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LOCALIZAÇÃO DO GRAAL
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A jornada rumo à Ilha ou ao Castelo do Graal define-se como um deslocamento da consciência sub specie interioritatis, operando uma ruptura com a percepção humana ordinária para acessar um domínio metafísico análogo às tradições de Avalon e da Ilha Branca.
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Píndaro afirma que a terra dos Hiperbóreos é inacessível por meios físicos, sendo reservada a heróis como Héracles.
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As tradições extremo-orientais e tibetanas situam a ilha setentrional e Sambhala como estados alcançáveis apenas pelo voo do espírito ou dentro do próprio espírito.
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O castelo do Graal é designado como palais spirituel na Queste e castelo das almas em Perceval li Gallois, reforçando sua natureza extrafísica.
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Experiências de morte aparente ou sono profundo, como as de Mordrain, Lancelote e a visão de Kronos em Plutarco, marcam o limiar dessa travessia espiritual.
O Graal e seu castelo manifestam-se sob a condição de invisibilidade para os não iniciados, exigindo uma transmutação da visão que a água batismal simboliza não como rito religioso, mas como a Água Filosofal do Hermetismo.-
Wolfram descreve a água como o elemento que resplandece as almas e confere aos olhos a capacidade de ver o invisível.
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O desaparecimento súbito do castelo após a visita do herói indica a transitoriedade do acesso a esse plano superior.
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O isolamento do local é reforçado por barreiras simbólicas como mares, rios tumultuosos, lagos e a guarda de animais como os leões.
Munsalvaesche é descrita como uma fortaleza inexpugnável situada em uma região deserta e mortal, cujo acesso é vedado à busca intencional e concedido apenas através de um caminhar inconsciente ou guiado por forças invisíveis.-
Parsifal percorre distâncias equivalentes ao voo de um pássaro para atingir o castelo sólido e poderoso cercado pela Terra de Salvatsche.
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O acesso ao local exige enfrentar o combate perigoso ou a experiência que o mundo denomina como morte.
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Os Templeisen, ou cavaleiros do Graal, defendem o território contra invasores, admitindo apenas os eleitos cujos nomes surgem inscritos no próprio vaso.
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Titurel apresenta a montanha como um lugar guardado por anjos, onde o Graal paira sustentado por seres incorpóreos.
A evolução terminológica de mons silvaticus para mons salvationis reflete a ideia de uma inviolabilidade absoluta contra a profanação, onde a superação da prova do sono marca a passagem para além da individualidade física.-
A invisibilidade do castelo assegura que o centro espiritual permaneça subtraído ao domínio da forma e dos sentidos materiais.
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O Espírito Santo que desce sobre o castelo atua como o princípio que exige a superação da consciência de vigília ordinária.
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Os riscos inerentes a essa transição iniciática incluem a doença, a loucura ou a morte para aqueles que falham na crise da jornada.
O simbolismo de caminhar sobre o fio de uma espada, presente na trajetória de Lancelote, representa o rigor e o perigo extremo da via iniciática, encontrando paralelos nas tradições irânicas e nas Upanixades.-
Lancelote atinge o castelo atravessando uma ponte constituída pela lâmina de uma espada.
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A Katha Upanixad compara o caminho da sabedoria à agudeza de uma navalha, enfatizando a precisão necessária para a transcendência.
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Esse símbolo aplica-se tanto ao estado pós-morte quanto ao percurso do buscador vivo rumo à iluminação.
A morada do Graal caracteriza-se fundamentalmente como um palácio real fortificado e um centro iniciático de natureza guerreira, distinguindo-se das estruturas religiosas ou templos do cristianismo convencional.-
A ausência de altares ou capelas nas versões mais antigas da lenda sublinha o caráter extrínseco das posteriores adaptações eucarísticas.
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A guarda armada dos Templários visa à defesa de um centro que preserva a herança da Tradição Primordial.
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O centro do Graal manifesta a unidade indivisível das funções real e espiritual, mantendo-se independente e ignorado pela Igreja institucional.
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