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PÓS-NIILISMO EUROPEU

Cavalgar o Tigre

  • A historiografia e o pensamento contemporâneos, imersos em uma espécie de euforia do naufrágio, interpretam o processo de rebelião e dissolução como uma vitória do espírito e um progresso do humanismo, ignorando que o iluminismo e o historicismo imantentista são fases preliminares do niilismo.
    • Interpretação da dissolução como emancipação humana
    • Celebração do progresso do espírito em vertentes idealistas e marxistas
    • Crítica à fundamentação da mentalidade pós-niilista em Nietzsche
  • O sistema hierárquico e a autoridade sacra do mundo da Tradição não repousavam sobre um despotismo divino fantasioso, mas sobre a estrutura interior e a capacidade de reconhecimento de um tipo humano extinto, cuja libertação autoproclamada resultou na inelutável experiência do absurdo.
    • Inexistência de um controle divino despótico sobre o homem
    • Fundamentação da ordem tradicional na natureza intrínseca do indivíduo
    • Consequências da libertação como reação objetiva além do bem e do mal
    • Retirada de Deus e a transformação da existência em campo de permissividade total
  • A fratura contemporânea deslocou-se do plano moral para o existencial e ontológico, tornando a rebeldia imoralista do passado um anacronismo diante de uma humanidade que aceita a ausência de sentido como condição natural, refugiando-se em anestésicos sociais e econômicos.
    • Perda de relevância dos problemas morais na consciência cotidiana
    • Redução e dissolução do caráter e da retidão interior
    • O regime de substitutos: economia, patriotismo, sexo e álcool como ópios do povo
  • O colapso da fachada burguesa revela o vácuo subjacente, desencadeando traumas existenciais, a náusea perante o absurdo da civilização telúrica e a degradação da realidade objetiva, fenômenos que migraram das experiências isoladas de artistas para a conduta de grupos geracionais.
    • Emergência do tema da náusea e do desgosto existencial
    • Alienação e spectralidade dos eventos no sistema burguês
    • Transição das experiências de intelectuais para o curso natural da vida jovem
  • Precursores como Rimbaud, Lautréamont, Jack London e o jovem Ernst Jünger anteciparam a dissolução através da renúncia ao gênio, da exaltação do horror ou da busca por horizontes distantes, enquanto a massa celebrava o progresso científico alheia ao caos latente.
    • O silêncio poético e a imersão na atividade prática em Rimbaud
    • A ferida existencial e a exaltação da elementaridade em Maldoror
    • A aventura como refúgio frente à segurança ilusória do progresso
  • O Dadaísmo e o Surrealismo radicalizaram a transição para o caos ao negarem as categorias da arte em favor da exaltação do contraditório e do absurdo, culminando, em casos extremos, na passagem da teoria à prática através do suicídio ou de atos destrutivos aleatórios.
    • O Dadaísmo como negação da racionalidade e da coerência vital
    • Recusa surrealista das condições derisórias da existência
    • Atos de violência gratuita como busca de sentido após a rejeição do suicídio
  • A juventude do pós-guerra manifestou o nadir dos tempos através de uma rebeldia irracional e sem causa, liquidando as formas de revolta utópica que ainda acreditavam em valores sociais para assumir uma oposição cega a tudo o que fosse ordenado ou quadrado.
    • Surgimento dos rebeldes sem causa e da geração das ruínas
    • Diferenciação entre o niilismo clássico e a rebelião irracional contemporânea
    • Oposição ao mundo normal como uma insanidade organizada
  • O fenômeno dos hipsters e da Geração Beat representou uma posição existencial de alienação absoluta e recusa à colaboração social, buscando no álcool, nas drogas, na velocidade e no jazz negro os golpes necessários para preencher o vazio existencial.
    • Desprezo pela inserção em carreiras, causas ou relações estáveis
    • O nomadismo e a sobrevivência no vácuo através de sensações fortes
    • Influência de Jack Kerouac e Allen Ginsberg na cristalização desse clima
  • Henry Miller figura como o profeta do colapso de uma época, descrevendo a realidade como um caos fluido e uma floresta de pedra onde toda tentativa de vida normal é tragada pela desesperança e pelo horror oculto sob a grandeza pestilencial do mundo moderno.
    • Miller como manifestação crua do desespero e do vácuo cósmico
    • A sensação de tabula rasa e o silêncio diante do fim de um ciclo
    • A existência no centro do caos como perda de qualquer esperança
  • Testemunhos de Hermann Hesse e Paul van den Bosch convergem na repulsa ao otimismo burguês e na constatação de que a atual geração nasceu entre ruínas, onde o ouro já se transmutou em chumbo e Deus morreu de velhice.
    • Ódio pela saúde complacente e pela mediocridade normalizada
    • Autopercepção como fantasmas de uma guerra não lutada
    • O ponto zero da existência em um mundo desencantado
  • A ausência de motivações sócio-revolucionárias e a descrença em ações organizadas distinguem os novos niilistas dos intelectuais de esquerda, evidenciando o fracasso da revolução que, segundo Camus, traiu suas origens ao constituir novos e obtusos conformismos.
    • Rejeição do trabalho, do estudo e da crença em grupos transformadores
    • Constatação do novo jugo imposto pelo triunfo das revoluções de esquerda
    • Caráter sintomático e necessário dessas formas de vida no mundo sem Deus
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