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NIILISMO EUROPEU

Cavalgar o Tigre

  • A proposição nietzschiana acerca da morte de Deus constitui a formulação definitiva para o processo simbólico de erosão da moralidade e da visão de mundo contemporâneas, assinalando o colapso de todas as sanções transcendentes que outrora conferiam validade às normas humanas.
    • Identificação da morte de Deus como ponto de partida para o niilismo europeu
    • Caracterização do homem moderno como desprovido de raízes no solo sagrado da tradição
    • Reconhecimento do caráter simbólico da luta de Nietzsche pela busca de sentido em uma existência entregue a si mesma
  • O advento do niilismo, previsto como um destino fático da Europa, retira a fundamentação de qualquer sistema de valores, validando a premissa de Dostoiévski de que a inexistência de uma instância divina implica na permissividade absoluta de todas as ações.
    • O niilismo como destino histórico e espiritual inevitável
    • Nexo entre a ausência de Deus e a autorização de todas as condutas
  • A morte de Deus expressa a incredulidade convertida em realidade cotidiana e a dessacralização integral da existência, processo iniciado no Renascimento que se consolidou como um estado irreversível, operando mesmo sob o simulacro de substitutos ideológicos.
    • Ruptura histórica com o mundo da tradição a partir do humanismo
    • Onipresença da dessacralização na consciência contemporânea
    • Existência de duplos e sucedâneos que ocultam a vacuidade do sagrado
  • A fratura ontológica inicial, que extingue a referência à transcendência, desdobra-se primeiramente na tentativa de fundamentar uma moral autônoma baseada exclusivamente na razão, fenômeno que tenta ocultar a perda do nível do sagrado através do fetichismo do dever.
    • Perda da referência ontológica à transcendência como fato elementar
    • Emergência da moral autônoma e do racionalismo ético
    • O imperativo categórico kantiano como símbolo da fase racionalista e do estoicismo do dever
  • A moralidade racional e secular, ao perder sua conexão efetiva com um mundo superior, revela-se desprovida de alicerces invulneráveis, reduzindo o mandamento ético a um eco rígido e vazio de uma lei outrora viva.
    • Fragilidade da fundamentação racional frente à crítica dialética
    • Inexistência de imperativos que não pressuponham axiomas sociais ou pessoais injustificados
    • Esvaziamento do conteúdo do dever na ética de Kant
  • A dissolução subsequente ao racionalismo ético manifesta-se na ética utilitarista ou social, onde a distinção entre bem e mal é substituída pela conveniência individual e pela tranquilidade material, revelando o niilismo sob a máscara do conformismo burguês.
    • Transição da moral absoluta para a ética da utilidade e do bem-estar social
    • O conformismo e a hipocrisia como sustentáculos da ordem burguesa
    • Dissolução anárquica preparada pelo individualismo do final do século XIX
  • A figura do herói romântico e as proposições de Max Stirner marcam a exaustão da rebeldia individualista, em que a destruição do Deus exterior é completada pela negação do Deus interior e de qualquer fantasmagoria idealista em nome do Único que se apoia no nada.
    • O herói romântico como transição trágica e afirmação do indivíduo superior
    • Crítica de Max Stirner à moral como última forma de fetiche divino
    • Identificação dos revolucionários niilistas como crentes em utopias sociais paradoxais
  • O niilismo europeu ataca não apenas a moralidade, mas a própria noção de verdade e finalidade, revelando que o mundo dos valores e do espírito foi uma invenção reativa destinada a negar a realidade do devir e dos sentidos.
    • Extensão do niilismo aos domínios do conhecimento e da teleologia
    • Interpretação dos valores superiores como sintomas de uma vida decadente e enfraquecida
    • Desvelamento das raízes irracionais e humanas das construções espirituais
  • A fase trágica do niilismo caracteriza-se pela percepção da existência como algo desprovido de meta e significado, onde a queda dos suportes metafísicos reduz a vida a uma realidade nua e sem referências externas, conforme a constatação existencialista de que a presença de Deus não alteraria a vacuidade do real.
    • Miséria do homem sem Deus e ausência de finalismo existencial
    • O conceito de Deus como alienação do eu na perspectiva de Kirilov
    • A redução sartriana da existência à sua factualidade bruta e absurda
  • Distinguem-se duas fases críticas: uma caracterizada pela rebelião metafísica e moral contra o estabelecido, e uma segunda, o niilismo propriamente dito, em que os próprios motivos da revolta se dissolvem, restando apenas a consciência da absoluta irracionalidade da condição humana.
    • Diferenciação entre rebelião moral e niilismo puro
    • Emergência do sentido do absurdo como tema central da contemporaneidade
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