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DA ESFERA AO CUBO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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A solidificação do mundo pode ser figurada simbolicamente como passagem gradual da esfera ao cubo, pois a esfera é a forma primordial menos especificada e universal, enquanto o cubo é a forma maximamente especificada e estabilizada.
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A esfera é semelhante a si mesma em todas as direções.
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Em qualquer rotação em torno do centro, suas posições são superponíveis.
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A esfera contém virtualmente as demais formas, que surgem por diferenciações direcionadas.
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A esfera é, em todas as tradições, a forma do Ovo do Mundo.
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O Ovo do Mundo representa o conjunto global, embrionário, das possibilidades de um ciclo.
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O estado primeiro do mundo pertence à manifestação sutil, anterior à manifestação grosseira.
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A forma esférica perfeita, ou o círculo correspondente no plano, não se realiza jamais no mundo corporal.
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O cubo é a forma mais parada e mais especificada, simbolizando o máximo de solidez e a estabilidade como imobilidade, sendo por isso associado à terra como elemento final do estado corporal e ao ponto de parada do movimento cíclico.
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O cubo é relacionado à terra entre os elementos corporais.
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A terra é o elemento terminante e final da manifestação corporal.
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O cubo corresponde ao fim do ciclo e ao ponto de parada do movimento.
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O cubo é o sólido por excelência e simboliza estabilidade como cessação do movimento.
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Um cubo apoiado sobre uma face apresenta equilíbrio de máxima estabilidade.
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O termo descendente culmina na imobilidade, cujo análogo corporal é o mineral.
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A imobilidade extrema seria reflexo inverso da imutabilidade principial.
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O cubo refere-se ao polo substancial, assim como a esfera refere-se ao polo essencial.
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O cubo simboliza base e fundamento, próprios do polo substancial.
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As faces do cubo orientam-se segundo as três dimensões do espaço e seus três planos de medida.
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A cruz tridimensional parte do centro de uma esfera cujo raio indefinido preenche o espaço.
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A relação entre esfera e cubo implica inversão em que o interior central da esfera se volta para a exterioridade do cubo.
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O simbolismo céu-terra associa formas circulares e esféricas ao céu e formas quadradas e cúbicas à terra, equivalendo a correlações como essência e substância e permitindo aplicação a diferentes níveis da manifestação.
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A tradição extremo-oriental correlaciona Terra, Ti, com Céu, Tien.
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Céu e Terra equivalem a Purusha e Prakriti na doutrina hindu.
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O mesmo simbolismo aplica-se tanto a um estado particular quanto à manifestação universal.
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Compasso e esquadro correspondem, respectivamente, ao traçado do círculo e do quadrado.
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Essas correspondências fundamentam aplicações simbólicas e rituais em tradições orientais e iniciáticas ocidentais.
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O simbolismo do Paraíso terrestre e da Jerusalém celeste evidencia as duas extremidades do ciclo atual, com forma circular no começo e quadrada no fim, indicando transformação de um mesmo princípio central e fixação final das possibilidades do ciclo.
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O Paraíso terrestre do começo do ciclo é circular.
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A Jerusalém celeste do fim do ciclo é quadrada.
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O círculo do Paraíso terrestre é seção horizontal do Ovo do Mundo.
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O círculo pode ser considerado como tornando-se um quadrado no termo do ciclo.
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A presença do mesmo Árvore da Vida no centro indica dois estados de uma mesma realidade.
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O quadrado figura a conclusão das possibilidades antes em germe no círculo.
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O resultado final pode ser representado como cristalização, ligada ao cubo.
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O início é jardim com simbolismo vegetal e elaboração vital dos germes.
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O fim é cidade com simbolismo mineral e fixação estabilizada.
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As pedras preciosas indicam mineral transformado e sublimado na Jerusalém celeste.
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A fixação é definitiva apenas em relação ao ciclo atual.
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Após o ponto de parada, a Jerusalém celeste torna-se o Paraíso terrestre do ciclo futuro.
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O começo do novo ciclo e o fim do anterior são um único momento visto de lados opostos.
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A imagem da roda que cessa de girar exprime a fim do tempo, pois o círculo, se se tornasse quadrado, não poderia mais rolar, e a tradição dos doze sóis indica reintegração dos aspectos cíclicos na unidade primordial.
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A roda é figura circular associada ao movimento do ciclo.
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A transformação em quadrado implica necessariamente parada.
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O momento aparece como fim do tempo.
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Na tradição hindu, doze sóis brilharão simultaneamente.
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O tempo mede-se pelo percurso do sol pelos doze signos do zodíaco.
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Com a rotação cessando, os doze aspectos fundem-se em um só.
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A quadratura do círculo, tomada simbolicamente, só se realiza no fim do ciclo.
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A afirmação de insolubilidade coincide com a impossibilidade de realização antes do termo cíclico.
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A solidificação possui duplo sentido, pois é sinistra como descida rumo à quantidade, mas necessária para preparar negativamente a fixação final dos resultados do ciclo, que se tornam germes do ciclo seguinte mediante intervenção transcendente que efetua o retorno e restaura o estado primordial.
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A solidificação, no curso do ciclo, significa afastamento da espiritualidade.
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A solidificação prepara a fixação última sob a forma da Jerusalém celeste.
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Os resultados fixados tornam-se germes das possibilidades do ciclo futuro.
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A restauração do estado primordial exige intervenção imediata de princípio transcendente.
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Sem essa intervenção, o cosmos se dissolveria no caos.
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O retorno final é figurado pela transmutação do mineral em pedras preciosas.
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O Paraíso terrestre reaparece no mundo visível com novos céus e nova terra.
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Trata-se do início de outro Manvantara e da existência de outra humanidade.
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