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MISTÉRIOS CRISTÃOS
SARÇA ARDENTE — ENSAIO SOBRE A METAFÍSICA DA VIRGEM
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O termo “mistério”, etimologicamente, designa o que é “inexprimível” e não o que é incompreensível, devido à necessidade de não profanar o sagrado, à insuficiência da linguagem humana para traduzir verdades sobrenaturais, à necessidade de uma transmissão iniciática “de boca a orelha” com auxílio de símbolos, função na qual se destaca o papel do mestre espiritual, e à exigência de uma realização ontológica dessas verdades, para além da percepção especulativa.
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A distinção etimológica entre “inexprimível” e “incompreensível” na definição de mistério.
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A necessidade de reserva na comunicação do sagrado.
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A impotência da linguagem humana diante das verdades sobrenaturais.
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A transmissão iniciática “de boca a orelha” com auxílio de símbolos.
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O papel do mestre espiritual (guru, starets) nessa transmissão.
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A exigência de realização ontológica, para além da percepção especulativa.
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Os mistérios da vida de Cristo e da Virgem são temas fundamentais cuja meditação é necessária para a conformidade do fiel à imagem do Filho, conforme ensinado por Paulo, e estão resumidos nos quinze mistérios do Rosário, distribuídos em gozosos, dolorosos e gloriosos.
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Os mistérios da vida de Cristo e da Virgem como temas fundamentais para a meditação.
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O objetivo paulino de conformidade à imagem do Filho.
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A síntese desses mistérios nos quinze mistérios do Rosário.
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A divisão tripartite em mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos.
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As virtudes atribuídas a cada mistério do Rosário são forças que realizam na alma as virtualidades neles contidas, tornando reais as qualidades dos personagens meditados por meio da virtude do Nome de Jesus invocado em cada Ave, sendo, portanto, aspectos do Nome divino que a alma busca realizar em si.
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A atribuição de virtudes aos mistérios do Rosário.
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A definição de virtude como força que atualiza virtualidades na alma.
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O papel do Nome de Jesus invocado como veículo dessa força.
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As virtudes como aspectos do Nome divino a serem realizados pela alma.
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Os mistérios de Cristo e da Virgem, já abordados, são aqui retomados em detalhe para demonstrar que se inserem nas três vias espirituais da ação, do amor e do conhecimento, relacionando-se, em última análise, com os seis temas fundamentais anteriormente descritos.
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A retomada detalhada do tema dos mistérios do Rosário.
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A demonstração de sua inserção nas três vias espirituais.
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A relação dos mistérios com os seis temas fundamentais.
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As três vias: ação, amor e conhecimento.
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A meditação dos mistérios sob a perspectiva da ação enfatiza o aspecto moral das virtudes e suas aplicações práticas; sob a perspectiva do amor, a alma aplica-se nas virtudes espirituais, raízes das virtudes morais e qualidades divinas a realizar; sob a perspectiva do conhecimento, a alma contempla sua transformação pela graça e pelo Nome divino, no âmbito da teologia mística que estuda a deificação (theosis), domínio do amor supremo que coincide com o conhecimento supremo.
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A perspectiva da ação e seu foco no aspecto moral e prático das virtudes.
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A perspectiva do amor e a aplicação nas virtudes espirituais como qualidades divinas.
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A perspectiva do conhecimento e a contemplação da transformação pela graça.
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A teologia mística e o estudo da deificação (theosis).
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A coincidência entre amor supremo e conhecimento supremo.
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Embora cada categoria de mistérios possa ser meditada segundo as três perspectivas, os gozosos relacionam-se mais diretamente com a ação, os dolorosos com o amor e os gloriosos com o conhecimento, apresentando uma ordem de dificuldade crescente que vai do trabalho acessível, passando pelo amor heroico, até o amor supremo ou conhecimento supremo, onde se distingue entre a união (em que se é dois) e a unidade (em que se é um), sendo que na união busca-se imitar e reparar o amado, enquanto na unidade o eu desaparece, conforme as palavras de Cristo a Catarina de Sena e a afirmação de Paulo.
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A afinidade particular dos mistérios gozosos com a via da ação.
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A afinidade particular dos mistérios dolorosos com a via do amor.
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A afinidade particular dos mistérios gloriosos com a via do conhecimento.
