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SACRIFÍCIO

HANI, Jean. La divine liturgie: aperçues sur la messe. Paris: Éditions de la Maisnie, 1981

  • A definição da Missa, ou Divina Liturgia, como essencialmente um sacrifício, denominado Santo Sacrifício.
    • A rejeição da concepção da Missa como simples sacrifício de louvor, mera refeição memorial ou apenas comemoração de um sacrifício passado.
    • A caracterização da Missa como memorial do sacrifício violento e sangrento do Gólgota e, ao mesmo tempo, como verdadeiro sacrifício, o mesmo do Gólgota.
    • A atribuição à Missa da virtude de reconciliação e propiciação.
    • O reconhecimento de que a Missa possui um alcance mais vasto, englobando outras realidades sobrenaturais além do sacrifício sangrento.
    • A asserção de que a noção de sacrifício possui uma acepção mais ampla do que a imolação sangrenta de uma vítima.
    • A centralidade da noção de imolação tanto na teologia da Redenção quanto na Missa como sua perpetuação ritual.
    • A necessidade de partir desta realidade central da Missa, o seu núcleo, para compreender a celebração eucarística.
  • A contextualização do sacrifício de Cristo na continuidade da tradição judaica do Antigo Testamento.
    • A análise das diferentes formas de sacrifício da antiga Lei como ponto de partida.
    • A constatação de que a Cruz de Cristo recapitula e transcende os sacrifícios anteriores, recebendo deles, em certa medida, sua explicação.
    • O objetivo de reinserir o sacrifício do Calvário no seu contexto etno-religioso.
    • A subsequente abordagem da análise do sacrifício do ponto de vista fenomenológico e metafísico.
  • A descrição dos vários tipos de sacrifício praticados pelos Hebreus.
    • A oferta de incenso como um sacrifício, a ser tratado posteriormente.
    • O sacrifício não sangrento chamado minha, “oblação”, com origem na oferta das primícias da terra.
      • A composição da minha: galetas de flor de farinha, azeite e incenso.
      • O ritual: parte queimada (consagrada) e parte consumida pelos sacerdotes.
      • A forma mais conhecida: o rito dos “pães da proposição” (lehem panim), em número de doze, representando as doze tribos de Israel.
      • A deposição dos pães no Templo sobre uma mesa de ouro, com incenso queimado sobre cada um.
      • A renovação dos pães a cada sábado, sendo os pães da semana anterior comidos pelos sacerdotes.
  • A descrição dos sacrifícios sangrentos, com destaque para o holocausto.
    • O holocausto (olah) como o mais importante e elemento transcendente do culto.
    • A etimologia grega de “holocausto” como “inteiramente queimado”.
    • O ritual: a vítima (geralmente um touro ou novilho) era sangrada e integralmente consumida pelo fogo no altar.
    • O significado: a vítima era inteiramente consagrada e oferecida a Deus.
    • A etimologia hebraica de olah do verbo alah, “subir”, aludindo à fumaça que sobe ao céu, simbolicamente para a morada celestial de Deus.
    • O derramamento do sangue da vítima nos quatro ângulos do altar.
    • A grande significação deste rito: o sangue em relação com a essência transcendente do homem, que reside no coração.
    • A substituição do animal pelo homem, marcada pelo rito preliminar da semikha: o ofertante impunha as mãos sobre a cabeça da vítima e a apresentava ao altar.
    • O significado da efusão do sangue: o ofertante se religava e se oferecia a Deus pelo altar, seguindo simbolicamente o itinerário do animal, cujas carnes, sublimadas pelo fogo, “subiam” para Deus.
  • A descrição do zebah shelamim, “sacrifício de paz”, praticado nas grandes solenidades.
    • A caracterização como um sacrifício de comunhão com Deus.
    • O ritual: parte da vítima imolada (sangue e gorduras) queimada e oferecida a Deus; o resto servindo de alimento aos fiéis e sacerdotes em um banquete sagrado.
    • As três espécies de zebah shelamim, sendo a mais interessante a zebah todah, “sacrifício de louvor” ou “de ação de graças”.
