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evola:navegar

NAVEGAÇÃO COMO SÍMBOLO HEROICO

EVOLA, Julius. Symboles et “mythes” de la Tradition Occidentale. Milano: Archè, 1980.

  • A característica marcante das novas gerações é a superação do romantismo e o retorno ao épico, buscando integrar à ação um elemento espiritual que a liberte do aspecto puramente material, em contraste com o fanatismo e as deviações “esportivas” dos anglo-saxões.
    • As novas gerações superam o romantismo e as complicações pseudopsicológicas e intelectuais, valorizando mais as ações.
    • Diferentemente do fanatismo e das deviações esportivas dos anglo-saxões, busca-se superar o lado puramente material da ação.
    • A ação é vista como libertação e tomada de contato real com as grandes potências das coisas e dos elementos, integrando um elemento espiritual.
  • A alta montanha e o alto-mar, com os símbolos da ascensão e da navegação, são os meios naturais mais propícios para as possibilidades de libertação e reintegração ao épico da ação, pois neles a luta contra as dificuldades materiais torna-se um meio de realizar um processo de superação interior e um combate contra os elementos da natureza inferior do homem.
    • A alta montanha e o alto-mar são identificados como os ambientes naturais mais favoráveis para a experiência épica.
    • Os símbolos da ascensão (montanha) e da navegação (mar) representam essas possibilidades.
    • Nesses ambientes, a luta contra os perigos materiais se converte em um processo de superação interior e domínio dos elementos da natureza inferior.
  • As tradições profundas da antiguidade, com sua significação superior passível de ser sempre reencontrada e revivida, foram esquecidas pela superstição positivista e materialista, que as reduziu a meras curiosidades eruditas.
    • O positivismo e o materialismo enterraram no esquecimento as tradições antigas.
    • Essas tradições foram relegadas à condição de curiosidade para eruditos.
    • A significação superior que essas tradições podem assumir, e que pode ser sempre revivida, foi ignorada.
  • O antigo símbolo da navegação, um dos mais difundidos nas civilizações pré-modernas e marcado por uma uniformidade que atesta a universalidade e profundidade de certas experiências espirituais diante das forças dos elementos, merece algumas considerações.
    • A navegação é um símbolo presente em todas as civilizações pré-modernas.
    • A uniformidade desse símbolo em diferentes culturas sugere a universalidade e profundidade das experiências espirituais ligadas aos elementos.
    • Propõe-se dedicar algumas observações a esse símbolo.
  • A navegação, especialmente a travessia de águas tumultuosas, foi tradicionalmente elevada a símbolo porque as águas sempre representaram o elemento instável e contingente da vida terrestre, sujeita à decadência, à paixão e à irracionalidade, de modo que deixar a terra firme, sinônimo de existência medíocre e ilusoriamente estável, e aventurar-se no mar, “navegar”, constituía o ato épico por excelência em um sentido espiritual.
    • As águas (oceanos e rios) simbolizam o elemento instável, contingente e passageiro da vida terrestre, sujeita à decadência, nascimento e morte.
    • As águas também representam o elemento passional e irracional que altera a vida.
    • A terra firme simboliza, por um aspecto, a mediocridade e a existência tímida, baseada em ilusórias certezas e apoios.
    • Deixar a terra firme e enfrentar o mar, “navegar”, é o ato épico por excelência em seu sentido espiritual, não imediato.
  • O navegador é o correspondente do herói e do iniciado, aquele que, abandonando o mero “viver”, busca ardentemente um “mais que viver”, um estado superior à caducidade e à paixão, cujo objetivo é a conquista de uma outra terra firme, a verdadeira, frequentemente simbolizada pela ilha, imagem da firmeza interior e do domínio de si após a bem-sucedida navegação.
    • O navegador é análogo ao herói e ao iniciado, buscando um estado superior ao simples viver.
    • O objetivo da navegação épica é a conquista de uma “outra terra firme”, a verdadeira.
    • Essa outra terra é frequentemente simbolizada pela ilha nas mitologias e tradições antigas.
    • A ilha representa a firmeza interior, a calma e o império sobre si mesmo de quem venceu as águas tumultuosas.
  • A travessia de um rio ou a pilotagem de um barco era a fase simbólica fundamental na “iniciação real” de Elêusis, e divindades como Janus, deus romano dos começos e da iniciação, tinham o barco entre seus atributos, cujos símbolos, como a barca e as chaves, passaram para a tradição católica, enquanto a própria palavra “pontifex” e o nome “Ponto” revelam tramas ocultas que transmitiram a antiga concepção da navegação como símbolo.