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A ordem de dificuldade crescente dos mistérios.
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O foco na união (imitação e reparação) nos mistérios dolorosos.
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O foco na unidade (dissolução do ego) nos mistérios gloriosos.
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A distinção entre união (Deus e eu) e unidade (Eu sou Aquele que É).
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A referência às palavras de Cristo a Catarina de Sena e sua interpretação metafísica sobre a aniquilação do ego.
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A citação de Paulo sobre viver não mais eu, mas Cristo em mim.
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A Encarnação, mistério gozoso, representa a entrada de Deus no homem, realizada nos sacramentos da iniciação cristã, onde a alma pura e virgem, sob a ação do Espírito, dá à luz o Cristo, tornando-se conforme à imagem do Filho e permitindo que o Pai pronuncie as palavras de adoção, pois, como ensinam os Padres e Mestre Eckhart, Deus se fez homem para que o homem se fizesse Deus, num processo que exige a virgindade e fecundidade da alma.
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A Encarnação como paradigma da entrada de Deus no homem pelos sacramentos.
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A alma pura que, sob a ação do Espírito, gera o Cristo.
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A predestinação à conformidade com a imagem do Filho.
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A palavra de adoção do Pai: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.
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O axioma patrístico: “Deus se fez homem para que o homem se fizesse Deus”.
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O comentário de Mestre Eckhart sobre a virgindade e fecundidade necessárias à alma para conceber e gerar com o Pai.
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A Visitação, mistério gozoso, é a concentração jubilosa da alma na presença divina e a consciência de portar o Germe divino, o que a leva a agir conforme essa presença, transcendendo os limites do ego e reconhecendo o próximo como não outro que si mesma, donde a capacidade de santificar e irromper no Magnificat eterno.
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A Visitação como concentração da alma na presença divina.
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A consciência de portar o Germe divino.
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A ação conforme a presença, que ultrapassa os limites do ego.
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O reconhecimento do próximo como não diferente de si mesmo.
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A santificação daqueles que se aproximam e o irromper do Magnificat.
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A Natividade, mistério gozoso, é análoga à invocação do Nome divino, que atualiza e realiza as virtualidades espirituais implícitas na presença, sendo o órgão gerador da Virgem assimilável ao coração puro que engendra Deus ou à boca que pronuncia o Nome ou recebe a Eucaristia.
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A Natividade como analogia da invocação do Nome divino.
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A atualização e realização das virtualidades espirituais pela invocação.
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A assimilação do órgão gerador da Virgem ao coração puro e à boca que invoca o Nome e recebe a Eucaristia.
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A Apresentação, mistério gozoso, significa que a alma, mesmo inebriada pela graça, permanece consciente de seus limites de criatura e submetida à lei exterior, purificando-se pelos ritos e oferecendo ao Pai o Germe divino no altar do coração, para que, ao fim da vida, receba o Senhor nos braços da inteligência e da vontade e contemple a luz incriada.
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A consciência dos limites da criatura e a submissão à lei exterior, apesar da embriaguez da graça.
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A contínua purificação pelos ritos.
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A oferta do Germe divino ao Pai no altar do coração.
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O recebimento do Senhor nos braços da inteligência e da vontade, como Simeão.
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O canto do Nunc dimittis e a contemplação da luz incriada.
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A Recuperação no Templo, mistério gozoso, ensina a busca de Deus nas aridezes, inicialmente entre as criaturas e conhecimentos mundanos, depois na Igreja, e finalmente no santuário interior, onde o Verbo, na profundidade da Escritura e dos sacramentos, confunde o saber profano com a sabedoria eterna.
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A busca de Deus nas experiências de aridez espiritual.
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A procura inicial entre os conhecimentos e experiências mundanas.
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O direcionamento para a Igreja, a “Cidade santa”.
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O encontro com o Verbo no santuário interior, no “celeiro secreto” da Escritura e dos sacramentos.
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A superação e rejeição do saber profano pela Sabedoria eterna.
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A Agonia, primeiro mistério doloroso, é o esquecimento da presença divina e a negligência do Verbo, marcadas pela torpor e inadvertência, constituindo o combate espiritual, a guerra santa que a alma trava contra si e contra o mundo, primeira fase da extinção do ego.
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A Agonia como esquecimento e negligência da presença divina.
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O sono dos discípulos como símbolo da torpor e inadvertência.
