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HIPERBÓREA

Revolta contra o Mundo Moderno

  • O simbolismo do “polo” liga-se a representações histórico-geográficas precisas: tanto a ilha e a terra firme opostas à contingência das águas quanto a montanha com seus significados olímpicos se associaram nas tradições antigas ao centro supremo do Mundo e ao arquétipo de toda “dominação” em sentido superior.
    • Há dados tradicionais que mencionam o norte como localização de uma ilha, terra ou montanha cujo significado se confunde com o do lugar da primeira idade, num conhecimento que tem simultaneamente sentido espiritual e sentido real.
    • Segundo a tradição, numa época da alta pré-história correspondente à idade do ouro, a simbólica terra “polar” teria sido uma região real situada setentrionalmente na zona do atual polo ártico, habitada por seres na posse de uma espiritualidade não-humana que constituíram a raça possuidora da tradição urânica no estado puro e único.
  • A recordação desse local ártico é patrimônio das tradições de numerosos povos, sob forma de alusões geográficas reais ou de símbolos de sua função originária frequentemente transpostos para um plano supra-histórico ou aplicados a centros considerados reproduções do centro originário.
    • Importa salientar a interferência do tema ártico com o tema atlântico, pois o centro principal que se sucedeu ao polo tradicional originário teria sido atlântico.
    • A inclinação do eixo terrestre, que desloca os climas conforme as épocas, teria se realizado num dado momento na sintonia entre um fato físico e um fato metafísico, como desordem da natureza refletindo um fato de ordem espiritual; Li-tse alude a isso com o gigante Kung-Kung que quebra a “coluna do céu”.
  • Os textos arianos da Índia, como os Veda e o Mahabharata, conservam a recordação da região ártica sob forma de alusões astronômicas e calendáricas compreensíveis apenas com referência a essa região.
    • Na tradição hindu o termo dvipa, “continente insular”, emprega-se para designar diferentes ciclos; o sveta-dvipa, “ilha do esplendor”, está localizado na extremidade setentrional, e o jambu-dvipa, “continente insular polar”, é o primeiro dos diferentes dvipa e o centro comum a todos.
    • Segundo o Kurma-purana, a residência do Vishnu solar, cuja insígnia era a cruz polar ou suástica, coincide com o sveta-dvipa, onde habitam grandes ascetas e “filhos de Brahman” junto de Hari representado como “o Louro” ou “Áureo”.
    • No plano doutrinal, a via do deva-yana que conduz à imortalidade solar e aos estados supra-individuais do ser foi chamada Via do Norte: em sânscrito, uttara significa “norte” e igualmente “região suprema”, e uttarayana é o percurso ascendente do Sol entre os solstícios de Inverno e de Verão.
  • Entre os arianos do Irã conservaram-se reminiscências ainda mais precisas: a terra originária Ayrianem Vaejo, criada pelo deus da luz, onde o rei solar Yima se encontrou com Ahura Mazda, é uma terra da extremidade setentrional, e conserva-se a recordação precisa da congelação.
    • A tradição refere que Yima foi advertido da aproximação de “Invernos fatais” e que surgiu a “serpente do Inverno” contra a Ayrianem Vaejo; “houve dez meses de Inverno e dois de Verão”, clima do Ártico.
  • A tradição nórdico-escandinava apresenta testemunhos confusamente misturados em que se encontra a marca de reminiscências análogas: o Asgard foi identificado com o Gardarike, região quase ártica, e com a “Ilha Verde” possivelmente relacionada com a Gronelândia, que até o tempo dos godos teria apresentado rica vegetação sem glaciação.
    • Os contos éddicos sobre a luta dos deuses contra o destino que atingiu sua terra podem ser considerados ecos do declínio do primeiro ciclo, com o tema do terrível Inverno presente tal como no Vendidad: obscurecimento do Sol, tempestades de neve e massas de gelo.
  • Na tradição chinesa, a região nórdica, o país dos “homens transcendentes”, é identificada com o país da “raça dos ossos moles” e com um país ao norte do mar do Norte, ilimitado, sem intempéries, com montanha e fonte simbólicas, chamado “extremo Norte”.
    • O Tibete conserva a recordação de Tshang Chambhala, a mística “Cidade do Norte”, concebida como ilha onde teria “nascido” o herói Guesar, e os mestres das tradições iniciáticas tibetanas dizem que os “caminhos do Norte” conduzem o yogi para a grande libertação.
  • A tradição constante das origens na América, do Pacífico à região dos Grandes Lagos, fala da terra sagrada do “Norte longínquo” perto das “grandes águas”, de onde provieram os antepassados dos Nahua, Toltecas e Aztecas; o nome Aztlan compreende também a ideia de brancura, como o sveta-dvipa hindu.
    • Certas lendas da América Central mencionam quatro antepassados primordiais da raça Quiché que tentaram alcançar Tulla, a região da luz, encontrando apenas gelo sem Sol.
    • A Tulla ou Tullan, pátria de origem dos antepassados Toltecas, corresponde visivelmente à Thule dos gregos, nome aplicado por analogia a diversas regiões.
  • Segundo as tradições greco-romanas, Thule teria se localizado no Mare Cronium, a parte setentrional do Atlântico, e é nessa região que tradições mais tardias situaram as ilhas Afortunadas e as ilhas dos Imortais, ou a ilha Perdida que “se esconde à vista dos homens”.
    • Thule se confunde com o país lendário dos Hiperbóreos, no extremo norte, donde as estirpes aquéias trouxeram o Apolo délfico, e com a ilha Ogígia, “umbigo do mar”, que Plutarco situa ao norte da Grã-Bretanha, perto do lugar ártico onde permanece adormecido Cronos, o rei da idade do ouro.
    • A confusa noção da noite clara do Norte contribuiu para conceber a terra dos Hiperbóreos como lugar de luz eterna; esse eco subsistiu até a romanidade tardia, e a terra primordial assimilada à Grã-Bretanha foi destino de Constâncio Cloro, que teria avançado até lá para contemplar Cronos e gozar de “um dia quase sem noite”.
  • Quando a idade do ouro se projetou no futuro como esperança de um novo saeculum, reapareceu o símbolo nórdico: é do Norte que se esperará o Príncipe poderoso que restabelecerá a justiça segundo Lactâncio; no Norte renascerá o herói tibetano Guesar; em Shambala nascerá o Kalki-avatara que porá fim à “idade obscura”; é o Apolo hiperbóreo que, segundo Virgílio, inaugurará uma nova idade do ouro sob o signo de Roma.
    • A lei da solidariedade entre causas físicas e causas espirituais se manifesta na ligação íntima entre a “queda” de uma raça absolutamente primordial e a declinação física do eixo da terra, fator de alterações climáticas e catástrofes periódicas para os continentes.
    • É só depois de se tornar deserta a região polar que se pode verificar o desaparecimento progressivo da tradição originária que levaria à idade do ferro, kali-yuga, “idade do lobo” na Edda, e no seu limite aos tempos modernos propriamente ditos.
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