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MITOLOGIA CIENTÍFICA E VULGARIZAÇÃO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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A persistência de teorias abandonadas pelos próprios sábios deixa sobrevivências na mentalidade comum, pois a ciência profana constrói hipóteses empíricas frágeis e mutáveis que não podem ser garantidas pelos fatos e acabam adquirindo caráter convencional e irreal.
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A ciência profana, ao ultrapassar a simples observação, ergue teorias puramente hipotéticas.
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Fatos admitem explicações diversas e não asseguram a verdade de teoria alguma.
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As hipóteses são mais guiadas por ideias preconcebidas e tendências modernas do que pela experiência.
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A rapidez com que hipóteses são substituídas evidencia sua falta de solidez.
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Os próprios sábios tendem a tratá-las como convenções e modos de falar.
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Esse caráter irreal anuncia avanço em direção à dissolução final.
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O mecanicismo cartesiano já fora entendido por Leibniz como representação das aparências sem valor explicativo.
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O perigo principal das teorias ilusórias reside no efeito dogmático que produzem no grande público por se apresentarem como científicas, sobrevivendo na instrução elementar e na divulgação em forma simplificada, afirmativa e antitradicional.
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O público aceita hipóteses como dogmas e as mantém mesmo após seu abandono pelos sábios.
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A instrução elementar e a divulgação preservam essas hipóteses por longos períodos.
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A apresentação é simplificada e afirmativa, ocultando seu caráter hipotético.
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Essas doutrinas pretendem substituir dogmas religiosos em espírito antitradicional.
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Teorias evolucionistas exemplificam esse papel de substituição.
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Divulgadores atacam ideias tradicionais e operam na subversão intelectual.
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Forma-se uma mitologia cientificista em sentido depreciativo.
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A mitologia cientificista manifesta-se exemplarmente na imaginação pública sobre átomos e subelementos, tomados como entidades tangíveis apesar de serem, para os físicos, imagens de linguagem e apesar de o termo átomo contradizer a própria divisibilidade postulada.
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A física recente multiplica componentes e dissolve o sentido literal de indivisível.
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Persistência do nome átomo ocorre apesar da incoerência lógica.
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O público acredita em entidades observáveis e tocáveis mediante sentidos ou instrumentos mais potentes.
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Essa crença convive com zombaria das concepções antigas incompreendidas.
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A deformação popular atual é mais material e mais generalizada, reforçada pela instrução obrigatória profana e rudimentar.
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A sobrevivência de hipóteses leva à superposição confusa de elementos teóricos distintos e à aceitação de contradições, e suas transposições para outros domínios produzem fantasmagorias do neo-espiritualismo por materialização do suprassensível.
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Representações heterogêneas combinam-se em imagens vulgares contraditórias.
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Tendências à solidificação e à dissolução atuam simultaneamente rumo à catástrofe final.
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Neo-espiritualismos transportam conceitos sensíveis para o suprassensível.
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O suprassensível é concebido sob tipo de coisas sensíveis, sob influência materialista.
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Ocultismo e teosofia buscam aproximação com teorias científicas modernas.
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A semelhança entre escola ocultista e teoria científica permite datar a escola por suas referências.
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A entrada do manejo de influências psíquicas no domínio profano, desde o século XVIII, acompanha o materialismo e inaugura fase dissolvente, na qual concepções de fluidos corporificam o sutil por meio do magnetismo animal e influenciam escolas posteriores.
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Concepções de fluidos representavam forças físicas na época.
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O magnetismo animal transporta o fluido do corpóreo ao sutil, corporificando o que é sutil.
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Magnetizadores precedem o neo-espiritualismo e influenciam espiritismo e ocultismos.
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Fenômenos do magnetismo são elementares, mas sua influência cultural é ampla.
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O magnetismo desviou organizações iniciáticas de trabalhos sérios e parece ter sido lançado no momento oportuno.
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A mitologia atual substitui fluidos por ondas e radiações, como na radiestesia, mantendo a mesma materialização ao tratar influências psíquicas e até o pensamento como propagação corpórea imaginada.
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A linguagem de fluidos persistiu no século XIX e além, inclusive em expressões rotineiras.
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O espiritismo herda o modelo fluidista por vínculo estreito com o magnetismo.
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A existência de sujeitos magnéticos prepara a figura dos médiuns espíritas.
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Magnetizadores e espíritas continuam a crer em fluidos apesar de proclamarem o progresso.
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Radiestesia interpreta influências sutis como ondas e radiações no espaço.
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A materialização torna-se mais insidiosa sob formas menos grosseiras.
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A mentalidade moderna permanece incapaz de conceber além da imaginação sensível.
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As visões de clarividentes refletem imagens mentais moldadas por teorias adotadas, e o delírio da quarta dimensão exemplifica perigo da divulgação ao tomar construção algébrica por realidade física e aplicá-la literalmente a fenômenos.
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Clarividentes veem fluidos, radiações, átomos e elétrons conforme crenças de escola.
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A hipergeometria é construção algébrica expressa em termos geométricos.
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Psiquistas usaram a quarta dimensão para explicar atravessamentos aparentes de sólidos.
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A passagem pela quarta dimensão foi tomada como fato e não como imagem aceitável de interferências entre domínios.
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Ocultismos recentes edificam teorias sobre a quarta dimensão sob influência da física nova.
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Ocultismo e ciência moderna convergem à medida que a desintegração avança.
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A discussão serve de transição para considerações sobre a solidificação do mundo.
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