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A PSEUDO-INICIAÇÃO

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • A qualificação de “satânica” para a ação antitradicional estudada independe das personificações particulares de “Satanás”, referindo-se ao espírito de negação e subversão que ele representa metafisicamente e à sua “encarnação” no mundo terrestre através da “contra-iniciação”, entidade distinta da “pseudo-iniciação”, que é apenas uma das múltiplas contrafações, ainda que de especial importância, produzidas pelo estado de desordem e confusão moderna.
    • A qualificação de “satânica” para a ação antitraditional é independente das personificações particulares de “Satanás”, referindo-se ao espírito de negação e subversão em que ele se resolve metafisicamente e ao que o “incarna” no mundo terrestre, a “contra-iniciação”.
    • A “pseudo-iniciação” é algo muito diferente da “contra-iniciação”, sendo apenas uma contrafação, um dos múltiplos exemplos de produtos do estado de desordem e confusão provocado pela ação “satânica” que tem seu ponto de partida consciente na “contra-iniciação”.
    • A “pseudo-iniciação” pode ser, inconscientemente, um instrumento da “contra-iniciação”, assim como todas as outras contrafações, cada uma desempenhando um papel mais ou menos importante na realização do plano de subversão.
  • A “contra-iniciação” é uma realidade efetiva em seu domínio, que é o “mundo intermediário” ou psíquico, agindo como uma sombra invertida que se opõe à iniciação, enquanto a “pseudo-iniciação” é uma paródia vazia de realidade profunda, mas cujo perigo reside na impossibilidade de simular impunemente ritos de natureza “sagrada” e no fato de que ataca o lado interior da tradição, o domínio esotérico e iniciático.
    • A “contra-iniciação” não é uma contrafação ilusória, mas algo muito real em seu domínio, imitando a iniciação como uma sombra invertida, embora sua verdadeira intenção seja opor-se a ela.
    • O domínio metafísico e espiritual é interdito à “contra-iniciação”, que não pode ir além do “mundo intermediário”, o domínio psíquico, campo de influência privilegiado de “Satanás”.
    • A “pseudo-iniciação” é uma paródia pura e simples, vazia de realidade profunda, de valor nulo, mas seu perigo reside na impossibilidade de simular impunemente ritos de natureza “sagrada”.
    • As contrafações “pseudo-tradicionais” atingem seu máximo de gravidade porque se traduzem por uma ação efetiva e porque atacam o lado interior da tradição, o domínio esotérico e iniciático.
  • A “contra-iniciação” introduz seus agentes nas organizações “pseudo-iniciáticas” e em todos os movimentos do mundo contemporâneo para exercer uma ação dissolvente, mas é nas primeiras que concentra esforços por sua natureza antitraditional, utilizando-as como um “motor invisível” de caráter puramente mecânico que comanda muitos outros, imitando a função da iniciação, mas sem o espírito, o que justifica o predomínio da máquina e do autômato no mundo atual.
    • A “contra-iniciação” introduz seus agentes nas organizações “pseudo-iniciáticas”, “inspirando-as” à revelia de seus membros e chefes, e também em outros “movimentos” contemporâneos e até em organizações tradicionais enfraquecidas.
    • O caso das organizações “pseudo-iniciáticas” é o que mais retém a atenção da “contra-iniciação”, por sua obra ser antes de tudo antitradicional.
    • Existem múltiplos laços entre as manifestações “pseudo-iniciáticas” e outras coisas representativas do espírito moderno, nas quais os “pseudo-iniciados” desempenham um papel importante.
    • A “pseudo-iniciação” é um “motor invisível” que comanda muitos outros, imitando a função da iniciação, mas, como o espírito está ausente, sua ação é puramente “mecânica”, o que se reflete no mundo atual, onde a máquina invade tudo e o ser humano é reduzido a um autômato por ter sido destituído de espiritualidade.
    • A “pseudo-iniciação” tem a vantagem de uma certa “invisibilidade” para exercer uma ação discreta, e a indiferença do público, que a vê como mera “excentricidade”, serve aos mesmos desígnios.
  • As organizações “pseudo-iniciáticas” fabricam falsas tradições principalmente pelo “sincretismo”, reunindo elementos de várias procedências sem compreensão real e os agrupando em torno de “ideias diretrizes” modernas e profanas, como a ideia de “evolução”, o que resulta em desnaturação e desvirtuamento dos elementos emprestados, num processo em que a inconsciência dos agentes, vítimas de sugestões, não diminui o perigo de servir aos fins da “contra-iniciação”.
    • Um dos principais meios de fabricar falsas tradições é o “sincretismo”, que reúne elementos de várias tradições sem compreensão real, justapondo-os exteriormente.
    • Para dar uma aparência de unidade, agrupam-se esses elementos em torno de “ideias diretrizes” que são concepções profanas e modernas, como a ideia de “evolução”, agravando a desnaturação e o desvirtuamento do sentido tradicional dos elementos emprestados.