    • A aplicação destas denominações à Missa, também chamada Eucaristia, “ação de graças”, e designada no ritual latino pela expressão sacrificium laudis.
    • O rito hebraico: início com um canto de ação de graças; imolação da vítima com circumambulação ao redor do altar; oferta de pães e libações de vinho, especialmente um cálice chamado “cálice da salvação”.
    • A origem da expressão “cálice da salvação” no Salmo 115, um dos salmos do Hallel.
    • A recorrência desta expressão na missa romana, na comunhão do sacerdote: “Que retribuirei ao Senhor por todos os seus benefícios? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o Nome do Senhor”.
  • A descrição do sacrifício hattat, um rito de purificação e expiação pelo pecado.
    • O rito: o ofertante impunha as mãos sobre a vítima (novilho, bode, cabra, ovelha, dois pombos ou rolas), parte da qual era queimada e parte consumida pelos sacerdotes.
    • A conexão com a importante cerimônia anual da Festa da Expiação ou do Grande Perdão (yom kippour).
    • O objetivo: purificar os sacerdotes e todo o povo dos pecados do ano.
    • A celebração no dia 10 do mês de tisri.
    • O ritual do Sumo Sacerdote:
      • Oferta de um novilho e um carneiro pelos seus pecados e os de todo o sacerdócio, com imposição das mãos e confissão dos pecados.
      • Oferta de dois bodes e um carneiro pelos pecados do povo.
      • Incensação do santuário.
      • Imolação do novilho e aspersão do santuário com seu sangue.
      • Imolação de um dos bodes e nova aspersão do santuário, do átrio e unção do altar dos holocaustos com seu sangue.
    • O rito particular do segundo bode, o “bode expiatório”:
      • O Sumo Sacerdote estendia as mãos sobre ele, confessava sobre ele os seus pecados e os do povo.
      • A carga dos pecados sobre a cabeça do animal, ao qual se atava uma longa fita escarlate, cor simbólica do pecado para os Judeus.
      • O animal era levado para um lugar deserto e precipitado do alto de um rochedo.
      • O animal “levava” assim os pecados de Israel, daí o nome “bode expiatório”.
  • A importância da Festa da Expiação para compreender o sentido e o alcance do sacrifício de Cristo.
    • A integração por Cristo de todos os ritos sacrificiais anteriores.
    • A particular evidência em relação ao rito do yom kippour, como demonstrado por São Paulo.
    • A citação da Epístola aos Hebreus, onde São Paulo compara Cristo ao Sumo Sacerdote que penetra no Santo dos Santos.
    • A descrição paulina: Cristo, Sumo Sacerdote dos bens futuros, atravessando um tabernáculo mais excelente e perfeito, não feito por mão humana, entrou no santuário uma vez por todas com seu próprio sangue, adquirindo-nos a redenção eterna.
    • O argumento paulino: se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha santificam e purificam o corpo, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a Deus como vítima imaculada, purificará a nossa consciência.
  • A aplicação da comparação paulina a outras formas do sacrifício hebraico.
    • A evidência para o holocausto: o sacrifício de Cristo é o holocausto absoluto.
    • O esboço da Missa já desenhado nas ofertas das primícias e no zebah shelamim.
    • A atenção especial devida ao sacrifício da Páscoa, o sacrifício do Cordeiro pascal e a refeição subsequente, pois foi este tipo que Cristo escolheu para transformar no sacrifício do Novo Testamento.
    • A necessidade de estudar a integração da Páscoa judaica no desenrolar da Divina Liturgia.
  • A descrição da Páscoa judaica como um sacrifício de comunhão.
    • O tipo de sacrifício onde a vítima animal oferecida é inteiramente comida pelos homens em nome da divindade.
    • O oficialmente: o chefe de família e também o sacerdote, pois o sacrifício era oferecido também no Templo.
    • A grande importância do rito para os Judeus, comemorando a libertação da escravidão no Egito e a entrada na Terra Prometida.
    • O significado do nome pesah, “passagem”, simbolizando a passagem do exílio para a Terra Prometida.
