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CAUSALIDADE
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O campo das atividades e realizações deliberadas exige uma orientação fundamentada em duas máximas tradicionais que definem a ação como um procedimento técnico e impessoal, desvinculado de flutuações emocionais ou do desejo pelos resultados.
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Atuação sem apego ao sucesso, fracasso, vitória ou derrota
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Exercício da “ação sem desejo” como manifestação de uma dimensão superior
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Realização do que deve ser feito com aplicação superior à do homem condicionado
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Conceito de “fazer o que precisa ser feito” de modo estritamente impessoal
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A coexistência entre a imobilidade interna e a eficácia externa é sintetizada na máxima da “ação sem agir”, em que o princípio do ser permanece como o sujeito imóvel e a força motriz que sustenta e guia a iniciativa do início ao fim.
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Paradoxo extremo-oriental da não-ação na ação
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Preservação da integridade do ser durante a execução de obras
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O ser como guia invisível da conduta individual ativa
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A linha de conduta ativa refere-se ao funcionamento da natureza própria no contexto de situações assumidas, onde o conteúdo do ato não provém de um vácuo de liberdade pura, mas da definição imposta pela lei interna natural.
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Aplicação do “agir sem frutos” ao domínio da vocação individual
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Subordinação da iniciativa externa à necessidade da natureza interior
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Distinção entre a liberdade abstrata e a expressão do ser autêntico
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Enquanto a atitude dionisíaca se volta para a confirmação de si no devir e no imprevisto, a orientação ativa foca na expressão externa e no comportamento pessoal, exigindo integridade e retidão mesmo em condições de fragmentação ou adversidade.
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Máxima de ser inteiro no quebrado e reto no curvado
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Superação das reações periféricas e reflexos passivos da sensibilidade
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Identificação da ação profunda como “ser enquanto se age”
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Qualidade invariável do ato, da obra artesanal ao comando de forças sociais
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Valorização do trabalho bem feito como recompensa intrínseca conforme Charles Péguy
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O desapego em relação ao prazer e à dor não deve ser confundido com um estoicismo moral árido, mas compreendido como a superação de uma decadência vital em que o hedonismo e o conforto tornam-se fins separados da moção natural da vida.
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Crítica à imposição de deveres abstratos sobre impulsos naturais
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Identificação do hedonismo como sintoma de cisão e perda de alma
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Analogia entre a busca isolada pelo prazer e a depravação erótica
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Prazer e dor como ideias destacadas que substituem o movimento vital saudável
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É fundamental distinguir entre o prazer ardente, vinculado à passividade dos instintos e à satisfação momentânea do desejo, e o prazer heroico, que acompanha a ação decisiva oriunda do ser e da embriaguez superior.
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O prazer ardente como marca da existência naturalística e da sede vital
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Definição do prazer heroico como emanação de um plano superior à vida
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Vínculo entre a felicidade heroica e a soberania do princípio espiritual
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A regra da ação pura prescreve a indiferença apenas frente ao prazer naturalístico, permitindo que a atividade seja permeada por um vigor e fogo especiais sob a transparência de um princípio calmo e destacado.
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Coexistência de vigor vital e destacamento metafísico
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Transmutação do sensível no hipersensível via Dionisismo retificado
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Possibilidade de qualquer objeto tornar-se suporte para o prazer positivo
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Independência do significado interno da ação em relação ao seu conteúdo externo
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O prazer heróico assemelha-se à satisfação que acompanha a perfeição de uma obra ou o exercício de uma habilidade mestre, na qual o esforço se transforma em uma espontaneidade de ordem superior e em uma espécie de jogo.
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Analogia entre a ação perfeita e o prazer da maestria técnica
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Transição do esforço disciplinado para a espontaneidade livre
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Caráter lúdico da realização superior e da integridade do estilo
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A ação pura não prescinde do conhecimento das condições objetivas e da causalidade, exigindo que o indivíduo considere as relações de causa e efeito para que a execução seja perfeita, independentemente do sucesso final.
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Rejeição da ação cega em favor da eficácia técnica
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Estudo das leis de concordância entre ações e reações
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Primazia da perfeição do ato sobre a preocupação com o resultado
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O homem integrado situa-se acima do plano moral através do conhecimento objetivo das causas, substituindo o conceito de pecado pelo de erro ou falha técnica, fundamentando sua conduta na transparência da inteligência e não em patologias da consciência.
