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guenon:rqst:xvii
SOLIDIFICAÇÃO DO MUNDO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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A realização moderna de um mundo conforme à concepção materialista compreende-se pela correspondência constante entre ordem humana e ordem cósmica, cujos estados se influenciam mutuamente segundo a doutrina dos ciclos.
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Ordem humana e ordem cósmica não são separadas, mas solidárias.
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Cada uma reage continuamente sobre a outra.
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Fases críticas da história humana correspondem a cataclismos ligados a períodos astronômicos.
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Essas correspondências existem de modo contínuo, ainda que nem sempre perceptível.
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No desenvolvimento cíclico, a manifestação cósmica e a mentalidade humana seguem conjuntamente uma marcha descendente caracterizada como materialização progressiva do meio, condição para o surgimento da concepção materialista.
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A descida afasta gradualmente do princípio e da espiritualidade essencial.
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A materialização do meio torna possível a atitude materialista.
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Sem essa materialização, o materialismo não teria aparência de justificação.
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A ideia moderna de matéria expressa apenas uma tendência limite jamais plenamente realizável.
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A matéria concebida como pura quantidade e inércia absoluta não pode existir efetivamente.
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A materialização é tendência real; a materialidade absoluta é estado irrealizável.
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As leis mecânicas modernas são aproximações incapazes de exatidão rigorosa.
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O mundo sensível adquire aparência de sistema fechado por simplificação grosseira.
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Pode-se falar também em solidificação como termo mais preciso dessa tendência.
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A densidade e a impenetrabilidade dos corpos sólidos produzem a ilusão de materialidade.
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A solidificação explica o êxito prático da ciência moderna.
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O industrialismo moderno seria impossível em fases menos solidificadas.
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A projeção do mecanicismo atual sobre civilizações antigas ignora as determinações qualitativas do tempo.
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A solidificação envolve também modificação psicofisiológica do homem.
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A separação absoluta entre ordens de existência é impossível.
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A fabricação do mundo moderno iniciou-se pela concentração exclusiva no sensível.
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A pretensão de ampliar os limites do mundo conhecido contrasta com sua efetiva redução.
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O homem atua como fator ativo nas modificações do mundo, e a difusão da concepção materialista reforça a solidificação que a tornou possível, alterando as reações do meio cósmico conforme a atitude humana.
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O homem ocupa posição central no mundo.
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As transformações não se limitam às modificações industriais do meio.
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A concepção materialista intensifica a solidificação do mundo.
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Certos aspectos da realidade tornam-se inacessíveis ao olhar profano.
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A inacessibilidade constitui fato objetivo, não metáfora.
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A ausência de constatação reforça a crença materialista por prova negativa.
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Elementos suprassensíveis retiram-se do campo de observação profano.
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O fechamento do mundo sensível completa-se pela limitação das faculdades humanas.
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O mundo solidificado parece sistema mecânico fechado.
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O homem tende a mecanizar-se conforme o mundo que mecanizou.
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A solidificação nunca pode ser completa e torna-se tanto mais precária quanto mais avança, aproximando-se de um equilíbrio instável cuja ruptura anuncia possível dissolução.
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A materialização extrema seria incompatível com qualquer existência real.
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A realidade inferior é a mais instável.
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A aceleração das mudanças contemporâneas manifesta essa instabilidade.
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O sistema fechado apresenta fissuras e caráter artificial.
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Indícios múltiplos apontam para ruptura iminente de equilíbrio.
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O mecanicismo pode já pertencer ao passado em certo sentido.
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Suas consequências persistem por meio da vulgarização e do ensino.
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A noção de matéria tende a dissolver-se.
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Esse desaparecimento não indica superação, mas possível avanço rumo à dissolução final.
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