    • A “vitalização” deste símbolo por Cristo para fazer dele o sinal eficaz da passagem da morte para a vida, das trevas para a luz.
    • A transferência para o Reino do Pai pelo Divino Cordeiro imolado.
  • A universalidade do sacrifício e a dificuldade de explicar a sua relação com a louvor e a expiação.
    • A consideração do sacrifício como um fato adquirido, universalmente praticado.
    • A admissão natural da sua necessidade para a homenagem a Deus e a expiação do pecado.
    • A dificuldade, refletindo, de explicar a relação entre sacrifício, louvor e expiação.
  • A necessidade de estudar a natureza e o sentido do sacrifício para o compreender verdadeiramente.
    • As questões fundamentais: O que é o sacrifício? Como explicá-lo? Qual a sua origem, natureza e alcance?
  • A categorização dos sacrifícios como parte dos ritos sagrados.
    • A distinção entre ritos fundamentais e ritos auxiliares.
    • Ritos fundamentais: aqueles que introduzem o homem no domínio do sagrado (ex: batismo cristão, iniciações, ritos funerários).
    • Ritos auxiliares: orações, ritos de oferta e ritos sacrificiais.
    • A importância e necessidade dos ritos auxiliares, pois os ritos de agregação introduzem o homem no sagrado apenas virtualmente.
    • A assimilação efetiva do sagrado pelo homem através de práticas como orações e sacrifícios, que acompanham toda a sua existência.
  • A noção etimológica de sacrifício como referência ao sagrado.
    • A expressão latina rem divinam facere, “cumprir o ato divino”.
    • A composição da palavra sacrificium a partir de sacer e facere, significando “ação sagrada”.
    • O verbo sacrificare significando não apenas “sacrificar” mas também “consagrar”.
    • A referência do termo sacrifício ao seu objecto: introduzir o ser no domínio do sagrado.
    • A noção de imolação como secundária e conjunta.
  • A definição do sacrifício como ato visando a dupla finalidade de fazer um dom a Deus e santificar o homem que o oferece.
    • O dom a Deus como um dom em retorno.
    • A vida e tudo o que a sustenta como um dom do Criador.
    • A obrigação dos seres conscientes e responsáveis de oferecer em retorno uma parte do que recebem, para realizar espiritualmente o sentido do dom e para o tornar mais próspero e duradouro.
    • A explicação de formas secundárias de sacrifício, como as libações à mesa na Grécia antiga ou na Índia, e o dízimo.
      • Nas libações, a “parte de Deus” era oferecida antes de se comer ou beber.
      • No dízimo, o abandono da décima parte dos bens para atestar que tudo vem de Deus e para garantir a duração desses bens.
  • A rejeição das teorias pseudo-científicas evolucionistas sobre a origem do sacrifício.
    • A crítica às asserções baseadas em pressupostos evolucionistas grosseiros.
    • A lamentação pela aceitação acrítica destas teorias por autores eclesiásticos e teólogos.
    • A contradição fundamental entre a crença no relato do Gênesis e o pressuposto evolucionista do homem “primitivo” e “selvagem”.
    • A defesa da consideração do problema com base na doutrina tradicional, metafísica e religiosa.
  • A origem do sacrifício segundo a doutrina tradicional.
    • A ausência de necessidade de sacrificar no estado de inocência, no Éden.
    • A prática natural do dom a Deus como resposta da criatura ao Criador: um dom puramente espiritual, o dom do coração.
    • O acto de amor perfeito: a remissão a Deus de toda a criação e de si mesmo.
    • A mudança após a queda: a precipitação do homem do plano espiritual para o plano físico e material.
    • A natureza da falta: a decisão de se apropriar egoisticamente da criação em vez de a remeter incondicionalmente a Deus.
    • A intervenção da Misericórdia divina para paliar as consequências sem remédio da queda.
    • A instituição do sacrifício pelos Enviados do Céu, como meio de reparar, em parte, as sequelas da catástrofe espiritual.
  • O objetivo do sacrifício: restituir o homem ao nível espiritual de onde caiu.
    • A necessidade de operar uma transferência para atingir este objetivo.
