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OS MALFEITOS DA PSICANÁLISE

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • As tendências mais recentes da psicologia, particularmente a psicanálise, apresentam uma aplicação prática extremamente perigosa ao manejar elementos do mundo sutil, embora muitos psicólogos o façam ainda sob uma atitude materialista e ignorando a verdadeira natureza desses elementos, coexistindo com uma psicologia de laboratório que reduz a psicologia a uma ciência quantitativa.
    • As escolas mais recentes de psicologia, como a psicanálise, apresentam um aspecto mais perigoso que as simples vistas teóricas da filosofia, pois encontram uma aplicação prática de caráter inquietante.
    • Muitos psicólogos, apesar de manejarem elementos do mundo sutil, mantêm uma atitude materialista devido à sua formação anterior e ignorância sobre a natureza desses elementos, o que é um traço singular da ciência moderna, que não sabe exatamente com o que lida.
    • Uma certa “psicologia de laboratório”, que é uma espécie de ramo acessório da fisiologia e visa reduzir a psicologia a uma ciência quantitativa, coexiste com as teorias e métodos novos.
  • O fato de a psicologia atual se ocupar exclusivamente do “subconsciente” e jamais do “superconsciente” revela uma extensão que se opera unicamente pelo lado inferior do ser humano, ligando-se às “fissuras” por onde penetram influências maléficas do mundo sutil, e levando a uma ilusão que considera os estados mais inferiores como mais “profundos”, além de pretender assimilar ao subconsciente tudo o que se relaciona com o superconsciente, como a religião e o misticismo, numa verdadeira subversão.
    • A psicologia atual ocupa-se apenas do “subconsciente” e não do “superconsciente”, o que indica uma extensão unicamente pelo lado inferior, correspondente às “fissuras” por onde penetram as influências mais maléficas do mundo sutil, de caráter “infernal”.
    • O termo “inconsciente”, por vezes usado como sinônimo, é menos exato e talvez reflita um simples preconceito materialista ou mecanicista, pois não se justifica admitir a existência de algo verdadeiramente inconsciente.
    • Há uma ilusão pela qual os psicólogos consideram estados tanto mais “profundos” quanto mais inferiores são, indo contra a espiritualidade, que é a verdadeira profundidade por tocar o princípio e o centro do ser.
    • O domínio da psicologia, não se estendendo para o alto, permanece fechado ao “superconsciente”, e, quando encontra algo que a ele se refere, pretende anexá-lo assimilando-o ao “subconsciente”, como ocorre em suas explicações sobre religião, misticismo e doutrinas como o Yoga, numa confusão do superior com o inferior que constitui uma verdadeira subversão.
  • Pelo apelo ao “subconsciente”, a psicologia tende a se juntar à metapsíquica e a se aproximar do espiritismo, todos se apoiando nos mesmos elementos obscuros do psiquismo inferior, o que sugere que o verdadeiro papel dessa psicologia no mundo atual é concorrer ativamente para a segunda fase da ação antitradicional, sendo sua pretensão de anexar ao subconsciente coisas que lhe escapem um aspecto até ingênuo desse papel, mas o lado verdadeiramente “satânico” se revela em outras manifestações.
    • A psicologia, pelo apelo ao “subconsciente”, tende a juntar-se à “metapsíquica” e a aproximar-se do espiritismo e de coisas similares, que se apoiam nos mesmos elementos obscuros do psiquismo inferior.
    • Se essas coisas de origem suspeita figuram como movimentos “precursores” e aliados da psicologia recente, e se esta introduz tais elementos no domínio da ciência “oficial”, é difícil pensar que seu verdadeiro papel não seja o de concorrer ativamente para a segunda fase da ação antitradicional.
    • A pretensão da psicologia de anexar ao “subconsciente” coisas que lhe escapam pela natureza, embora subversiva, é ainda um aspecto “ingênuo” desse papel, incomparavelmente menos grave que o lado verdadeiramente “satânico” que se revela na psicologia nova.
  • O caráter “satânico” da psicologia nova manifesta-se com particular nitidez em suas interpretações do simbolismo, nas quais, diferentemente das explicações por elementos puramente humanos, opera-se uma redução ao “infra-humano” que constitui uma subversão total, cuja marca ignóbil e repugnante se assemelha à encontrada em certas manifestações espíritas, indicando que psicanalistas e espíritas, ainda que inconscientes, são igualmente conduzidos por uma mesma vontade subversiva.
    • O caráter “satânico” aparece nas interpretações psicanalíticas do simbolismo, nas quais, ao contrário das interpretações anteriores por elementos humanos, opera-se uma redução ao “infra-humano”, uma subversão total, que é, em si mesma, propriamente “satânica”.
    • O caráter ignóbil e repugnante das interpretações psicanalíticas constitui uma “marca” que não engana, e essa mesma “marca” se encontra também em certas manifestações espíritas, o que não pode ser mera “coincidência”.
    • Psicanalistas e espíritas, na maioria dos casos, podem ser tão inconscientes do que há sob esses fenômenos quanto os espíritas, mas uns e outros aparecem como igualmente “conduzidos” por uma vontade subversiva que utiliza elementos do mesmo ordem, uma vontade certamente consciente nos seres em que se encarna e que responde a intenções muito diferentes do que imaginam os instrumentos inconscientes.
  • A aplicação terapêutica da psicanálise é extremamente perigosa, pois, sob a ilusão de seus praticantes sobre a beneficência de seus resultados, ela traz à superfície e torna consciente todo o conteúdo do “subconsciente” de um ser já psiquicamente fraco, incapaz de resistir a essa “subversão” e correndo o risco de sucumbir nesse caos de forças tenebrosas ou de guardar para sempre uma “mácula” inapagável.
