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A ILUSÃO DAS ESTATÍSTICAS
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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O ponto de vista científico moderno caracteriza-se pela pretensão de reduzir toda a realidade à quantidade, desconsiderando como inexistente ou desprovido de valor o que não pode ser cifrado ou expresso em termos numéricos.
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A ciência oficial contemporânea estende esse método quantitativo inclusive ao domínio psicológico, ignorando que o resíduo assim obtido é incapaz de explicar a essência dos fenômenos.
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A ilusão de extrair conhecimento de avaliações numéricas fundamenta-se na negligência de tudo o que é propriamente essencial, resultando em uma ciência que se debruça apenas sobre a casca exterior das coisas.
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A tendência à uniformidade estabelece o pseudo-princípio da repetição de fenômenos idênticos, o que constitui uma impossibilidade ontológica em virtude do princípio dos indiscerníveis de Leibniz.
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A afirmação de que as mesmas causas produzem os mesmos efeitos é absurda, pois na manifestação sucessiva nunca ocorrem causas ou efeitos rigorosamente idênticos, mas apenas fatos comparáveis sob certos aspectos.
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A crença de que a história se repete ignora que existem apenas correspondências analógicas entre períodos, sem jamais eliminar as diferenças qualitativas intrínsecas ao tempo e ao espaço reais.
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A ciência moderna só pode ser dita exata nas matemáticas puras; em todos os outros domínios, ela consiste em um tecido de aproximações grosseiras e suposições irrealizáveis.
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A fundamentação da ciência na repetição e na acumulação de fatos revela a ilusão quantitativa de que a multidão de constatações empíricas pode servir de prova irrefutável a uma teoria.
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O método empírico moderno é construído ao revés da ciência tradicional: esta partia de princípios universais, enquanto aquela busca certezas em constatações experimentais necessariamente incompletas.
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A ciência profana descarta aspectos qualitativos da experiência sensível, substituindo a realidade por convenções arbitrárias que possuem o mínimo de fundamento na natureza das coisas.
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Quanto mais as teorias científicas se aproximam da quantidade pura, mais se afastam da realidade que pretendem explicar, refugiando-se em abstrações vazias.
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O uso de estatísticas no domínio humano representa o ápice do caráter falacioso da ciência moderna, ao tratar indivíduos e fatos sociais como unidades numéricas intercambiáveis e inteiramente semelhantes.
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As estatísticas deformam a realidade ao pressuporem a identidade de fatos que são comparáveis apenas em uma medida mínima e superficial.
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A exibição de números e cálculos cria uma ilusão de exatidão pseudo-matemática que permite aos especialistas extrair conclusões diametralmente opostas de uma mesma base de dados.
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As ciências ditas exatas, ao pretenderem prever o futuro por meio de estatísticas, tornam-se meramente conjecturais, assemelhando-se a certas formas de astrologia moderna que abandonaram os princípios tradicionais em favor do empirismo.
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A necessidade de simplificação excessiva, típica da mentalidade simplista moderna, acompanha e reforça a tendência de reduzir tudo ao quantitativo, visto que a quantidade é o elemento mais simples da manifestação.
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A despojação das qualidades de um ser produz um resíduo de máxima simplicidade que, no limite, corresponde às unidades numéricas idênticas da multiplicidade pura.
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O desprezo pela complexidade qualitativa é o que permite à ciência moderna aplicar uniformemente o mesmo método a objetos de naturezas absolutamente distintas, como a matéria bruta e o ser humano.
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Essa simplificação sistemática é um dos caracteres mais marcantes da degeneração intelectual que conduz ao reino da quantidade.
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