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ÁGUIA
EVOLA, Julius. Symboles et “mythes” de la Tradition Occidentale. Milano: Archè, 1980.
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O simbolismo da águia, presente em diversas civilizações de tipo tradicional, apresenta um caráter altamente tradicional e invariável, manifestando-se de forma constante apesar das diferentes formulações que recebeu ao longo das diferentes raças, sendo que na tradição ariana esse simbolismo sempre possuiu um caráter olímpico e heroico, o que se pretende demonstrar por meio de referências e aproximações.
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A presença constante do simbolismo da águia em mitos e símbolos de todas as civilizações tradicionais atesta sua natureza altamente tradicional.
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A despeito das diferentes formulações que recebeu conforme as raças, o simbolismo da águia mantém-se invariável e constante.
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O caráter olímpico e heroico é a especificidade desse simbolismo na tradição ariana.
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O caráter olímpico do simbolismo da águia está diretamente ligado à sua consagração a Zeus, a divindade da luz e da realeza nas tradições arianas, cujo atributo da foudre frequentemente complementa esse simbolismo, e é nesse contexto que se define a antítese entre o elemento olímpico e o elemento titânico, telúrico e prometeico, com a águia e a foudre representando, para os arianos, as forças olímpicas em sua luta metafísica contra as forças titânicas.
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Zeus, como deus olímpico por excelência nas tradições ariano-helênicas e ariano-romanas, é a figuração da divindade da luz e da realeza, sendo o animal que lhe é consagrado a águia.
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A foudre, atributo de Zeus, associa-se ao simbolismo da águia, complementando-o.
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O elemento olímpio define-se por sua antítese com o elemento titânico, telúrico e prometeico, sendo que Zeus abate os titãs com a foudre no mito.
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Os arianos viam suas lutas como reflexo da luta metafísica entre as forças olímpicas e titânicas, considerando-se a milícia das primeiras, e utilizavam a águia e a foudre como símbolos com significado profundo.
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Na visão ariana, a imortalidade é um privilégio que significa participação heroica e real no estado de consciência da divindade olímpica, e essa concepção encontra correspondência na tradição egípcia, onde o Ba, a parte do ser humano destinada à existência eterna celeste, é representado como uma águia ou um falcão, sendo que no Livro dos Mortos a alma transfigurada do morto, como falcão, toma posse do domínio de Osiris, correspondendo ao elemento olímpico, já que Osiris é a figura divina do estado primordial “solar” do espírito, que após sofrer alteração é ressuscitado por Horus, obtendo-se a imortalidade que a ele retorna.
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A imortalidade, na visão ariana, é um privilégio que consiste na participação heroica e real no estado de consciência da divindade olímpica.
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Na tradição egípcia, o Ba, representado como águia ou falcão, é a parte do ser humano destinada à existência eterna celeste em estado de glória.
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O falcão, nas condições ambientes egípcias, é o sucedâneo da águia para exprimir a mesma ideia.
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No Livro dos Mortos, a alma transfigurada do morto, como falcão, proclama sua glória e toma posse do domínio de Osiris.
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Osiris, figura divina que corresponde ao estado primordial “solar” do espírito, é morto e dilacerado, sendo depois ressuscitado por Horus.
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A participação na força ressuscitante de Horus confere ao morto a imortalidade que o reconduz a Osiris, provocando sua “renascença” ou “recomposição”.
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As múltiplas correspondências entre tradições e símbolos se manifestam em diversos mitos, como no rapto de Ganímedes por águias para o Olimpo, na tentativa do rei persa Kei-Kaus de subir ao céu graças a uma águia, no porte da bebida mística que torna Indra senhor dos deuses por uma águia na tradição indo-ariana, e na crença clássica de que a águia era o único animal capaz de fitar o sol sem baixar os olhos.
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No mito helênico, seres como Ganímedes são levados ao Olimpo por águias.
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Na tradição persa, o rei Kei-Kaus tenta subir ao céu com a ajuda de uma águia.
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Na tradição indo-ariana, é uma águia que leva a Indra a bebida mística que o consagra como senhor dos deuses.
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A tradição clássica atribuía à águia a capacidade única de fitar o sol sem baixar os olhos.
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O simbolismo da águia esclarece o papel desse animal em algumas versões da lenda prometeica, nas quais Prometeu, de natureza titânica, tenta usurpar o fogo olímpico para os homens e, como expiação, tem o fígado devorado por uma águia, que, associada à foudre que abate os titãs, representa o próprio fogo que ele quis apropriar-se, transformando essa força em princípio de tormento, o que ajuda a compreender a tragédia interior de representantes modernos da doutrina do “super-homem” titânico, de Nietzsche a Dostoievski.