    • A morte como a única forma de reparar a falta e suas consequências, arrancando o homem ao mundo físico.
    • A decisão de Deus de que o homem pecador morreria, mas não imediatamente.
    • A permanência do homem no estado decaído e materializado por um certo tempo.
    • O sacrifício como meio de operar simbólica e ritualmente uma “morte” ao mundo material e uma transferência para o mundo espiritual primitivo.
    • A natureza fundamental de todo sacrifício como um sacrifício humano, evidenciada pelo rito da semikha.
    • O sacrifício humano físico como uma aberração monstruosa em povos degenerados, sendo uma deturpação de uma necessidade profunda.
    • No sacrifício normal, a transferência do homem para o mundo espiritual opera-se por um intermediário e uma substituição.
    • O mecanismo: o ser ou objeto físico é oferecido à divindade, tornando-se sagrado pelo rito; identificado com o homem que o oferece, integra este homem no domínio do sagrado.
    • O ser ou objeto sacrificado como mediador entre o aquém e o Além.
  • A possibilidade de substituição do homem por um objecto, não apenas por um ser vivo.
    • Exemplos: um vegetal, flores, um alimento (pão, vinho) ou um objecto fabricado.
    • O exemplo do ritual diário no antigo Egito: a oferta do Olho de Hórus (símbolo solar) e a oferta de Maat (entidade da Justiça e Verdade).
    • A apresentação de uma estatueta de Maat no santuário: pela oferta, a alma do homem se reunia à divindade no universo espiritual.
  • A substituição mais comum pelo animal, devido à sua proximidade com o homem.
    • O sacrifício sangrento como o sacrifício por excelência.
    • A dificuldade moderna em compreender a necessidade do sacrifício sangrento para a expiação do pecado.
    • A importância desta questão, dado que o sacrifício de Cristo foi sangrento.
  • O sacrifício sangrento como uma morte voluntária.
    • Pelo intermediário do animal imolado, o homem “morre” voluntariamente ao mundo fenomênico e materializado.
    • Por este acto, o homem é, pelo menos virtualmente, restituído ao universo espiritual.
    • O animal, sacralizado pelo rito da oferta, servia para enxertar o homem na divindade.
    • O costume, em alguns casos, de o ofertante revestir a pele do animal sacrificado.
    • O significado: ao revesti-la, o homem renascia sob a forma de um ser sobrenaturalizado.
    • A luz que este costume lança sobre a fórmula de São Paulo: “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”.
  • A refutação das asserções que negam a essencialidade da morte da vítima no sacrifício.
    • A afirmação da necessidade da imolação.
    • A refutação da ideia de que não há sempre imolação em sacrifícios como ofertas de alimentos, flores, libações, etc.
    • O argumento: o pão resulta da imolação do trigo (batido, moído e “queimado” pela cozedura); o vinho resulta da “paixão” do cacho (pisado, triturado e transformado pela fermentação).
    • A “morte” final destas ofertas ao serem comidas após a oferta.
    • A aplicação à oblação do incenso (queimado) e da flor (cortada e morta para ser oferecida).
    • O testemunho da flor: a sua beleza como reflexo da Beleza divina e o seu nada perante o Belo absoluto; a sua morte na oferta atesta a supremacia da Essência.
  • A importância do sangue como veículo do princípio vital ou alma vivente.
    • A afirmação particular da Bíblia: o sangue como o meio onde os elementos psíquicos se ligam à modalidade corporal.
    • A significação de comer a carne ou beber o sangue da vítima: a absorção e assimilação da sua força vital, agora consagrada e portadora da energia do deus.
    • A explicação dos ritos de purificação e dos ritos de aliança por esta consideração.
    • A capital importância dos ritos de aliança no Antigo Testamento.
    • A aliança entre Deus e o seu povo selada por um “pacto de sangue”.
    • O processo: o animal representa o povo; o seu sangue, a vida do povo; o animal é oferecido, consagrado e “passa” para o mundo divino; o sangue carrega-se da energia divina; Deus devolve a oferta portadora da sua bênção, ou seja, da adoção do povo.
    • A importância deste esquema sacrificial para o sacrifício cristão da Nova Aliança.