    • Os que agem assim podem não ser conscientes, devido à mentalidade moderna e às “sugestões” de que são vítimas, mas isso não atenua o perigo de servirem aos fins da “contra-iniciação”, que pode ter ou não intervido diretamente na formação dessas “pseudo-tradições”.
    • A inconsciência dos elaboradores de “pseudo-tradições” é frequente, embora sua boa-fé seja questionável; certas “anomalias” psíquicas, como a ação de “clarividentes”, também desempenham um papel nesse terreno.
    • Um ponto onde a fraude consciente se torna necessidade é quando os dirigentes, confrontados com a descoberta de seus empréstimos, invertem os fatos e declaram sua própria “tradição” como a fonte comum de todas as outras, encontrando sempre ingênuos que acreditam em suas palavras.
  • Exemplos característicos do procedimento sincrético são a pretensa “tradição oriental” dos teosofistas e a “tradição ocidental” dos ocultistas, ambas constituídas por terminologias mal compreendidas e ideias modernas, bem como a apropriação do nome de tradições extintas, como no caso das múltiplas organizações que se intitulam “rosacrucianas”, todas em contradição entre si e usurpando um nome cuja tradição autêntica pertence ao passado.
    • A pretensa “tradição oriental” dos teosofistas foi constituída pelo procedimento sincrético, com terminologia oriental mal compreendida e mal aplicada.
    • Os ocultistas franceses, por oposição, edificaram uma pretensa “tradição ocidental” do mesmo gênero, com elementos como os da Cabala, interpretados de maneira especial, e apresentaram seu “sincretismo” como uma “síntese”.
    • Os teosofistas tinham à sua origem influências enigmáticas, enquanto os ocultistas sabiam que sua obra era apenas de algumas individualidades, embora algo mais possa ter-se introduzido posteriormente.
    • Denominações como “tradição oriental” ou “tradição ocidental” são vagas demais para designar formas tradicionais definidas, pois há formas múltiplas tanto no Oriente como no Ocidente.
    • Outros grupos apropriam-se do nome de alguma tradição que realmente existiu, completando os fragmentos que conhecem com elementos imaginários, mas o exame revela sempre o espírito moderno e as mesmas “ideias diretrizes”, evidenciando a contrafação.
    • As numerosas organizações que se intitulam “rosacrucianas” são um exemplo de usurpação do nome de uma tradição que pertence ao passado, sendo todas contraditórias entre si e igualmente ilegítimas.
    • O caso da pretensa “Grande Loja Branca” é diferente, pois tal denominação nunca teve caráter tradicional autêntico, podendo servir de “máscara” para algo que, se existir, não é do lado iniciático.
  • A invocação de “Mestres” inacessíveis no espaço ou no tempo, como os situados em regiões remotas da Ásia ou em tradições há muito extintas, é um expediente para tornar as afirmações inverificáveis, baseando-se na ignorância sobre as verdadeiras condições da iniciação e permitindo “reconstituições” fantasiadas, como a predileção de muitos “pseudo-iniciados” pela tradição egípcia, que se presta a interpretações arbitrárias, em contraste com o uso simbólico e não factual de referências históricas em organizações iniciáticas legítimas.
    • A invocação de “Mestres” em regiões inacessíveis da Ásia ou o recurso a tradições desaparecidas há séculos são meios de tornar as afirmações inverificáveis.
    • A pretensão de se ligar a uma tradição extinta, sem filiação direta, revela ignorância das verdadeiras condições da iniciação, imaginando que um simples vínculo “ideal” pode substituir uma transmissão efetiva.
    • Uma tradição tanto mais se presta a “reconstituições” fantasiadas quanto mais completamente perdida e esquecida está, podendo-se fazer com que seus vestígios digam o que se quiser.
    • A predileção de muitos “pseudo-iniciados” pela tradição egípcia explica-se por essa razão, pois não há outra.
    • Essas observações não se aplicam ao uso de referências à Egito ou outras como “lendas” simbólicas em organizações iniciáticas, sem pretensão de origem factual, mas sim às pretensas “restaurações” de tradições extintas, que, mesmo se exatas, não passariam de curiosidade arqueológica.
  • Em suma, as contrafações “pseudo-iniciáticas” da ideia tradicional, características da época atual, são um misto incoerente de elementos emprestados e inventados, dominados por concepções antitradicionais modernas, que fazem passar por “iniciação” o que é profano, e cujo perigo é aumentado pela mistura inextricável de verdade e mentira, que faz servir a verdade ao triunfo da mentira.
    • As contrafações “pseudo-iniciáticas” são um misto mais ou menos incoerente de elementos em parte emprestados e em parte inventados, dominados pelas concepções antitradicionais do espírito moderno.
    • Essas contrafações só podem servir para difundir ainda mais essas concepções, fazendo-as passar por tradicionais, e para dar como “iniciação” o que tem caráter profano ou “profanador”.
    • O fato de haver nelas alguns elementos de proveniência tradicional não atenua o perigo, pois a imitação toma traços do que simula, e a mentira mais funesta é a que mistura o verdadeiro com o falso, fazendo servir aquele ao triunfo deste.
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