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SER SI MESMO

Cavalgar o Tigre

  • A suspensão das alusões a dimensões superiores de experiência permite definir que a visão realista da existência se fundamenta no princípio de ser puramente si mesmo, o que resta após a eliminação de toda moralidade heterônoma baseada em comandos externos.
    • Substituição da lei externa pela descoberta da própria natureza
    • Libertação da moral convencional como condição para uma vivência moral autêntica
    • Adoção da própria lei como critério supremo de conduta
  • A moralidade aqui delineada assemelha-se à autonomia do imperativo categórico de Kant, mas distingue-se dele por originar o comando em um centro absolutamente interno e vinculado ao ser específico do indivíduo, em vez de recorrer a uma razão prática universal.
    • Interiorização radical do princípio do dever
    • Rejeição de leis hipotéticas válidas para a generalidade humana
    • Fundamentação da norma no ser ontológico particular
  • A interpretação fisiológica e materialista da natureza humana em Nietzsche deve ser considerada um aspecto acessório de sua polêmica contra o espírito puro, visto que seu conceito de Selbst designa um senhor poderoso e sábio desconhecido, que utiliza o eu físico e a razão como meros instrumentos.
    • Distinção entre o eu físico (Ich) e o Si-mesmo (Selbst)
    • Primazia da razão maior contida na totalidade do ser
    • Convergência com doutrinas tradicionais sobre o princípio supra-individual da pessoa
  • O homem que permanece de pé na era da dissolução assume seu próprio ser como uma lei absoluta e autônoma, agindo sem considerar sanções, recompensas, felicidade ou dor, conforme os preceitos de tornar-se o que se é e caminhar por conta própria além de qualquer revelação externa.
    • Afirmação da vontade própria acima das noções de bem e mal
    • Rejeição do hedonismo e do eudemonismo como sinais de decadência
    • Recuperação da autonomia proposta por Guyau em oposição às metafísicas autoritárias
    • Exclusão de Stirner devido à ausência de dimensões profundas em sua noção de Único
  • Para que o sistema de autoafirmação seja válido na resolução do problema proposto, é imperativo eliminar qualquer implicação limitadora ou pressuposto oculto que possa servir como um novo e ilusório suporte moral.
    • Crítica às doutrinas anárquicas pós-Rousseau e sua crença na bondade natural
    • Rejeição de pressupostos que busquem reintroduzir garantias metafísicas
    • Necessidade de uma tábua rasa integral perante a crítica niilista
  • A fundamentação de uma moral livre sobre a vida, conforme tentada por Guyau, falha ao pressupor arbitrariamente que a expansão vital possui um caráter social e altruísta, ignorando que uma vida puramente autêntica poderia igualmente optar pela negação ou pela contradição de si mesma.
    • Identificação do dever como derivado do poder e da força vital
    • Crítica à moralização preventiva do impulso de vida em Guyau
    • Inexistência de censura racional para a vida que escolhe o caminho da autoaniquilação
  • A superação do niilismo exige o dizer sim a tudo o que se é, mesmo que a própria natureza não corresponda ao ideal de nobreza ou heroísmo do super-homem, assemelhando-se à condição do homem caído no calvinismo, mas sem o recurso à redenção divina ou à justificação externa.
    • Aceitação incondicional da própria decadência, debilidade ou perversão
    • Prova extrema de força no despojamento total do eu
    • Purificação do comando nietzschiano de qualquer conteúdo vitalista específico
    • Capacidade de manter-se firme no ser absoluto, sem temor ou esperança
  • O modo de existência pós-niilista valida a percepção de que não há lugar ou objetivo capaz de desonerar o indivíduo de seu próprio ser, permanecendo o conteúdo de sua lei pessoal necessariamente indeterminado.
    • Impossibilidade de fuga do próprio ser no mundo, na sociedade ou em Deus
    • Caráter estritamente existencial da responsabilidade individual
    • Indeterminação formal da lei de conduta privada
  • A análise dos sistemas de pensamento de Nietzsche e outros autores assemelhados não visa uma abstração filosófica, mas a identificação de valores operacionais para um tipo humano especial em meio à crise contemporânea.
    • Foco na utilidade prática das teorias para o indivíduo diferenciado
    • Reconhecimento da autoafirmação como uma solução de primeiro grau
    • Necessidade de considerar a adequação do sujeito ao método proposto
  • A regra de ser si mesmo torna-se problemática na modernidade porque o homem médio, desprovido da unidade interna favorecida pelas antigas ordens tradicionais e castas, tornou-se um ser instável e fragmentado em múltiplas almas.
    • Contraste entre a diferenciação tipológica tradicional e o individualismo moderno
    • Instabilidade e ausência de forma no homem ocidental contemporâneo
    • Dificuldade de aplicar a fidelidade ao próprio ser em tipos humanos flutuantes
  • A falha de personagens de Dostoiévski, como Raskolnikov e Stavrogin, demonstra que a vontade nua pode levar ao colapso quando o indivíduo é interiormente dividido e carece de uma força real que sustente sua pretensa liberdade.
    • O colapso de seres divididos diante da ação absoluta
    • Insuficiência da energia dos desejos em Stavrogin para sustentar a existência
    • O suicídio como selo do fracasso perante o abismo interior
  • A vontade de poder carece de sentido se não houver um ser definido e uma unidade interna que lhe confiram direção, resultando no retorno ao caos quando os meios existem mas os fins desaparecem.
    • Caráter amorfo da força desprovida de orientação essencial
    • Agravamento da crise pela ausência de uma dimensão transcendente ativa
    • Relação entre a desorientação e a fragmentação do sujeito
  • O remorso é identificado como o sintoma de um ser contraditório, em que impulsos secundários violam uma tendência central ainda sobrevivente, exemplificado na imagem do criminoso pálido de Nietzsche, cuja ação paralisa a própria razão.
    • Definição de moralidade como unidade do ser segundo Guyau
    • Imoralidade interpretada como oposição interna de tendências
    • Paralisia do sujeito diante da própria transgressão inconsistente
  • A investigação deve agora avançar para além da exposição neutra, focando em uma linha de conduta exclusiva para o tipo diferenciado que, como herdeiro do homem tradicional, mantém raízes profundas em um mundo de significados superiores, apesar do vazio exterior.
    • Transição para o estudo de um modelo de comportamento restrito
    • Caracterização do herdeiro da tradição no reino da dissolução
    • Persistência de raízes internas na ausência de suportes sociais
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