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ÉTICA BUDISTA
Buddha and the Gospel of Buddhism
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O objetivo tanto de Gautama quanto de Jesus não era estabelecer a ordem no mundo, sendo a moralidade budista orientada não para o endireitamento da injustiça social, mas para o afastamento do mundo e a busca do estado luminoso da vida monástica, com a mensagem de Gautama dirigida àqueles cuja potencialidade de discernimento final estava prestes a amadurecer.
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O Dhammapada afirma que o homem sábio deve abandonar o estado obscuro da vida no mundo e perseguir o estado luminoso da vida monástica.
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O Dhamma budista não é comparável aos Dharma atribuídos aos homens de diferentes estados sociais na ordem brahmânica, devendo ser examinado em relação ao Sangha, a Ordem, e comparado a outros sistemas monásticos.
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Para os que seguissem outro método e para a vasta massa dos leigos, tratava-se apenas de renascer em condições favoráveis ou desfavoráveis conforme o valor moral de seus atos.
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O ideal budista original vai além das concepções do bem e do mal, pois mesmo as boas ações determinam o renascimento ao trazerem sua recompensa, sendo o bem apenas a jangada que permite atravessar o mar perigoso e que deve ser abandonada após tocar a terra da última margem, sem que isso diminua o valor relativo da jangada.
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Gautama instrui os Irmãos a desfazerem-se das boas condições, para não falar das más.
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O Budismo, por ser uma religião da eternidade, o nivritti marga brahmânico, poderia ser chamado de antissocial apenas se fosse remotamente possível ou suposto que devesse ser adotado em sua integralidade por todos, sendo legítima a crítica de puritanismo apenas se seus seguidores impuserem regime ascético a todos indistintamente, tiverem uma ideia meramente hedonista da arte ou se opuserem completamente ao culto e ao ritual.
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A doutrina brahmânica do débito social e da retirada do mundo somente em idade avançada tem muito a seu favor.
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A renúncia ao mundo em qualquer momento por quem experimenta a vocação ao ascetismo é inteiramente justificável se a vocação é real.
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É uma vantagem social e moral para a comunidade que um certo número de suas mentes mais agudas permaneça desapegado das atividades sociais, e o exemplo do ascetismo constitui um útil corretivo do luxo.
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A causa da hostilidade de muitos aos ideais monásticos budistas reside no suposto egoísmo de seu objetivo ou na importância dada ao conhecimento em vez do amor, mas o altruísmo humano é em grande parte ilusório, a piedade não existiria se todos fossem felizes, e era dever preciso dos Irmãos pregar o Dhamma, sendo que segundo o Édito de Asoka não existe caridade maior do que a caridade do Dhamma.
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Cromwell, em sua primeira carta existente, expressa pensamento paralelo ao dito de Asoka, afirmando que quem provê o alimento espiritual e constrói os templos espirituais é verdadeiramente caridoso e piedoso.
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O Budismo mais antigo provavelmente não possuía outro código moral além da disciplina mental e moral prescrita a quem havia renunciado ao mundo, sendo os dez mandamentos impostos aos Irmãos todos de caráter negativo: evitar a destruição da vida, o furto, a incontinência sexual, a mentira, o uso de bebidas alcoólicas, comer entre as refeições, participar de divertimentos profanos, usar unguentos e joias, usar camas elevadas ou luxuosas e manusear dinheiro.
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Quem se dedicava ao ensino dos Irmãos mas permanecia leigo devia obedecer apenas às primeiras cinco regras, sendo o terceiro mandamento entendido no caso dos leigos simplesmente como abstenção do adultério.
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Praticamente todas essas regras foram extraídas de fontes brahmânicas.
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Quando pareceres sobre esses assuntos eram solicitados a Gautama ou aos Irmãos, a decisão tomada se acordava com a opinião pública corrente, sendo o casamento e a vida familiar não diretamente criticados, mas apenas assinalados como não condutores ao desligamento do renascimento e do sofrimento.
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Os deveres mútuos de filhos e pais, marido e mulher, senhor e servo são detalhadamente expostos no Sigalavada Sutta em seis eixos: os pais devem afastar os filhos do vício, incentivá-los à virtude, fazê-los aprender artes e ciências, provê-los de cônjuges adequados e dar-lhes sua herança; os filhos devem manter quem os manteve, cumprir os deveres familiares, ocupar-se do patrimônio dos pais e honrar sua memória; os alunos devem respeitar e obedecer os mestres, que por sua vez devem instruí-los e protegê-los; o marido deve tratar a esposa com respeito, gentileza e fidelidade, e ela deve zelar pela casa com castidade e diligência; as amizades devem ser cultivadas com generosidade, linguagem cortês e lealdade mútua; o senhor deve cuidar de seus dependentes com justiça, e eles devem servi-lo com dedicação; e o leigo deve respeitar os Bhikkhu e os Brahmins, que por sua vez devem instruí-lo na religião e indicar-lhe a via do céu.
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Irmãos e Irmãs estavam constantemente engajados no que hoje se chamaria educação moral e, em grande parte, no ensino em geral, sendo difícil negar que o monaquismo budista foi um verdadeiro benefício para cada país onde se introduziu, conforme atestam o relatório do Agente governamental de Anuradhapura de 1870, que descreve a conduta irrepreensível de vinte mil peregrinos sem nenhuma presença policial, e o testemunho de Knox sobre a civilidade, inteligência e seriedade do povo de Cande Uda no século XVII.
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O Visconde Torio, profundamente versado no pensamento budista e de alto posto no exército japonês, publicou no Daily Mail japonês em 1890 uma crítica da industrialização ocidental, afirmando que o Ocidente se baseia no livre desenvolvimento do egoísmo humano, enquanto o governo oriental se baseia na benevolência e visa ao bem-estar do povo, sendo a civilização ocidental votada à desilusão e à desmoralização por fundar-se nos desejos individuais como leis naturais.
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A ordem ou desordem de uma nação depende da disposição do povo: se predomina o interesse público, a ordem é assegurada; se predomina o interesse privado, a desordem é inevitável.
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O sistema ocidental de liberdade e igualdade destrói as relações estabelecidas na sociedade e gera disputas sem fim, pois cada pessoa busca mais direitos e menos deveres.
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A adoção dos princípios ocidentais no Japão corromperia os bons e pacíficos costumes do país e seria fonte de desgraça para as massas.
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