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TEMPLO GREGO
HANI, Jean. Mythes, rites et symboles: les chemins de l’invisible. Paris: G. Trédaniel, 1992.
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O pensamento helênico pode ser sintetizado na noção de Logos, comumente entendido como Razão e discurso, e o Ocidente vê na Hélade o triunfo da razão, o que não é falso, mas a realidade é mais complexa, pois a Grécia desenvolveu a faculdade racional de modo ímpar, tornando-se a fonte do racionalismo ocidental moderno, mas este desenvolvimento racionalista, que culminou na Sofística, representa um desvio único (hapax) na história das culturas pré-modernas.
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O Logos é a palavra que sintetiza o pensamento helênico, significando Razão e discurso.
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O Ocidente vê na Hélade o triunfo da razão em todos os domínios.
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A Grécia desenvolveu a faculdade racional de modo máximo, influenciando o humanismo e o racionalismo ocidental.
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A idade de ouro grega foi dominada pela Sofística, um racionalismo que se alastrou como gangrena.
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A evolução intelectual e religiosa da Grécia é um caso único (hapax) na história das culturas pré-modernas.
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A Grécia pré-clássica possuía uma cultura de tipo tradicional, mas esta cultura e seu pensamento subjacente desapareceram rapidamente, com Homero já não sendo um espírito tradicional, e uma crise intelectual e religiosa eclodiu nos séculos VII-VI, quando a transição normal do pensamento mítico para o racional falhou, ao contrário do que ocorreu na Índia, resultando no colapso da estrutura tradicional da intelectualidade helênica.
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A Grécia pré-clássica tinha uma cultura tradicional, como todos os países.
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Essa cultura e seu pensamento subjacente desapareceram muito cedo, já com Homero.
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Nos séculos VII-VI, ocorreu uma crise intelectual e religiosa na Grécia.
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A transição do pensamento mítico para o racional, que deveria ser harmoniosa como na Índia, falhou na Grécia.
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A crítica dos primeiros filósofos aos mitos, vista por Jaeger como nascimento da teologia, não produziu uma teologia tradicional, mas sim um racionalismo crescente.
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Ao lado de Empédocles, Heráclito e Pitágoras, que permaneceram fundamentalmente tradicionais, a maioria dos filósofos gregos tendeu ao racionalismo, culminando na Sofística, que, apesar da oposição de Platão, invadiu todo o pensamento, como exemplifica o historiador Tucídides com sua concepção “laica” da história.
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Empédocles, Heráclito e Pitágoras mantiveram-se tradicionais, com obra análoga aos Upanishads.
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A maioria dos filósofos, porém, tendeu ao racionalismo, com traços de evemerismo e materialismo (Demócrito).
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A Sofística, em graus diversos, invadiu todo o pensamento grego.
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Tucídides, historiador, é inteiramente racionalista e tem uma concepção “laica” da história.
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Apesar do declínio do espírito tradicional no domínio intelectual, ele sobreviveu por muito tempo no domínio da arte, especialmente na arquitetura sacra, onde o templo grego representa a melhor realização cultural da Hélade, pois o equilíbrio que se lhe atribui entre o logos racional e as potências da vida só é possível porque o logos que preside sua concepção transcende a razão, sendo o Logos como reflexo do Intelecto divino, o Verbo que une e harmoniza todas as coisas.
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O espírito tradicional sobreviveu na arte, sobretudo na arquitetura sacra.
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O templo grego representa a melhor realização cultural da Hélade.
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O equilíbrio do templo não se dá entre a razão e a vida, mas porque o logos que o concebe é superior à razão.
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Esse Logos é o reflexo do Intelecto divino, o Verbo presente no universo.
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Heráclito afirma que o Logos é a Lei divina que realiza a unidade e harmonia de todas as coisas.
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A arte grega, pelo menos fora da escultura, guardou um caráter sacro devido à existência de colégios de artesãos e artistas conscientes da origem supra-humana de sua arte, atribuída a patronos divinos como Apolo, Hermes e Hefesto, e o melhor dessa arte, especialmente a arquitetura dos templos, atuava como psicagogia, conduzindo do mundo exterior ao interior e fazendo tomar consciência da imanência do divino no visível.
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Colégios de artesãos e artistas mantiveram a consciência da origem supra-humana da arte.
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A arte era atribuída a patronos divinos como Apolo, Hermes, Hefesto, Dáctilos, Curetes, Telquines e Cabiros.
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O melhor da arte grega, em especial a arquitetura dos templos, era uma psicagogia.
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Essa psicagogia conduzia do mundo exterior ao mundo interior.
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Seu objetivo era fazer tomar consciência da imanência do divino no mundo visível.
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A marca específica da arte grega, herdeira de Pitágoras, foi compreender a Beleza, reflexo do divino no visível, sob sua forma matemática, como Número e Proporção, realidades onde se fundem os aspectos do Logos como Intelecto superior e Razão, e por isso os gregos, especialmente Platão, buscaram a realidade não na substância dos fenômenos, mas em sua estrutura numérica.
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Pitágoras ensinava que toda harmonia depende de uma proporção numérica.
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O Número explica a beleza e a harmonia do universo.
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Platão define a beleza em si como algo retilíneo, circular e suas combinações obtidas com compasso, cordel e esquadro.