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O “combate” ou “guerra santa” da alma contra si e o mundo.
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A Agonia como primeira fase da extinção do ego.
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A Flagelação, segundo mistério doloroso, significa as ações incompatíveis com a presença divina, como a dissipação e a dispersão, e a alma, para poupar essas dores ao Verbo interior, deve tomá-las sobre si, participando assim, ontologicamente, dos sofrimentos de Cristo, para além de meros estados de alma emocionais.
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A Flagelação como símbolo da dissipação, dispersão e falta de concentração.
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A necessidade de a alma tomar sobre si essas dores para poupar o Verbo interior.
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A participação ontológica nos sofrimentos de Cristo, para além de fenômenos meramente emocionais ou psíquicos.
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A Coroação de Espinhos, terceiro mistério doloroso, é a tendência da alma a atribuir a si a glória que é devida a Deus e a vangloriar-se da graça, sendo a purificação da parte superior da alma (pensamentos), após a purificação da parte inferior (mundo e paixões) no mistério anterior.
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A Coroação de Espinhos como símbolo da vanglória e apropriação indevida da glória divina.
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A purificação da “parte superior” da alma, referente aos pensamentos.
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A distinção entre a purificação da parte inferior (mundo e paixões) na Flagelação e a da parte superior na Coroação de Espinhos.
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O Carregamento da Cruz, quarto mistério doloroso, é a representação do sofrimento imposto ao Verbo pela manifestação universal, ou seja, o peso da ignorância e do individualismo que o Verbo destrói por seu sacrifício e seu Nome salvador.
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O Carregamento da Cruz como sofrimento do Verbo causado pela manifestação.
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O peso da ignorância e do individualismo como causas desse sofrimento.
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A destruição desse peso pelo sacrifício redentor e pelo Nome salvador do Verbo.
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A Crucificação, quinto mistério doloroso, é a morte do “eu”, exigida para que a presença real não seja supliciada e a alma possa renascer.
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A Crucificação como a morte necessária do “eu”.
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A necessidade dessa morte para evitar o suplício da presença real.
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A Ressurreição, primeiro mistério glorioso, é a tomada de consciência de que só Deus é real, e a alma reencontra n'Ele tudo de que se desapegou nos mistérios dolorosos, segundo o princípio de que tudo o que se ama está infinitamente em Deus.
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A Ressurreição como consciência da realidade exclusiva de Deus.
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O reencontro em Deus de tudo o que foi abandonado nos mistérios dolorosos.
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A formulação “Tudo o que amo está infinitamente em Deus”.
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A Ascensão, segundo mistério glorioso, é a tomada de consciência, pela alma, de sua parentesco profundo com Deus e de sua participação no Cristo glorioso, que a liberta de todo o criado.
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A Ascensão como consciência do parentesco profundo da alma com Deus.
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A participação no Cristo glorioso como fonte de libertação do criado.
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O Pentecostes, terceiro mistério glorioso, é a penetração da graça nas pensamentos e ações do homem deificado, que recebe a plenitude da graça e a ciência de todas as coisas, capacitando-o a realizar o conteúdo dos dois mistérios seguintes.
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O Pentecostes como a efusão da graça sobre o homem deificado.
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A plenitude da graça e o dom da ciência de todas as coisas.
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A capacitação para realizar os mistérios subsequentes.
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A Assunção, quarto mistério glorioso, é o “extinguir-se” da alma em Deus, a “extinção da extinção”.
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A Assunção como a extinção da alma em Deus.
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A formulação “extinção da extinção”.
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A Coroação da Virgem, quinto mistério glorioso, é o “despertar em Deus” da alma, que recebe uma coroa incriada, reintegrando, após a morte psíquica e espiritual, a realidade ou aspecto divino do qual estava separada pelo sonho da manifestação, identificando-se com o Nome divino de sua predestinação eterna e tornando-se, enfim, o que é: “Aquele que É”.
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A Coroação como o despertar da alma em Deus.
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O recebimento de uma “coroa incriada”.
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A reintegração na realidade divina após a morte psíquica e espiritual.
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A separação pelo “sonho da manifestação” e o retorno à Identidade essencial.
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A identificação com o Nome divino da predestinação eterna.
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A fórmula final: a alma “torna-se o que é”, e Isso é “O que É”.
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