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REVELAÇÃO PRIMITIVA
GORDON, Pierre. La Révélation primitive. Paris: Dervy, 1951
Resumo do Prefácio à Revelação Primitiva
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A história humana fundamenta-se em uma iluminação primordial ou Revelação Primitiva, que dotava o pensamento original de um potencial mental superior capaz de elevar a criatura acima das limitações da natureza.
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O pecado rompeu a união com o Ser, destituindo o homem de sua potência primeira e cindindo-o da essência das coisas.
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A queda para um patamar inferior de conhecimento transformou o surhomme original em um ser que percebe o universo apenas como um agregado flutuante de mecanismos físicos.
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A marca divina da iluminação inicial permanece indelevelmente no princípio constitutivo humano, impelindo o indivíduo a buscar o Ser de forma invencível em meio à opacidade do cosmos.
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O homem aspira a Deus e afirma Sua existência mesmo sob formas estranhas, asfixiando-se fora da realidade ontológica.
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As tentativas de retorno aos mundos de luz constituem os reflexos ou traços da Revelação Primitiva na história.
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O cosmos físico e humano é definido como o domínio das aparências, do mecanismo, das antinomies e da mâyâ, onde a percepção é limitada pelas categorias do Espaço e do Tempo.
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Este universo fenomenal representa o mundo das separações e do Devenir, sendo uma de-figuração do real operada pelo pensamento humano.
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A consciência fenomenal é uma modalidade subalterne da consciência real, da qual o Ser está parcialmente cindido.
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O cosmos do Real ou de l'être constitui o suporte dinâmico e energético subjacente às forças físico-químicas, caracterizando-se pela unidade e pela indivisão absoluta.
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Utilizam-se os termos cosmos dinâmico ou ultrafísico para designar o princípio de onde procedem todas as manifestações da energia pura.
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Este domínio é identificado como o universo do mana, onde a matéria assume a modalidade de radiance ou matéria radiante.
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A transição entre o universo das contradições e o universo do Real não admite continuidade, exigindo um saut dialético para transpor o hiato que separa o humano do Ser.
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O cosmos de l'être é simultaneamente transcendente, por ser inacessível em sua essência, e imanente, por formar o substrato do mundo fenomenal.
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O espírito humano atua como o único elo entre essas duas dimensões do cosmos único.
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O homem em sua condição atual é um ser animalo-humano e teratológico, um monstro cósmico cuja existência é apenas aparente por não alcançar diretamente o que é.
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O surhomme ou ser humano-surhumano define o Je que se move na matéria radiante e no reino da surnature.
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A normalidade humana só é atingida no nível da existência plena, onde o Je se integra ao Ser em vez de persegui-lo incessantemente no devir.
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O ritual iniciático, substância de todas as religiões positivas, consiste no processo de morrer para o mundo das impressões sensoriais a fim de ressusciter no mundo do Ser.
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A iniciação é entendida em seu sentido etimológico de initium, marcando o ingresso na existência verdadeira e o desprendimento das aparências.
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Rejeita-se qualquer acepção hermética, esotérica ou de occultisme, afirmando-se que o veículo histórico da iniciação autêntica reside exclusivamente nas religiões.
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A pluralidade no mundo do Real realiza-se através do amor sem limites, onde múltiplos Je se apropriam de um Ser único mediante o dom integral e o despojamento absoluto.
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A unidade do Real permanece sem fissuras porque nenhum Je retém para si qualquer parcela do ser, transferindo-o totalmente a outrem.
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A distinção fundamental entre o universo da aparência e o da existência plenária reside na forma e na qualidade do amor manifestado em cada um.
RESUMOS E EXTRATOS
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