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evola:estupidez
INLUÊNCIAS INFRA-RACIONAIS E "ESTUPIDEZ INTELIGENTE"
EVOLA, Julius. L’Arc et la massue. Tr. Philippe Baillet. Paris: Pardès ; Éditions de la Maisnie, 1984.
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Um estudioso da tradição identificou como “estupidez inteligente” uma forma de intelectualidade predominante na cultura moderna, que se manifesta em setores como o jornalismo e a crítica literária em jornais, sendo esta uma expressão similar a outras utilizadas por pensadores franceses para descrever o fenômeno da tolice pensante ou do drama da época.
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A expressão foi cunhada por F. Schuon, embora G. Bernanos e outro francês tenham empregado formulações análogas.
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Esse tipo de intelectualidade encontra terreno fértil no jornalismo e no ensaísmo, particularmente nas páginas culturais dos principais jornais, onde a crítica é praticada.
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A característica principal dessa intelectualidade é a ausência de princípios e compromissos superiores, priorizando o brilhantismo, a originalidade e a forma em detrimento da verdade e da substância, assemelhando-se a uma vaidade mundana que, em sua forma organizada, como na Itália contemporânea, ostraciza aqueles com uma natureza diferente, conforme exemplificado por um grupo ligado a uma revista que, apesar de se dizer não conformista, ignora autores de orientação tradicional e demonstra oportunismo político.
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O foco reside em frases brilhantes e posições dialéticas impressionantes, não na verdade, usando ideias apenas como pretexto para se destacar.
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Esse fenômeno é comparável a um “vaudeville”, onde o pior tipo de estupidez é a de pessoas inteligentes, cuja superficialidade se revela prejudicial por sua natureza organizada.
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Na Itália, essa “estupidez inteligente” funciona como uma maçonaria que controla posições-chave e repele qualquer um de índole diferente.
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Como exemplo, um grupo de uma revista de não conformismo ignora autores que poderiam oferecer uma base positiva e tradicional, preferindo manter uma oposição amadora e ostentatória, com um fundador que teria declarado que mudaria de lado político para continuar na oposição.
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O grupo também acolhe indivíduos que, após demonstrarem consciência de valores superiores, acabam por se alinhar a essa estupidez inteligente, comercializando suas habilidades de escrita.
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O oposto complementar da “estupidez inteligente” é a falta de caráter de seus representantes, evidenciada pelo oportunismo e pela adaptabilidade camaleônica em suas trajetórias políticas, como a transição de posições fascistas para antifascistas por mero interesse.
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Essa falta de caráter se manifesta na mudança de convicções políticas conforme a conveniência do momento.
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A esses indivíduos, que no passado foram fascistas e hoje se declaram antifascistas, faltaria a decência de se silenciar sobre tais assuntos.
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A crítica é um dos principais domínios onde a “estupidez inteligente” prospera, devendo ser vista como um flagelo da cultura moderna, surgido na sociedade burguesa paralelamente à imprensa e à comercialização cultural, ao contrário das sociedades tradicionais que não possuíam essa figura intermediária entre o criador e o público.
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Nas sociedades tradicionais, a apreciação da arte era direta, feita por soberanos, patronos ou pelo povo, sem a intermediação de críticos.
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O crítico moderno é caracterizado como um parasita que se intromete entre o público e os criadores.
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A eliminação de todo juízo sobre obras artísticas não é defendida, mas sustenta-se que qualquer julgamento legítimo deveria emanar de uma autoridade baseada em princípios superiores e na tradição, formulando-se a partir de um patamar mais elevado que o da arte, ao contrário das teorias que isolam o valor estético ou restringem o juízo à forma de expressão.
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O julgamento desejável seria um juízo de valor sobre o significado da obra no contexto de uma civilização, não apenas no nível estético.
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Os detentores dessa autoridade tradicional são praticamente inexistentes na atualidade ou não têm voz.
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Distante dessa perspectiva superior, a crítica contemporânea está condenada ao subjetivismo e à arbitrariedade, manipulando valores para criar ou ocultar reputações, enquanto o público se mostra passivo e impressionável, submetendo-se às modas e aos modismos culturais por medo de parecer ridículo, confirmando o comportamento típico dos seguidores de tendências.
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Os críticos, com sua “estupidez inteligente”, inventam ou ocultam valores, controlando o cenário cultural.
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O público, influenciado pela propaganda, torna-se vítima de campanhas que criam novas celebridades e modas, temendo expressar suas próprias opiniões para não ser considerado ignorante.
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As divergências polêmicas entre críticos são superficiais e apenas servem para aumentar o interesse do público.
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A mesma lógica de submissão passiva à autoridade dos críticos se aplica a muitos autores consagrados, cuja insignificância se tornaria evidente caso o público possuísse pontos de referência superiores e um espírito livre, sendo que essa aceitação acrítica de modas intelectuais se assemelha ao comportamento feminino diante das tendências da moda, confirmando o predomínio de uma mentalidade influenciável nos estratos cultos da sociedade.
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Autores badalados, incluindo ganhadores do Nobel, teriam sua falta de valor revelada se o público não concedesse autoridade aos críticos.
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A passividade diante das modas artísticas é análoga à adesão irrefletida às modas no vestuário, um traço considerado feminino.
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Esse fenômeno reafirma a existência de uma mentalidade dominante em amplas camadas do público culto, um sinal dos tempos que se manifesta também na vida cotidiana e na política.
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