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evola:spatium
ESPAÇO
Revolta contra o Mundo Moderno
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A experiência tradicional do espaço como entidade viva e qualitativa, em oposição ao espaço homogêneo dos modernos
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A consideração do espaço moderno como o simples contentor dos corpos e dos movimentos, homogêneo e indiferente, onde a localização não confere nenhuma qualidade particular.
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A referência à experiência imediata do homem moderno, não às concepções físico-matemáticas recentes de espaço curvo e não-homogéneo, cujo valor é pragmático e não corresponde a nenhuma experiência qualitativa.
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A experiência do homem tradicional do espaço como vivo, saturado de qualidades e de intensidades, confundindo-se frequentemente com a do éter vital, o akaca, o maná, uma substância-energia penetrante, mais imaterial e psíquica que física.
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A distribuição desta energia por várias regiões, de maneira que cada uma possua virtudes próprias e participe essencialmente nas potências que nela residam, fazendo de cada lugar um lugar fatídico com a sua intensidade e a sua individualidade oculta, citando Lévy-Bruhl.
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A aplicação da expressão paulina em Deus estamos, vivemos e movemo-nos, substituindo Deus por divino, sacrum ou numinoso, para o que frequentemente correspondia, para o homem tradicional, ao espaço dos modernos.
A utilização do espaço como base para expressões metafísicas e para o simbolismo universal-
A verificação de que o espaço na Antiguidade serviu constantemente de base às expressões mais características do metafísico, utilizando a região celeste e a terrestre, o alto e o baixo, a vertical e a horizontal, a direita e a esquerda.
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O fornecimento, por estas direções, da matéria para um simbolismo típico, expressivo e universal, como o simbolismo da cruz.
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A possível relação entre a cruz de duas dimensões e os quatro pontos cardeais, e entre a cruz de três dimensões e as direções de cima e de baixo, sem que isto signifique interpretações naturalistas dos símbolos antigos.
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A repetição do que já se disse a propósito do aspecto astronômico dos calendários: que o facto de se encontrar a cruz na natureza significa que o verdadeiro simbolismo se encontra na própria natureza, citando René Guénon, que afirma que toda a natureza não passa de um símbolo de realidades transcendentes.
O plano mágico do espaço: influências, orientações sagradas e geografia sacra-
A correspondência, antigamente, de determinadas influências, frequentemente dadas sob a forma de entidades ou gênios, a cada direção do espaço.
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A utilização deste conhecimento como base para aspectos importantes da ciência augural e da geomancia, para a doutrina das orientações sagradas no rito e para a disposição dos templos, como a orientação das catedrais até à Idade Média.
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A não equivalência de nenhum ponto, região ou lugar do espaço tradicional a outro, levando à escolha de locais específicos, como cavernas ou altas montanhas, para certos ritos.
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A existência de uma verdadeira geografia sacra, não arbitrária, mas em conformidade com transposições físicas de elementos metafísicos.
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A teoria das terras e das cidades santas, centros tradicionais de influências espirituais na terra, e ambientes consagrados para vitalizar a ação orientada para o transcendente.
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A fundação não casual de templos e cidades, obedecendo a leis especiais de ritmo e de analogia e sendo antecedida de vários ritos.
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A caracterização do espaço do rito tradicional como um espaço vivo, fatídico, magnético, em que cada gesto, cada sinal traçado, cada palavra pronunciada e cada operação realizada recebe um sentido de inevitabilidade e de eternidade e se transforma num decreto para o invisível.
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A consideração do espaço do rito como uma fase mais intensiva da própria sensação geral do espaço que sentia o homem tradicional.
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