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OS LIMITES DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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As diferenças qualitativas entre períodos do tempo e fases de um ciclo como o Manvantara implicam mudanças do meio cósmico e do homem que a ciência profana não concebe, pois ela projeta para todo o passado condições semelhantes às do mundo moderno.
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A ciência profana restringe-se ao horizonte do mundo moderno onde nasceu.
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Psicólogos supõem que o homem sempre pensou como o homem atual.
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Historiadores julgam ações antigas e medievais como se fossem contemporâneas, atribuindo os mesmos motivos e intenções.
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Essa projeção resulta de concepções simplificadoras e uniformizantes.
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A conciliação entre uniformização do passado e teorias progressistas e evolucionistas permanece contradição típica da mentalidade moderna.
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As mudanças do meio não se limitam a cataclismos que marcam pontos críticos do ciclo, pois há também modificações contínuas e profundas das condições do meio que transformam seres e coisas para além do que a ciência profana reduz a geologia.
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Cataclismos correspondem a rupturas de equilíbrio e alteram a figura do mundo.
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A perda de um continente afeta o conjunto do meio terrestre por repercussões amplas.
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Modificações graduais acumulam efeitos quase tão consideráveis quanto os cataclismos.
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A interpretação exclusivamente geológica é erro por fixar-se no mais exterior.
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O que se altera são condições profundas do meio, mesmo sem ênfase em detalhes geológicos.
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Modificações artificiais humanas são consequências tornadas possíveis por condições de época.
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A ação humana mais profunda é sobretudo psíquica, como mostram efeitos da atitude materialista.
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O sentido geral dessas mudanças é a solidificação do mundo, que torna as coisas mais conformes às concepções quantitativas, mecanicistas e materialistas, explicando o êxito prático da ciência moderna e a ausência de refutações ostensivas do meio ambiente.
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Em épocas anteriores o mundo era menos sólido do que hoje.
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A separação entre modalidade corporal e modalidades sutis era menos acentuada.
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As faculdades humanas eram menos limitadas e percebiam o que hoje escapa totalmente.
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Possibilidades de outra ordem refletiam-se no corporal e o transfiguravam.
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Relatos de abundância de pedras preciosas podem ter sentido não apenas simbólico.
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O sentido simbólico não exclui referência efetiva, pois toda coisa manifestada é símbolo de realidade superior.
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O valor simbólico de fatos históricos e geográficos pertence a essa correspondência superior.
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A ausência de testemunhos arqueológicos desses aspectos qualitativos explica-se porque os vestígios se solidificaram ao integrar o meio atual e porque os modernos os examinam com faculdades limitadas ao mais grosseiro, incapazes de perceber o que resta de mais sutil.
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Vestígios atuais participam da solidificação e se ajustam às condições presentes.
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O que não se ajustou pode ter desaparecido sem deixar traço.
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Arqueólogos observam com olhos modernos e tratam os vestígios como mecanismos externos.
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A incapacidade de notar elementos sutis acompanha mentalidade e faculdades igualmente limitadas.
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A narrativa de que tesouros se tornam carvão e pedras vulgares para quem não é destinado ilustra a situação dos escavadores modernos.
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A pesquisa histórica profana encontra barreiras no tempo, pois seu ponto de vista moderno limita o acesso às fases antigas, tornando relativa a antiguidade conhecida e instável a cronologia quando se recua além do horizonte comparativo do presente.
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Uma primeira barreira situa-se por volta do século VI antes da era cristã.
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A história assim concebida abrange apenas uma antiguidade relativa.
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Escavações recuam mais, mas sem cronologia segura, com divergências de séculos ou milênios.
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Civilizações mais remotas não se tornam inteligíveis por falta de termos de comparação atuais.
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Mesmo a antiguidade clássica e a Idade Média são deformadas por historiadores modernos.
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Achados mais antigos não ultrapassam aproximadamente o início do Kali-Yuga, que constitui segunda barreira.
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Uma terceira barreira corresponderia ao último grande cataclismo, a desaparecimento da Atlântida.
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Antes de ultrapassar esse ponto, o mundo moderno teria tempo de desaparecer.
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Discussões profanas sobre idade de ouro, tradição primordial e dilúvio são vãs por estarem fora de alcance.
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A negação moderna decorre de investigações fundadas em ponto de vista falso e estreito.
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A pretensa superioridade moderna equivale à cegueira que negaria a existência da luz.
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As limitações da história profana aplicam-se também à geografia, pois descrições antigas e medievais diferem das modernas sem que haja cataclismo correspondente, indicando perda de percepção moderna e atrofia de faculdades com a solidificação do mundo.
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Comparações entre geógrafos antigos e modernos sugerem países quase diferentes.
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Não há necessidade de recuar além da Idade Média para notar o contraste.
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Explicar tudo por erro antigo é simplificação negativa que supõe perturbação generalizada anterior.
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A hipótese inversa é que os modernos veem mal ou deixam de ver certos aspectos.
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O lema de terra totalmente descoberta pode ser ilusão.
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A redução do mundo antigo ao horizonte clássico ocidental é estreitamento indevido.
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O desconhecido não é necessariamente misterioso para os antigos, mas torna-se assim para quem não compreende.
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A sequência de maravilhas, curiosidades e leis gerais descreve etapas de limitação das faculdades humanas.
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A geografia moderna nasce nos séculos XVII e XVIII, com a mentalidade racionalista.
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Nesse momento as faculdades superiores estavam atrofiadas e o mundo solidificado.
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A geografia tradicional inclui geografia sagrada e simbolismo geográfico que estabelecem correspondências com realidades superiores, exigindo percepção efetiva dessas correspondências e reconhecendo lugares favoráveis a influências espirituais ou a influências opostas do domínio sutil.
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Uma ciência tradicional e uma ciência profana podem ter o mesmo nome e ainda assim estar separadas por abismo.
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Há simbolismo geográfico como há simbolismo histórico.
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A significação profunda provém do valor simbólico e da correspondência superior.
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Certos lugares servem de suporte a influências espirituais e fundamentam centros tradicionais.
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Oráculos antigos e lugares de peregrinação são exemplos exteriores desses centros.
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Há lugares propícios a influências de caráter oposto e inferior do domínio sutil.
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Expressões como porta dos céus e boca dos infernos designam tais disposições.
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A espessura psicofisiológica do ocidental moderno impede sentir qualquer diferença nesses lugares.
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A redução das comunicações entre corporal e sutil torna as percepções raras e difíceis.
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A atrofia dessas faculdades na média humana permite ridicularizar relatos antigos.
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Descrições de seres estranhos em relatos antigos podem resultar de confusões introduzidas por degenerescência tradicional, combinando sobrevivências simbólicas incompreendidas, manifestações de entidades e influências sutis, e eventualmente espécies corporais desaparecidas ou raras.
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Parte das descrições deriva de sobrevivências de simbolismo já não compreendido.
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Parte refere-se a aparências de entidades ou influências do domínio sutil.
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Parte pode descrever seres corporais de espécies desaparecidas ou hoje excepcionalmente raras.
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O mundo ainda pode conter desconhecidos apesar da convicção moderna contrária.
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Discernir o fundo dessas descrições exigiria trabalho longo e fontes mais puras do que as disponíveis.
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A rejeição total moderna persiste até que novos mudanças na figura do mundo abalem sua segurança ilusória.
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