  • A importância dos repastos rituais de comunhão que acompanham muitos tipos de sacrifício.
    • O erro da maioria dos estudiosos modernos em ver a origem de todos os sacrifícios no banquete sagrado.
    • O reconhecimento, não obstante, do papel capital do banquete sagrado.
  • O desenvolvimento do uso do banquete sagrado na Grécia antiga.
    • O caso característico dos pritanes em Atenas.
      • Os pritanes como representantes das tribos, responsáveis pelas deliberações do Senado.
      • A refeição no Pritaneu ou na Tholos, perto do altar de Héstia, o lar do Estado grego.
      • O carácter sagrado da refeição.
      • Os pritanes usando a coroa, símbolo sagrado, e sendo considerados sagrados durante a refeição.
      • A refeição tomada em nome da cidade, estabelecendo contacto entre o grupo humano e o universo sobrenatural, concentrado no lar de Héstia, que providenciava mana para a comunidade.
    • A existência de muitos outros repastos rituais em Atenas (ex: nas grandes festas como as Dionisíacas e Panateneias, e o das mulheres nas Tesmofórias).
    • Os repastos sagrados nos tiasos, confrarias religiosas dedicadas a uma divindade.
      • A analogia com as comunidades cristãs primitivas, que se organizaram de modo semelhante e praticavam o rito da agape.
      • O culto nos tiasos: grandes festas anuais e um sacrifício mensal seguido de repasto comunitário, que ganhou importância no final da Antiguidade.
    • A ocorrência deste rito no culto de Átis, conforme Firmico Materno, que estabeleceu um paralelo com o repasto cristão.
    • A ocorrência no culto de Mitra (consumo de uma mistura de pão, água e seiva de haoma) e no culto de Ísis e Serápis (sala de repasto para iniciados em Pompeia).
  • O carácter ritual da refeição nas sociedades tradicionais, mesmo nas refeições ordinárias.
    • A refeição ordinária como incentivo para elevar os pensamentos à Divindade.
    • O homem como aquele que recebe a nutrição para sobreviver, compreendendo que ela vem de um Outro.
    • A subida da prece de ação de graças.
    • A citação do Salmo 144: “É em Vós que estão fixos os olhos de todos, Vós lhes dais o alimento a seu tempo. Abris a mão e saciais de benevolência todo o vivente”.
    • A refeição como um rito religioso nas sociedades normais.
    • A ação mais importante: as libações aos deuses.
    • O repasto grego: início com uma libação a Zeus Salvador, acompanhada de uma prece e do desejo ritual “boa sorte!”.
    • No repasto ritual consecutivo a um sacrifício, o processo de santificação do fiel: os alimentos são oferecidos à divindade e incorporados no mundo divino; ao participar deles, o homem se une ao mundo divino.
    • O alimento dado a Deus, e Deus fazendo o homem participar desse dom, vivificando-o e, no limite, divinizando-o pela participação.
    • A expressão “comer o deus”.
    • O estágio último no culto dionisíaco: o animal (hipóstase de Dionísio) imolado e consumido pelos bacantes, desencadeando o êxtase pela incorporação do deus.
    • O mesmo com o vinho, outra hipóstase de Dionísio.
  • O conhecimento do repasto comunitário pelos Hebreus e a sua adoção por Cristo para o seu sacramento.
    • O estudo detalhado do repasto de comunhão no Antigo Testamento como tema futuro.
  • A significação do holocausto.
    • A vítima imolada inteiramente consumida pelo fogo.
    • A origem: o fogo transcendente, o fogo do céu que caía sobre o altar à prece do oficiante.
    • Exemplos bíblicos: Noé e o profeta Elias.
    • A substituição posterior pelo fogo ritual, símbolo do fogo celestial e abençoado.
    • A significação evidente: o sacrifício total, absoluto.
    • A vítima inteiramente dada à divindade, não partilhada.
    • O fogo divino tomando posse da vítima; a fumaça subindo ao céu, carregando a essência sutil da vítima para o “tabernáculo celestial”.
    • O holocausto como símbolo e realização do dom total do ofertante.