    • O uso principal da psicanálise, sua aplicação terapêutica, é extremamente perigoso para os que a ela se submetem e para os que a exercem, pois são coisas que não se manejam impunemente, podendo ser vista como um meio de aumentar o desequilíbrio do mundo moderno e conduzi-lo à dissolução final.
    • Os que praticam esses métodos estão persuadidos da beneficência de seus resultados, e é graças a essa ilusão que sua difusão é possível, revelando a diferença entre suas intenções e a vontade que preside à obra da qual são colaboradores cegos.
    • A psicanálise tem por efeito trazer à superfície, tornando-o claramente consciente, todo o conteúdo dos “baixios” do ser que formam o “subconsciente”.
    • O ser submetido a esse tratamento já é psiquicamente fraco por hipótese, pois do contrário não recorreria a ele, sendo portanto menos capaz de resistir a essa “subversão” e arriscando-se a soçobrar irremediavelmente no caos de forças tenebrosas desencadeadas, ou, se escapar, a guardar para toda a vida uma “mácula” inapagável.
  • A tentativa de assimilar a psicanálise à “descida aos Infernos” do processo iniciático é uma falsa e perigosa contrafação, pois, ao contrário daquela, que é seguida de uma subida e implica a eliminação de possibilidades inferiores para se elevar a estados superiores, a psicanálise representa uma “queda no brejo”, na qual as possibilidades inferiores se apoderam do ser e o submergem inteiramente, correspondendo, macrocósmica e microcosmicamente, às “trevas exteriores”.
    • A possível objeção de uma similitude entre a psicanálise e a “descida aos Infernos” do processo iniciático é completamente falsa, pois o objetivo e as condições do “sujeito” são inteiramente diversos, tratando-se de uma espécie de paródia profana e de uma “contrafação” inquietante.
    • A pretensa “descida aos Infernos” da psicanálise, não seguida de nenhuma “subida”, é simplesmente uma “queda no brejo”, como a que figurava nos Mistérios antigos, onde os profanos que pretendiam à iniciação sem serem qualificados caíam, vítimas da própria imprudência.
    • Existem tais “brejos” na ordem macrocósmica e na ordem microcósmica, ligando-se à questão das “trevas exteriores” mencionadas em textos evangélicos.
    • Na “descida aos Infernos”, o ser esgota definitivamente certas possibilidades inferiores para poder elevar-se aos estados superiores; na “queda no brejo”, as possibilidades inferiores apoderam-se dele, dominam-no e submergem-no inteiramente.
  • A contrafação psicanalítica se estende à denaturação do simbolismo e à assimilação de métodos de realização espiritual, como o Yoga, a procedimentos terapêuticos, o que é ainda mais perigoso que as deformações grosseiras, pois, sob aparências mais sutis, nega o objetivo espiritual do Yoga e o aplica a seres desequilibrados, para os quais seus métodos não são destinados, já que o Yoga exige, ao contrário, seres perfeitamente equilibrados e qualificados para o desenvolvimento espiritual.
    • A impressão de “contrafação” é reforçada pela denaturação do simbolismo e pela atitude assumida em relação à religião e a doutrinas metafísicas e iniciáticas como o Yoga, que são assimiladas a procedimentos terapêuticos da psicanálise.
    • Essa deformação sutil é mais perigosa que as deformações mais grosseiras, como a que vê no Yoga uma “cultura física” ou terapêutica fisiológica, pois estas, por sua grosseria, são menos capazes de seduzir certos espíritos.
    • O objetivo puramente espiritual do Yoga é totalmente desconhecido nessa interpretação; o Yoga não é uma terapêutica psíquica nem corporal, e seus procedimentos não são um tratamento para doentes ou desequilibrados.
    • Os métodos do Yoga dirigem-se exclusivamente a seres que, para realizar o desenvolvimento espiritual, devem ser já, por suas disposições naturais, tão perfeitamente equilibrados quanto possível, condições que se enquadram estritamente na questão das qualificações iniciáticas.
  • A necessidade imposta ao psicanalista de ser previamente “psicanalisado” revela uma imitação da transmissão iniciática, mas, em vez de um desenvolvimento espiritual, opera-se um desenvolvimento do psiquismo inferior que deixa uma marca inapagável, assemelhando-se antes a uma transmissão de caráter mágico ou de feitiçaria, cuja origem obscura, ao exigir que os primeiros psicanalistas tivessem sido “psicanalisados” por alguém, sugere uma “marca” sinistra que aproxima a psicanálise de certos “sacramentos do diabo”.
    • A necessidade imposta a quem quer praticar a psicanálise de ser previamente “psicanalisado” implica o reconhecimento de que a operação deixa uma marca inapagável, como a iniciação, mas em sentido inverso, tratando-se de um desenvolvimento do psiquismo inferior.
    • Há nisso uma imitação manifesta da transmissão iniciática, mas, pela diferença da natureza das influências, essa transmissão assemelha-se antes à que se pratica na magia ou na feitiçaria.
    • A origem dessa transmissão é obscura: sendo a invenção da psicanálise recente, donde os primeiros psicanalistas tiraram os “poderes” que transmitem a seus discípulos, e por quem foram eles mesmos “psicanalisados” primeiramente?
    • Essa questão, lógica mas indiscreta, provavelmente não terá resposta satisfatória, mas a semelhança da transmissão psíquica com certos “sacramentos do diabo” é uma “marca” verdadeiramente sinistra.
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