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PREFÁCIO

O ERRO ESPÍRITA

  • Ao abordar a questão do espiritismo, explicita-se imediatamente o espírito no qual se pretende tratá-la, delimitando o escopo da obra àquilo que ainda não foi suficientemente abordado, em vez de realizar um exaustivo levantamento do assunto.
    • A constatação de que, embora numerosos, os trabalhos existentes não esgotaram o que havia a dizer sobre o espiritismo, evitando-se assim a duplicação inútil de esforços.
    • A decisão de não fazer um exposé completo do tema em todos os seus aspectos, o que seria tarefa enorme e pouco útil, devido à facilidade de encontrar tais informações em outras obras.
    • A preferência por limitar-se aos pontos tratados de forma mais insuficiente, começando por dissipar as confusões e enganos frequentemente constatados nessa ordem de ideias.
    • O propósito de, em seguida, mostrar principalmente os erros que constituem o fundo da doutrina espírita, na medida em que se possa concordar em chamá-la de doutrina.
  • Considera-se difícil e pouco interessante abordar a questão do espiritismo sob um ponto de vista histórico global, dada a sua natureza fragmentada e a ausência de uma coesão que permita um tratamento histórico tradicional.
    • A observação de que os espíritas, desde a origem, dividiram-se em múltiplas escolas e inúmeros grupos independentes e por vezes rivais, o que inviabiliza uma história nos moldes de uma seita bem definida e organizada.
    • A constatação de que não é indispensável pertencer a qualquer associação para se dizer espírita, bastando admitir certas teorias e práticas, o que acrescenta um elemento inatingível pelo historiador.
    • A distinção entre o comportamento do espiritismo e o do teosofismo e da maioria das escolas ocultistas, diferença esta que é consequência de outras menos exteriores a serem explicadas.
    • A introdução de considerações históricas apenas na medida em que possam esclarecer o exposé, sem fazer delas objeto de uma parte especial do trabalho.
  • Não se pretende tratar de forma completa o exame dos fenômenos invocados pelos espíritas em apoio às suas teorias, contentando-se em indicar o suficiente sobre o que se pensa a respeito e sinalizar a possibilidade de explicações não suspeitadas pelos experimentadores.
    • A consideração de que a descrição desses fenômenos já foi dada tantas vezes que seria supérfluo retomá-la, e que o interesse principal não reside aí.
    • A ressalva de que, no espiritismo, as teorias nunca estão separadas da experimentação, mas os fenômenos fornecem apenas uma base ilusória para as teorias espíritas, e que, sem estas, não se trata mais de espiritismo.
    • O reconhecimento de que, se o espiritismo fosse unicamente teórico, seria menos perigoso e menos atraente, perigo este que constitui o motivo mais premente para a escrita do livro.
  • Afirma-se a natureza nefasta da expansão das teorias neoespiritualistas surgidas há menos de um século, destacando-se o caráter especial do espiritismo como a mais difundida e popular delas, o que o torna particularmente perigoso por ser uma pseudorreligião que desequilibra e desvia uma multidão de pessoas.
    • A caracterização dessas teorias como pseudorreligiões, uma expressão aplicável ao teosofismo e ao espiritismo, sendo este último uma forma de desvio do espírito religioso adaptado à mentalidade cientista contemporânea.
    • A constatação de que o espiritismo é a doutrina neoespiritualista mais espalhada e popular por ser a mais simplista e grosseira, estando ao alcance de todas as inteligências e baseando-se em fenômenos facilmente obtidos por qualquer um.
    • O aumento dos seus estragos nos últimos anos devido ao abalo provocado por eventos recentes nos espíritos, não se tratando de simples metáforas, mas de um desequilíbrio real e irremediável em muitas vítimas.
    • A existência de um perigo que não pode ser negligenciado, sobretudo nas circunstâncias atuais, sendo necessário e oportuno denunciá-lo com insistência para salvaguardar os direitos da verdade contra todas as formas de erro.
  • A intenção não é limitar-se a uma crítica puramente negativa, mas sim aproveitar a ocasião para expor certas verdades a partir de um ponto de vista fundamentalmente diferente do da maioria dos autores, inspirado nos dados da metafísica pura tal como conhecida pelas doutrinas orientais.
    • A possibilidade de, mesmo com indicações sumárias, fazer entrever questões ignoradas que possam abrir novos caminhos de pesquisa àqueles que souberem apreciar o seu alcance.
    • A prevenção de que o ponto de vista adotado é muito diferente, sob muitos aspectos, daquele da maioria dos autores que trataram do espiritismo, inspirando-se sempre nos dados da metafísica pura para refutar erros sem se colocar em seu próprio terreno.
    • A convicção da necessidade de uma direção doutrinal, de ordem metafísica, da qual nunca se deve afastar para tocar impunemente em certas coisas, evitando discussões infindáveis e desvios.
    • A afirmação de que, embora a obra não seja propriamente metafísica em todas as suas partes, há mais metafísica verdadeira na sua inspiração do que em tudo a que os filósofos dão esse nome, sendo esta uma metafísica que nada tem a ver com as sutilezas filosóficas.
    • A garantia de que o estudo não terá o rigor de um exposé exclusivamente doutrinal, mas será constantemente guiado por princípios de absoluta certeza, sem os quais é fácil perder-se nos labirintos do mundo inferior.
  • O não menosprezo pelos esforços daqueles que se colocaram em pontos de vista diferentes, mas a afirmação da necessidade de distinções e de uma hierarquia a observar para que todos os pontos de vista legítimos possam harmonizar-se e completar-se, cada um no seu domínio.
    • A advertência contra o esquecimento dos limites além dos quais um ponto de vista particular, como o das ciências experimentais, deixa de ser aplicável.
    • O reconhecimento da vantagem inapreciável que têm aqueles que se colocam no ponto de vista religioso por possuírem uma direção doutrinal que os impede de se perder, embora não lhes forneça soluções adequadas a todas as questões.
    • A persuasão de que, diante dos acontecimentos atuais, todo esforço bem dirigido para se opor a certas atividades malfazejas será útil, por ser talvez mais adaptado a atingir determinado ponto.
    • A referência, em linguagem que alguns compreenderão, à necessidade de espalhar luz para dissipar todas as emanações do “Satélite sombrio”.
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