
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A interpretação de Mestre Eckhart sobre a natureza eterna desse re-nascimento.
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O terceiro privilégio, a Assunção da Virgem, decorre diretamente da Imaculada Conceição, pois a isenção do pecado e da corrupção do corpo permite sua ressurreição e assunção ao Céu, sendo a dormição, a ressurreição e a glorificação os três aspectos desse mistério.
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A relação de causalidade entre a Imaculada Conceição e a Assunção.
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A imunidade do corpo da Virgem à corrupção do túmulo.
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A ressurreição e o transporte ao Céu pelos Anjos.
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Os três objetos do mistério: dormição, ressurreição e glorificação.
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Embora a festa da Assunção seja antiga e solene, o dogma só foi proclamado em 1950, e sua justificação não repousa unicamente em fatos históricos ou na tradição, mas numa “razão de conveniência” metafísica, que a proclamação do dogma corrobora como alerta contra a “superstição do fato”.
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A antiguidade e solenidade da festa mariana.
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A proclamação recente do dogma (1950).
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A insuficiência de fatos históricos e da tradição para estabelecer a origem divina do cristianismo e do dogma.
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A suficiência de uma “razão de conveniência” ou metafísica para justificar a Assunção.
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A proclamação do dogma como alerta contra a “superstição do fato”.
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Se Cristo sobe ao Céu por seu próprio poder, a Virgem, por sua natureza, é assumida passivamente por Deus, que a ressuscita, eleva e coroa, sendo a intervenção dos Anjos símbolo dos estados superiores do Ser que ela percorre e ultrapassa ao ser coroada “Rainha dos Anjos”.
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A diferença entre a ascensão ativa de Cristo e a assunção passiva da Virgem.
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A ressurreição, elevação e coroação da Virgem por Deus.
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O simbolismo dos Anjos como representação dos estados superiores do Ser.
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A superação desses estados pela Virgem, coroada como Rainha dos Anjos.
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Uma tradição piedosa menciona uma descida da Virgem ao Purgatório para consolar as almas, o que, análogo à descida de Cristo aos infernos, representaria a recapitulação dos estados inferiores do Ser.
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A tradição da visita da Virgem às almas do Purgatório.
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O paralelo com a descida de Cristo aos infernos.
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A interpretação dessa descida como recapitulação dos estados inferiores do Ser.
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Segundo São Macário, as coroas incriadas recebidas pelos eleitos significam a identificação com o que eternamente são, a realização da predestinação divina, de modo que, após a extinção do eu, a Virgem desperta para o seu protótipo eterno de criatura perfeita concebido por Deus antes de todas as coisas.
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O ensinamento de São Macário sobre as coroas incriadas.
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A identificação dos eleitos com seu ser eterno como realização da predestinação.
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O despertar da Virgem para seu protótipo eterno de criatura perfeita.
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A concepção divina desse protótipo antes de todas as coisas.
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O mistério da Assunção é celebrado pela Igreja no hino das primeiras vésperas de 15 de agosto, que exalta a inimizade da Virgem contra o demônio, sua conceição sem tacha, a concepção e restauração da vida perdida, a vitória sobre a morte, sua assunção corporal ao Céu e a exaltação de toda a natureza chamada a tocar o cume da glória em Maria.
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A referência ao hino litúrgico da festa da Assunção.
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Os temas do hino: a inimizade com o demônio, a conceição imaculada.
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A concepção da Vida e a restauração da vida perdida por Adão.
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A vitória sobre a morte e a assunção corporal ao Céu.
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A exaltação de toda a natureza, chamada a atingir a glória em Maria.
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