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Em certas versões do mito, Prometeu, de natureza titânica, não é qualificado para possuir o fogo olímpico, mas tenta usurpá-lo para os homens.
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A águia, animal sagrado de Zeus e associada à foudre, figura no mito como o próprio fogo que Prometeu tentou apropriar-se.
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O castigo de Prometeu, com o fígado perpetuamente devorado pela águia, constitui um castigo imanente, onde a força desejada se torna o princípio do tormento.
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A incapacidade de Prometeu de fitar a luz absoluta “olimpianamente”, ao contrário da águia, ilustra sua natureza titânica.
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Essa dinâmica mítica ilumina a tragédia interior de figuras modernas como Nietzsche e Dostoievski, especialmente os heróis deste último, como representantes de um “super-homem” de natureza titânica.
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No mundo do mito ariano, a tradição hindu oferece uma variante do mito de Prometeu com Agni, que sob a forma de águia ou falcão arranca um ramo da árvore cósmica, repetindo o gesto de Adão, e, ferido, de suas penas caídas na terra nasce a planta do soma terrestre, substância que deifica e permite a participação no estado olímpico, repetindo a estrutura do mito egípcio de uma tentativa prometeica falhada, depois “retificada”, que se torna princípio de uma justa realização.
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Agni, personificação do fogo na tradição hindu, sob a forma de uma águia ou falcão, arranca um ramo da árvore cósmica.
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Esse ato repete o gesto de Adão no mito semita, que busca “tornar-se semelhante aos deuses”.
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Agni é ferido, e das penas que caem na terra nasce a planta da qual se extrai o soma terrestre.
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O soma, análogo à ambrosia, é a substância que deifica e permite a participação no estado olímpico.
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A estrutura do mito ariano repete a do mito egípcio, com uma tentativa prometeica malograda que, após “retificação”, torna-se o princípio de uma realização adequada.
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Na tradição irano-ariana, a águia frequentemente encarna a “glória” (hvarenô), uma força mística e um poder superior que descia sobre soberanos e chefes, fazendo-os participar da natureza imortal e atestando-os pela vitória, e essa glória personificada pela águia não tolerava violações da ética viril da tradição mazdéen, como ilustra o afastamento da águia do rei Yima quando ele se tornou impuro por uma mentira.
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A águia, na tradição irano-ariana, é uma encarnação frequente do hvarenô, a “glória”.
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O hvarenô era uma força mística e um poder de origem superior que descia sobre os soberanos e chefes, conferindo-lhes participação na natureza imortal e assegurando-lhes a vitória.
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A ética viril própria da tradição mazdéen era uma condição para a manutenção dessa glória personificada pela águia.
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O mito relata que a águia (a glória) se afastou do rei Yima quando ele se tornou impuro ao proferir uma mentira.
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A partir dessas correspondências, o papel da águia na Roma antiga é iluminado, especialmente no rito da apoteose imperial, onde o voo de uma águia sobre a pira funerária simbolizava a passagem da alma do imperador morto ao estado de “deus”, conforme o modelo do rito de Augusto, e também na decursio, uma corrida de soldados e chefes ao redor da pira onde jogavam suas recompensas, significando a restituição ao imperador, como portador do elemento olímpico, da verdadeira força da vitória.
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O rito da apoteose imperial romana, codificado a partir da morte de Augusto, relaciona a romanidade ao ideal olímpico através do simbolismo da águia.
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No rito, o corpo do imperador era colocado em uma pira no Campo de Marte e, após o fogo ser aceso, uma águia era libertada das chamas, simbolizando a ascensão da alma do morto às regiões celestes e sua acolhida entre os olímpianos.
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A decursio, uma corrida de soldados, cavaleiros e chefes ao redor da pira, envolvia o ato de jogar as recompensas recebidas por feitos heroicos.
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O significado profundo da decursio residia na crença de que a força da vitória não residia nos indivíduos, mas no elemento sobrenatural e olímpico que portavam, e que era restituído ao imperador, seu verdadeiro agente, no momento de sua transcendência.
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O segundo testemunho do espírito olímpico da romanidade marcado pelo simbolismo da águia é a crença de que a águia era um presságio de vitória, implicando a concepção olímpica da luta onde a vitória da raça romana reflete a vitória da divindade da luz sobre as forças antiolímpicas, o que também explica o papel da águia nas insígnias romanas desde as origens, sendo a insígnia das legiões já na época republicana, geralmente representada com asas desdobradas e segurando um foudre nas garras, confirmando o simbolismo olímpico da união da força de Júpiter com seu animal consagrado.