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Deus é considerado antes de tudo arquiteto e geômetra: aei Theos geômetrei.
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Os gregos buscaram a realidade na estrutura numérica dos fenômenos, não em sua substância.
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As proporções dos templos gregos são derivadas de figuras geométricas fundamentais, como o triângulo equilátero, o hexagrama, o pentágono regular e o pentagrama (este ligado à seção áurea), considerado a figura retilínea mais perfeita e símbolo da mais alta harmonia, e estas figuras estão ligadas aos cinco corpos regulares platônicos, os mais perfeitos.
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As proporções dos templos gregos provêm do triângulo equilátero, do hexagrama, do pentágono regular e do pentagrama.
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O pentagrama, figura da seção áurea, é considerado o símbolo da mais alta harmonia.
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O pentagrama está ligado ao mais acabado dos cinco corpos regulares platônicos.
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O templo grego é uma petrificação da geometria de Euclides, condensando filosofia e teologia na pedra.
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O templo grego realiza uma euritmia de proporções que reflete as correspondências macro-microcósmicas, os ritmos astronômicos e biológicos, e a correlação entre o universo vivo e o homem, podendo ser comparado a uma música de pedra, pois estudos demonstram que as dimensões e proporções de templos como o Partenão e os Propileus obedecem a números rigorosamente proporcionais aos elementos da gama pitagórica.
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O templo grego realiza uma euritmia de proporções que reflete correspondências macro-microcósmicas.
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Essa euritmia relaciona volumes, corpos regulares, ritmos astronômicos e biológicos, e a correlação entre universo e homem.
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Georgiades encontrou, no Partenão e nos Propileus, números proporcionais aos elementos da gama pitagórica.
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Doze dos principais templos gregos, como o de Elêusis, também apresentam essas proporções musicais.
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O templo é descrito como uma “sinfonia musical em mármore” e um “monumento de melodia”.
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O templo grego, como todos os templos, constitui um símbolo cósmico: ele imita o céu e a terra, definindo um movimento ascensional da terra ao céu, do humano ao divino, sendo o elo onde o homem entra em contato com o mundo dos deuses, o que aparece em seu plano retangular orientado Leste-Oeste, nas raras tholoi circulares (símbolo do divino), e na estrutura que se eleva da crepida (três degraus, símbolo da criação) ao teto estrelado (símbolo do céu).
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Salústio escreve: “O templo imita o céu, o altar, a terra”.
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O movimento ascensional da estrutura vai da terra (crépida) ao céu (teto estrelado).
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O templo é o elo onde o homem entra em contato com o mundo divino.
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A maioria dos templos tem planta retangular orientada Leste-Oeste, em relação à epifania solar.
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As tholoi (templos circulares), como as de Epidauro e Delfos, têm evidente simbolismo do céu e do divino.
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A dinâmica ascensional do templo é dada essencialmente pela coluna, que, inspirada na árvore, conjuga a potência estabilizadora da terra (às vezes expressa por cariátides) com a potência ascensional, e cujo capitel, com suas volutas em espiral (especialmente as regidas pelo número de ouro), reproduz a lei natural de crescimento e evolução espiritual, simbolizando a conjunção das forças telúricas e cósmicas.
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A coluna expressa a potência estabilizadora da terra e a potência ascensional, inspirando-se na árvore.
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O fuste e o capitel (com folhagens e flores) traduzem uma temática de crescimento e fecundidade.
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A voluta do capitel jônico, em espiral, reproduz a lei dos fenômenos de crescimento na natureza.
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Goethe via na espiral o símbolo matemático da vida e da evolução espiritual.
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As mais belas volutas obedecem a pulsações radiais do número de ouro (Phi).
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As colunas sustentam a arquitrave, que reúne as verticalidades sobre uma linha horizontal, preparando o frontão, sobre o qual se situa o friso, que fixa os mitos relativos ao destino, ao mundo e aos deuses, descrevendo procissões ou assembleias divinas que reconduzem o homem ao invisível.
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A arquitrave prepara a transição para o frontão.
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O friso, acima da arquitrave, dá sentido ao edifício ao fixar os mitos.
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Os mitos esculpidos no friso descrevem lustrações, procissões ou assembleias divinas.
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Essas cenas reconduzem o homem ao invisível.
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Os triglifos, na ordem dórica, são uma reminiscência das janelas originais e um antigo signo da porta do céu, posicionados sob o triângulo do frontão, que é o coroamento do simbolismo do edifício: o triângulo, criação grega, simboliza o divino (o três) coroando a quadratura do destino terrestre, e em seu tímpano azul (como o céu) destacavam-se as esculturas policromas das epifanias divinas, enquanto os acrotérios (grifos, Nikés) completavam o simbolismo de elevação aérea e ascensão espiritual.
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Os triglifos são um signo antigo da porta do céu.
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O frontão triangular é uma criação grega que simboliza o divino (três) coroando o destino terrestre (quatro).
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O triângulo conduz da horizontal à vertical, do múltiplo ao uno, levando o homem ao mundo divino.
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O tímpano do frontão era geralmente azul (céu), sobre o qual se destacavam as esculturas policromas das epifanias divinas.
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Os acrotérios (grifos, Nikés douradas) são símbolos de elevação aérea e ascensão espiritual.
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