    • Em Elêusis, atravessar um rio a nado ou pilotar um barco era a fase fundamental da “iniciação real”.
    • Janus, divindade romana dos começos e da iniciação, era também o deus da navegação, tendo o barco como um de seus atributos característicos.
    • A barca de Janus e suas duas chaves foram incorporadas pela tradição católica como a barca de São Pedro e no simbolismo das funções pontifícias.
    • A etimologia de “pontifex” (fazedor de pontes) e o nome “Ponto” (mar), derivado de “pons” (via), revelam a transmissão oculta da concepção da navegação como símbolo.
  • O mito caldeu de Gilgamesh apresenta um fac-símile do mito dórico de Héracles, com o herói enfrentando a via marítima em direção a uma terra ou ilha ocidental em busca da “árvore da vida”, atravessando o oceano comparado às “águas obscuras da morte”, e esses mesmos ecos de experiências espirituais ligadas aos símbolos heróicos da navegação e da travessia marítima encontram-se no Oriente e no Extremo Oriente.
    • O mito de Gilgamesh, na Caldeia, assemelha-se ao de Héracles, que atravessa o mar para colher o fruto da imortalidade.
    • Gilgamesh enfrenta a via marítima ocidental (atlântica) em direção a uma terra ou ilha em busca da “árvore de vida”.
    • O oceano é comparado às “águas obscuras da morte” nesse contexto.
    • Ecos dessas experiências espirituais e dos símbolos heróicos da navegação são encontrados no Oriente e Extremo Oriente.
  • O asceta budista é comparado àquele que atravessa e vence a correnteza, navegando contra a maré, pois as águas representam os liames do egoísmo e do apego dos homens, e no Extremo Oriente encontra-se o tema helênico da “travessia” para as “ilhas” onde a vida não está mais sujeita à morte, como a Avallon ou o Mag Mell das lendas celtas.
    • O asceta budista é comparado àquele que atravessa a correnteza e navega contra a maré.
    • As águas simbolizam a “sede” de vida animal, o prazer, os laços do egoísmo e do apego.
    • O tema helênico da “travessia” para ilhas imortais (Avallon, Mag Mell) encontra paralelo no Extremo Oriente.
  • Elementos simbólicos semelhantes, ligados à navegação e à travessia marítima, são encontrados no Egito antigo, no México pré-colombiano e nas lendas nórdico-arianas, como no feito do herói Siegfried na ilha de Brunhild, onde ele afirma conhecer as verdadeiras vias do mar e poder conduzir sobre as ondas.
    • Elementos simbólicos análogos sobre a navegação são encontrados no Egito antigo e no México pré-colombiano.
    • As lendas nórdico-arianas também apresentam esses elementos, como no feito de Siegfried na ilha de Brunhild.
    • No Nibelungenlied, Siegfried declara conhecer as vias do mar e poder conduzir sobre as ondas.
  • A exploração de Cristóvão Colombo pode ter relação com ideias sobre uma terra transatlântica que abrigaria “profecias nunca mortas”, segundo lendas medievais, e o conceito do talassocrata, “senhor dos mares”, liga-se ao de legislador em sentido elevado, como no mito de Minos, enquanto figuras como Narâyâna, Moisés, Rômulo e Cristo, associadas a estar, andar ou ser salvo das águas, apontam para a mesma simbologia, cujo desenvolvimento mais amplo fica para outra ocasião.
    • O feito de Cristóvão Colombo pode estar relacionado a ideias medievais sobre uma terra transatlântica com “profetas nunca mortos” num “Eliseu”.
    • O conceito de talassocrata (“senhor dos mares”) está ligado ao de legislador em sentido elevado, como no mito de Minos.
    • Figuras como Narâyâna, Moisés, Rômulo e Cristo, associadas a estar, andar ou ser salvo das águas, contêm a mesma simbologia.
    • O desenvolvimento mais aprofundado desses temas é postergado para outra ocasião.
  • A máxima “Viver não é preciso; navegar é preciso” permanece plenamente sentida e oferece um dos melhores desdobramentos para o épico da ação, tendo sido retomada por Mussolini como um convite a amar a mar e sentir sua embriaguez, ecoando as antigas significações da navegação como algo superior ao viver, como atitude heroica e caminho para formas superiores de existência, capaz de conferir à aventura marítima uma perspectiva metafísica de transfiguração.
    • A máxima antiga “Viver não é necessário; navegar é necessário” ainda ressoa atualmente.
    • Mussolini retomou a fórmula, conclamando a amar o mar e sentir sua embriaguez.
    • A navegação é apresentada como algo superior ao viver, uma atitude heroica e um caminho para formas superiores de existência.
    • A vivência épica da aventura marítima, com sua perspectiva metafísica, pode ressuscitar o sentido das antigas tradições da navegação como via para algo que transcende o meramente humano.
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