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Substituição da culpa pela análise das consequências fáticas
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Inexistência de germinação espiritual para noções de lícito ou ilícito
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Testagem objetiva da ação a partir de uma interioridade livre
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A lei do karma corresponde a uma causalidade natural e neutra em todos os planos, desprovida de sanção moral, assemelhando-se às leis físicas que impõem consequências objetivas sem exigir obrigações morais prévias.
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Extensão da lei de causa e efeito ao domínio existencial e espiritual
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Aceitação livre das reações negativas inerentes a uma escolha arriscada
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Exemplo do alpinista que aceita o risco climático sem conotação moral
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Possibilidade de neutralização técnica de certas reações naturais
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As reações emocionais de remorso ou satisfação são fatos psicológicos naturais decorrentes da unidade ou fragmentação do ser, e não devem ser interpretadas como sanções transcendentes por quem atingiu a verdadeira liberdade interior.
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Remorso como sintoma de uma tendência profunda violada por impulsos secundários
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Caráter puramente subjetivo e condicionado das sanções internas
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Rejeição da mitologia moralista construída sobre fatos psicológicos
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Unidade do ser como resultado de uma escolha e de um ato de vontade
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Algumas tradições admitem a neutralização mágica das reações do karma para o indivíduo que extinguiu sua parte naturalística, operando em um estado de de-individualização ativa e neutralidade absoluta.
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Possibilidade de impecabilidade e neutralidade interior frente ao binômio bem-mal
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Superação das reações emocionais através da de-individualização
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O ato de queimar a natureza individual como via de libertação das consequências
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A eliminação do plano moral ocorre impessoalmente pela observação da lei de causa e efeito, substituindo o complexo de pecado, próprio das religiões de um deus pessoal, pela consciência do erro técnico ou da inoportunidade cósmica.
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O pecado como formação patológica vinculada ao teísmo moral
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Perspectiva de Frithjof Schuon sobre a distinção entre o vantajoso e o prejudicial nas tradições orientais
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Sacrifício do agradável em favor do interesse espiritual sem classificação ética
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Distância entre o rigor da abnegação e o moralismo convencional
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O indivíduo para quem a liberdade não é ruína possui uma visão da realidade despojada de projeções subjetivas e superestruturas teístas, retornando ao ser puro e extraindo sua regra da própria natureza nua.
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Redução da visão de mundo à realidade pura e objetiva
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Assunção da natureza própria como lei de conduta
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Função da regra como ordenador frente a tendências divergentes residuais
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O regime de experimentos em dois graus permite o conhecimento de si como ser determinado e como portador da transcendência, sendo esta última a única base para um sentido de vida incondicionado em meio à dissolução.
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Prova da individuação e prova da dimensão supra-individual
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Transcendência como fundamento último da lei própria
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Solução do problema do significado via assunção do ser em função do absoluto
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A conduta frente ao mundo define-se por uma abertura intrépida e um desapego unido, caracterizando um Apolinismo Dionisíaco em que a intensidade da vida alimenta o princípio calmo da transcendência interior.
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Integração do estado dionisíaco com a estabilidade apolínea
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Manifestação de si através de obras impessoais e sem desejo
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Estilo de envolvimento total no ato sem apego ao objeto
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A embriaguez lúcida e magnética substitui a animação que outrora proviria de um ambiente tradicional, opondo-se tanto ao racionalismo quanto ao novo paganismo que busca o êxtase na simples animalidade ou na vitalidade cega.
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Necessidade vital da embriaguez esclarecida no mundo caótico
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Rejeição da busca por substitutos emocionais na base vital do bios
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Diferenciação entre a presença de espírito e a dissipação instintiva
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As referências a pensadores modernos como Nietzsche servem apenas como um elo oportuno para abordar o niilismo europeu, podendo ser dispensadas em favor das doutrinas esotéricas da Tradição que fundamentam toda a investigação.
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Caráter instrumental das categorias filosóficas contemporâneas
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Intenção de dialogar com quem busca superar positivamente o mundo sem Deus
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Antecipação do exame do existencialismo como corrente mística e confusa antes da análise de setores culturais específicos.
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