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QUANTIDADE ESPACIAL E ESPAÇO QUALIFICADO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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A extensão espacial não se reduz exclusivamente à quantidade, uma vez que a homogeneidade absoluta exigida pelo mecanismo de René Descartes implicaria um continente sem conteúdo, o que é impossível na manifestação, onde os dois termos são correlatos e simultâneos.
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O espaço físico, que contém os corpos, é necessariamente heterogêneo, pois a presença de cada objeto determina uma diferença qualitativa na porção de extensão ocupada.
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A tentativa de René Descartes de reduzir a natureza dos corpos à extensão e suas propriedades a meras modificações quantitativas cai em contradição ao tentar derivar o mais do menos.
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Se a extensão fosse desprovida de elementos qualitativos, as propriedades diversas dos corpos seriam inexplicáveis, revelando a insuficiência de qualquer teoria puramente mecanista para explicar o mundo sensível.
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A situação e a direção constituem os elementos qualitativos intrínsecos à natureza do espaço, demonstrando que a distância quantitativa é insuficiente para definir a localização de um corpo sem o auxílio de uma orientação determinada.
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A redução da situação à distância puramente quantitativa ignora que a direção é indiferente em um meio homogêneo, mas fundamental na realidade do espaço qualificado.
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Mesmo na geometria elemental, a forma das figuras é irredutível à grandeza, como se observa na distinção entre um triângulo e um quadrado de áreas equivalentes.
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A teoria das figuras semelhantes comprova que a similitude é de ordem puramente qualitativa, sendo definida por tendências em direção que independem da dimensão quantitativa.
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O verdadeiro espaço não é a virtualidade homogênea da geometria moderna, mas o espaço qualificado e determinado por direções que emanam de um centro, formando a cruz de três dimensões essencial ao simbolismo tradicional.
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A geometria perdeu seu sentido profundo ao abandonar a consideração das direções espaciais, as quais regem a constituição das sociedades tradicionais e as leis da orientação ritual.
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A orientação de edifícios e cidades, preservada de forma exterior na posição das igrejas até o início dos tempos modernos, fundamenta-se na realização efetiva dessas condições espaciais qualitativas.
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Nas formas iniciáticas contemporâneas, embora muitas vezes incompreendidas, as considerações de ordem simbólica sobre o espaço mantêm-se como representações especulativas de uma realidade ontológica.
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O espaço e o tempo são condições da existência corpórea distintas da quantidade, possuindo um caráter menos substancial e mais próximo da essência devido à presença de aspectos qualitativos em suas naturezas.
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A inexistência de um espaço vazio demonstra a nulidade das antinomias cosmológicas de Immanuel Kant, pois o espaço não contém o mundo, mas está contido na manifestação.
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O mundo não é infinito, mas limitado pelas determinações que constituem sua natureza, sendo o espaço coextensivo a esse domínio de possibilidades particulares.
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As especulações sobre a eternidade do mundo ou seu início no tempo resultam de questões mal formuladas pela filosofia moderna, pois o tempo e o espaço começam com a própria manifestação contingente.
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A confusão mental característica da época atual, que busca reduzir a qualidade à quantidade, possui uma lógica de conformidade com a marcha do ciclo humano e com as condições cósmicas descendentes.
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O mundo não é eterno por ser contingente e possuir um princípio transcendente que não está contido em si mesmo.
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As discussões indefinidas da filosofia profana desvanecem-se quando reduzidas à realidade de produtos da confusão mental moderna.
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A natureza do tempo, tal como a do espaço, deve ser examinada sob a ótica de suas determinações qualitativas em oposição à concepção puramente mecânica e quantitativa.
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