    • O sentido mais vasto: o símbolo e a prefiguração do sacrifício cósmico.
    • A oferta e transferência de todo o cosmos para o plano divino.
  • A dimensão cósmica do sacrifício de Cristo e da Missa.
    • A integração, recapitulação e plenificação por Jesus de todos os tipos de sacrifício no seu único sacrifício.
    • O sentido desta operação: a identificação de Cristo com o Sumo Sacerdote hebreu, conforme São Paulo.
    • O paralelo detalhado: a coroa de espinhos e o manto vermelho (púrpura) colocados em Jesus pelos soldados romanos.
    • A cor púrpura como cor dos reis entre os Romanos, mas também, para os Judeus, o vermelho como símbolo do mal e da transgressão (como na fita escarlate do bode expiatório).
    • A extraordinária inter-significação: Cristo revestido da púrpura aparece aos olhos dos Judeus como Hazazel, o Bode expiatório.
    • A ressonância particular dada ao grito “Que o seu sangue caia sobre nós!”.
  • O consumo do sacrifício no Gólgota como o holocausto dos holocaustes.
    • A imolação por Cristo do seu corpo mortal.
    • A tradução desta imolação: o dom integral de si ao Ser supremo.
    • A revelação da existência do “reino de Deus” como a única verdadeira realidade.
    • Cristo como vítima e sacrificador.
    • A vítima, sobreminentemente, transferida do mundo terrestre para o mundo sobrenatural, englobando todas as vítimas e ofertas materiais, agora inúteis.
    • Cristo como Sumo Sacerdote do seu próprio sacrifício, “oficiando” na cruz.
    • A cruz como símbolo cósmico, erguida no alto do Gólgota, a montanha cósmica.
    • A transferência para o mundo divino da totalidade do cosmos humano espaço-temporal pelo sacrifício do Calvário.
    • O apagamento da Queda, a destruição do pecado e da morte, a redenção de toda a natureza, embora esta transfiguração não seja ainda visível para a maioria dos homens.
  • O fundamento metafísico do sacrifício: o sacrifício eterno de Deus.
    • A criação como o sacrifício de Deus.
    • A criação como a humilhação de Deus em relação ao seu Absoluto.
    • Deus, no seu Absoluto, tornando-se um absoluto-relativo ao pôr o ser da criatura e entrar em relação com ele.
    • Este ato de se pôr em relação como o sacrifício do Absoluto e o sacrifício do Amor pelo “outro” que Ele mesmo põe como criado do nada.
    • O Filho, em um dos seus aspectos, como princípio e totalidade da Criação, “primogénito de toda a criatura”.
    • O Filho, como tal, sendo eminentemente o sacrifício de Deus.
    • A lógica da Encarnação inscrita no Filho de Deus.
    • O desígnio: realizar a reintegração da Criação no Criador.
    • O sentido do sacrifício como rito da terra que sobe ao céu, respondendo ao sacrifício divino que desce do céu à terra.
    • O retorno de todas as coisas ao seu Princípio divino.
    • A operação deste retorno por Cristo, o Deus-Homem, Homem arquétipo, Homem universal.
    • A citação de Colossenses: “É n'Ele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis… e todas as coisas subsistem n'Ele”.
    • A reunião em Cristo de toda a criação, que Ele pode devolver ao Pai-Origem.
    • A citação de Cristo: “Saí do Pai e venho ao mundo; deixo o mundo e vou para o Pai”.
    • A consequência para o homem individual, também espelho e síntese da criação, microcosmo, e por isso capaz de oferecer o sacrifício e recolher os seus frutos.
    • A citação de Cristo: “Roguei para que, onde Eu estou, vós estejais também”.
    • A definição do trajeto teantrópico, primeiro em Cristo, depois no homem.
  • O objetivo do Santo Sacrifício da Missa: fazer-nos percorrer este trajeto teantrópico.
    • A citação da Oração Secreta do primeiro domingo do Advento: “Que estes santos mistérios, cuja poderosa virtude nos purifica, nos conduzam mais puros, Senhor, Àquele que é o seu princípio”.
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