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evola:ouroboros
OUROBOROS
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A recuperação de uma sensibilidade viva e simbólica diante daquilo que o homem moderno reduziu a natureza morta e conceitos abstratos conduz ao primeiro princípio do ensinamento hermético, que é a unidade expressa pela fórmula ἕν τὸ πᾶν da Chrysopoeia de Cleópatra e pelo Telesma da Tábua de Esmeralda, implicando não uma teoria filosófica, mas um estado efetivo obtido pela supressão da oposição entre eu e não-eu e entre interior e exterior.
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A unidade não é hipótese especulativa, mas estado experiencial.
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Supressão da dualidade sujeito/objeto.
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Esse estado corresponde à Materia da Obra ou Primeira Matéria dos Sábios.
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Somente dele se pode extrair e modelar, por ritual e arte (τεχνικως), os efeitos espirituais e operativos.
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O ideograma alquímico de ἕν τὸ πᾶν representa-se como círculo que contém início e fim em si mesmo, simbolizando no hermetismo tanto o universo quanto a Grande Obra, e na Chrysopoeia assume a forma do Ouroboros que encerra em seu espaço a unidade do todo.
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O círculo exprime movimento fechado e autocontido.
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O Ouroboros morde a própria cauda.
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O pantáculo de dois anéis afirma que o Um contém o veneno segundo duplo signo.
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O anel externo proclama que o Um é tudo, fonte e culminação de tudo.
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O “todo” é denominado caos ou ovo primordial (ὠὸν πρωτόγονον) por conter a potencialidade indiferenciada de toda geração, estendendo-se tanto às profundezas míticas do ser, segundo expressão de Olimpiodoro, quanto à multiplicidade caótica das formas dispersas no espaço e no tempo.
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Caos entendido como potencialidade.
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Ovo como matriz de todo desenvolvimento.
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Presença interior como mito sentido.
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Extensão à multiplicidade empírica.
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O círculo fechado do Ouroboros alude ainda ao princípio hermético de exclusão que recusa uma transcendência unilateral e externa, concebendo-a como modo de ser contido na coisa única de duplo signo, simultaneamente identidade e veneno, princípio dominante e dominado, masculino e feminino, portanto andrógino.
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Transcendência integrada na unidade.
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Duplo signo: ser e superar-se.
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Capacidade de dissolver e transformar.
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União de polos masculino e feminino.
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A máxima atribuída a Ostanes e transmitida ao Pseudo-Demócrito, segundo a qual a natureza se compraz, vence e domina a natureza, retomada por Zósimo e reiterada na tradição desde a Turba philosophorum, exprime a autossuficiência dinâmica do princípio único.
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Natureza age sobre natureza.
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Dominação interna dos “enxofres”.
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Continuidade do motivo na tradição alquímica.
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Dessa autossuficiência derivam fórmulas simbólicas que descrevem a coisa única como pai e mãe de si mesma, filho de si mesma, que se dissolve, se mata e se vivifica por si, sendo a matéria dos Sábios ou Pedra que contém os quatro elementos e tudo o que é necessário.
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Autopaternidade e automaternidade (αὐτοπάτορα καὶ αὐτομήτορα).
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Autodissolução e autorressurreição.
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Pedra que rege os elementos.
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Raiz de si mesma (radix ipsius).
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A matéria hermética deve ser compreendida como natureza sob a perspectiva da interioridade, ultrapassando a antítese entre matéria e espírito e entre mundo e supramundo, razão pela qual Zacarias pode qualificá-la simultaneamente como espiritual, corpórea, celeste e terrestre sem contradição.
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Superação da dicotomia matéria/espírito.
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Identidade sub specie interioritatis.
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Multiplicidade de designações verdadeiras.
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O ovo como imagem do cosmos recebe nos textos helenísticos o nome de λίθον τὸν οὐ λίθον, sendo descrito por Braccesco como pedra que não é pedra, presente em toda parte, vil e preciosa, oculta e manifesta, caos ou espírito sob forma corporal que, todavia, não é corpo.
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Pedra paradoxal e ubíqua.
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Unidade de base e preciosidade.
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Espírito em forma de corpo.
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Síntese enigmática atribuída a Zósimo.
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Essa Pedra hermética, ligada aos “Senhores do Templo” (οἰκοδεσπότες) e aos “Guardiães dos Espíritos” (ϕύλαξ πνευμάτων), constitui o grande mistério divino e o objeto buscado, sendo o Todo do qual tudo procede e pelo qual tudo se realiza.
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Princípio de dupla natureza e essência única.
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Atração e dominação recíprocas.
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Identificação com a água luminosa ou prata viva.
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A Água divina descrita como não metálica, não mero movimento perpétuo nem simples corporeidade, é indomável, dotada de caminho, espírito e poder de destruição, sintetizando a essência do mistério hermético.
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Água que foge e é atraída por seus próprios elementos.
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Natureza difícil de contemplar.
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Possui força dissolvente e transformadora.
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