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A tradição romana considerava a águia um presságio de vitória, ligado à concepção olímpica da luta.
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A vitória dos romanos era entendida como um reflexo da vitória de Zeus (Júpiter) sobre as forças antiolímpicas e bárbaras, sendo predita pela aparição da águia, seu animal.
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Esse entendimento esclarece o papel da águia nas insígnias romanas (signa e vexilla) desde as origens, como um símbolo de origem tradicional e sagrada.
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Na época republicana, a águia era a insígnia das legiões, com a máxima “uma águia por legião e nenhuma legião sem águia”.
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A representação comum da águia legionária era com asas desdobradas e segurando um foudre nas garras, unindo assim o símbolo do animal consagrado a Júpiter ao signo de sua força, com a qual o deus combate e extermina os titãs.
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Diferentemente das legiões, as insígnias das tropas bárbaras não possuíam a águia, utilizando outros animais sacros ou “totêmicos” como o touro ou o carneiro, que posteriormente se infiltraram na romanidade, associando-se à águia nas insígnias legionárias para representar características particulares, enquanto a águia permanecia o símbolo geral de Roma e, na época imperial, tornou-se frequentemente o símbolo do próprio Imperium.
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As insígnias das tropas bárbaras (signa auxiliarium) utilizavam animais como o touro ou o carneiro, referentes a outras influências.
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Posteriormente, esses símbolos de origem bárbara infiltraram-se na romanidade, associando-se à águia nas insígnias de algumas legiões.
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Nesses casos de duplo simbolismo, o animal adicionado representava as características particulares da legião, enquanto a águia mantinha-se como o símbolo geral de Roma.
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Na época imperial, a águia, de insígnia militar, passou frequentemente a simbolizar o próprio Imperium.
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Embora o símbolo da águia tenha se deslocado para os povos germânicos ao ponto de parecer um símbolo essencialmente nórdico, trata-se do mesmo símbolo romano, pois foi Carlos Magno quem o retomou em 800 como fundamento de seu Império ao declarar a renovatio romani imperii, mas essa adoção também pode ser vista, de um ponto de vista supra-histórico, como a recuperação de um símbolo da antiga tradição ariano-nórdica, já que a águia figurava na mitologia nórdica como animal consagrado a Odin-Wothan e nos cimérios de chefes germânicos.
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A águia, embora tenha se tornado um símbolo marcante dos povos germânicos, é de origem romana, tendo sido adotada por Carlos Magno em 800 como símbolo de seu Império.
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Carlos Magno, ao proclamar a renovatio romani imperii, retomou conscientemente o símbolo romano da águia.
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Num plano supra-histórico, a adoção da águia por Carlos Magno pode ser interpretada também como a recuperação inconsciente de um símbolo da antiga tradição ariano-nórdica, já presente na mitologia de Odin-Wothan e na simbólica germânica antiga.
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A águia, portanto, figurava tanto na tradição romana quanto em fragmentos da tradição ariano-nórdica conservados pelos povos germânicos.
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Posteriormente, a águia perdeu sua significação profunda e original, adquirindo valor meramente heráldico e tornando-se um símbolo que se sobrevivia, suscetível de servir a ideias muito diferentes, de modo que não se pode supor a presença das concepções tradicionais onde quer que ela apareça em emblemas europeus, mas para os herdeiros da romanidade antiga e do Sacro Império Romano Germânico, o conhecimento do significado original do simbolismo ariano da águia poderia marcar o sentido mais elevado da luta comum e religar-se à tarefa de ser a milícia das forças superiores, afirmando uma função superior de potência e ordem.
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Com o tempo, o significado profundo e original da águia foi esquecido, restando apenas seu valor heráldico.
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Tornou-se um símbolo que se sobrevivia, podendo ser utilizado como suporte para ideias muito diversas, não implicando a presença das antigas concepções tradicionais.
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Para os herdeiros da romanidade antiga e do Sacro Império Romano Germânico, o conhecimento do simbolismo original da águia pode, contudo, conferir um sentido mais elevado à sua luta.
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Esse conhecimento poderia religar esses povos à antiga função ariana de milícia das forças superiores (olímpicas) na luta contra as entidades titânicas, afirmando um direito e uma função superior de potência e ordem.
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