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ANTI-PANTEÍSMO, ANTI-MISTICISMO, ANTI-VÍNCULAÇÕES
DETERMINAÇÃO DAS VOCAÇÕES – DOUTRINA DO DESPERTAR
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Segundo ponto: A estrada para qualquer promiscuidade panteísta, qualquer misticismo naturalista, qualquer confusão com o universo, qualquer variedade de imanência, deve ser resolutamente barrada.
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O objetivo deste teste adicional do espírito nobre é defini-lo definitivamente a uma distância do mundo espiritual confuso que é característico de muitas mentes ocidentais, decaídas de tudo o que é clássico, claro, dórico, viril.
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É um facto singular que, no mundo moderno, esta desintegração panteísta, este retorno do homem a um estado de espírito confuso pela realidade total ou pela “Vida”, seja habitualmente considerado como uma característica da mentalidade oriental, particularmente da hindu.
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O facto da existência e difusão no Oriente da Doutrina do Despertar budista é suficiente para refutar esta opinião.
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Mesmo que na Índia pré-budista — e particularmente com a especulação posterior sobre o Brahma — este falso desenvolvimento tenha sido até certo ponto prevalecente (e ocorre novamente, mais tarde, em algumas formas populares do Hinduísmo) — ainda assim é para ser considerado como uma anomalia, contra a qual o Budismo juntamente com o Samkhya proporcionou uma reação salutar.
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Fenómenos semelhantes ocorrem, além do mais, no mundo mediterrâneo antigo com o declínio das tradições olímpicas e heroicas anteriores.
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Este é um fenómeno geral, e a conversa sobre “panteísmo oriental” deve ser deixada ou aos não instruídos ou a pessoas de má fé.
Portanto: antipanteísmo.-
“Tomar a natureza como natureza, pensar a natureza, pensar na natureza, pensar 'a natureza é minha”' é exultar nela; tomar a unidade ou a multiplicidade, esta ou aquela força cósmica ou elemental, e finalmente tomar tudo como tudo, pensar tudo, pensar em tudo, pensar“tudo é meu” é exultar nisso — esta identificação panteísta é, para o Budismo, ainda outro sinal de “ignorância”, uma marca daquele que “nada conheceu”, daquele que é “um homem comum, sem compreensão para a doutrina do Ariya, inacessível pela doutrina do Ariya”.
Com base nisto, podemos dizer mais geralmente que a Doutrina do Despertar budista exige uma vocação antimística.-
É verdade que o termo mystikos — de µυηîν, “fechar”, “trancar” (em particular, os lábios) — referia-se originalmente aos Mistérios e aludia ao que é secreto, escondido, não para ser falado.
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O sentido corrente do termo é, no entanto, bastante diferente: hoje misticismo é usado para a tendência para identificações confusas, com ênfase no momento do sentimento e sem nenhuma no elemento de “conhecimento” e “clareza”; a “experiência” é certamente acentuada (geralmente face ao dogma e à tradição), mas aqui é prevalentemente uma experiência na qual o núcleo sidéreo e absoluto no ser é dissolvido, submergido ou “transportado”.
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Por esta razão, a inefabilidade mística, longe de estar conectada com um conhecimento realmente transcendental, é daqueles que — para usar a expressão apropriada de Schelling — na sua identificação confusa com um estado ou outro, não só não explicam a experiência, mas tornam-se eles próprios sujeitos necessitados de explicação.
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Assim, o elemento místico, em vez de ser suprarracional, é frequentemente sub-racional.
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Estamos no campo de aventuras espirituais que ocorrem nas fronteiras quer das religiões devocionais quer de evasões panteístas, cuja maneira é o oposto da de uma ascese estrita e do caminho do despertar do Ariya.
Terceiro ponto: No mundo moderno, aqueles que combatem as doutrinas da imanência e que se concebem “defensores do Ocidente” contra o “panteísmo oriental”, normalmente tomam a “transcendência” como o seu ponto de referência e como a sua palavra de ordem.-
A sua transcendência é, no entanto, muito relativa, uma vez que procede do conceito teológico-teísta predominante.
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Mesmo neste o Budismo encontra uma pedra de toque para as vocações.
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Já vimos que o Príncipe Siddhattha foi induzido a divulgar o seu conhecimento depois de reconhecer que, lado a lado com seres comuns, existem mais nobres e “muitos que consideram que o entusiasmo por outros mundos é mau”.
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A Doutrina do Despertar é apresentada como uma doutrina que ensina os homens a tornarem-se livres não apenas do “eu” material, mas também do “eu” imaterial e espiritual.
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Qualquer forma de conduta moral e qualquer prática ou rito cujo motivo é a esperança numa continuação póstuma da personalidade é considerado como outra das amarras inferiores.
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Assim, para além de uma ralé de penitentes desencorajados, inquietos, obtusos e não viris, os textos falam de ascetas e sacerdotes que “por medo da existência, por ódio à existência, andam à volta da existência, quase como um cão, amarrado com uma trela a uma coluna sólida ou preso a um poste, anda à volta desta coluna ou poste”.
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As palavras tornam-se mais fortes quando tratam daqueles ascetas ou sacerdotes que “professam apego ao além” e que pensam: “Assim seremos depois da morte, assim não seremos depois da morte”, tal como um mercador, indo ao mercado, pensa: “Disto conseguirei aquilo, com isto ganharei aquilo”.
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Plotino, falando contra o conceito moralista, disse: “Não ser um bom homem, mas tornar-se um deus — este é o objetivo”, mas a Doutrina do Despertar vai ainda mais longe.
Para além do vínculo humano está o vínculo divino, o apego a este ou aquele estado, a um estado que já não é humano, corpóreo ou terrestre, mas que ainda é existência condicionada.-
Estes estados na tradição hindu são personificados nos vários deuses e nos seus assentos; são equivalentes às hierarquias seráficas e angélicas da teologia judaico-cristã, portanto, ao que, num conceito mais popular, é chamado “paraíso”.
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A Doutrina do Despertar visa superar estes estados: ela testa as vocações perguntando em que ponto se pode apreender que estes mesmos estados são inadequados perante uma vontade para o incondicionado, e que tê-los como o ponto de referência extremo e como a justificação suprema da existência é ainda um vínculo, uma insuficiência, uma sede, uma mania.
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Assim, no cânone, aparecem estas palavras: “Devíeis sentir vergonha e indignação se ascetas de outras escolas vos perguntarem se é para surgir num mundo divino que a vida ascética é praticada sob o asceta Gotama”.
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