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evola:sol-lua
SEPARAÇÃO. SOL-LUA
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No estado de “um o todo”, opera-se a separação que distingue dois princípios opostos e complementares: o Sol, que representa o centro ativo, fixo e transcendente, e a Lua, que personifica a força passiva, caótica e mutável da natureza primordial.
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A partir do “um o todo”, o “um” se concretiza como um centro de fixidez e estabilidade no seio do “todo” caótico, que agora se torna o princípio passivo e feminino.
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O Sol (simbolizado pelo hieróglifo O) corresponde ao princípio da virilidade espiritual, da forma, da individuação e da imutabilidade, sendo associado ao Ouro, ao Fogo que não queima e à cor vermelha.
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A Lua (simbolizada pelo hieróglifo crescente) corresponde ao princípio feminino, à matéria, à força universal indiferenciada, ao “mercúrio” e às Águas em seu aspecto de desejo e queda, sendo associada à prata fluida e à cor branca.
Esta dualidade fundamental, expressa pelas figuras do Sol e da Lua, do macho e da fêmea, do ativo e do passivo, é a base sobre a qual se estrutura todo o simbolismo e as operações da tradição hermético-alquímica.-
A natureza, antes una, manifesta-se agora como dois polos: o que domina (princípio solar, viril) e o que é dominado (princípio lunar, feminino), sendo que o antigo caos subsiste apenas neste último.
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A força lunar, quando separada do centro solar, torna-se um impulso cego e descendente, simbolizado pelo hieróglifo da água em direção à queda, identificando-se com os dragões e as forças que os heróis solares devem vencer.
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A serpente primordial, ao se multiplicar, opõe-se a si mesma, dando origem a esta dualidade onde o princípio urânico (Céu) se distingue do princípio telúrico (Terra).
A relação entre esses dois princípios pode ser de dois tipos: a lei do devir sublunar, onde o Sol é dominado pela Lua (dissolução), ou a ordem do cosmos, onde o Sol domina a Lua (coagulação), refletindo o predomínio da forma sobre a mera mudança.-
No primeiro caso, a força lunar (Águas, caos) prevalece, dissolvendo a estabilidade solar, o que corresponde a mitos onde heróis ou deuses são devorados por dragões ou naturezas que personificam o princípio úmido.
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No segundo caso, a força solar (forma, individuação) se impõe, fixando a volatilidade lunar e criando estruturas estáveis, organizadas e perfeitas, onde o caos é transformado em cosmos.
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O Sol, como “fogo frio” ou “frigidez ígnea”, anima mas também domina e subjuga, projetando uma fixidez que aprisiona as águas sob uma lei, culminando no milagre da consciência individualizada, o “Eu”.
Na terminologia aristotélica adaptada pelo hermetismo, o Sol é a “forma” e a potência de individuação, enquanto a Lua, herdeira dos símbolos arcaicos da Mãe, expressa a “matéria” e a vitalidade universal indiferenciada.-
A virtude do princípio solar é a de coagular, de impor um limite e uma medida, agindo como uma força adstringente que individualiza o fluxo vital da Lua.
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A Lua, por sua vez, representa o espírito cósmico ou éter-luz, a energia sutil das transformações, que é volátil e inapreensível até ser fixada pelo poder do Sol.
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O corpo humano, como natureza organizada e estável, é um “fixo” que se opõe à volatilidade dos princípios psíquicos, relacionando-se com o símbolo do Sol; a Pedra Filosofal, por sua vez, é a expressão de uma “corporeidade espiritual” onde ambos os princípios se unem em um plano superior.
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