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SÍMBOLO
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A metáfora corânica da boa palavra como uma árvore boa ilustra a natureza da palavra divina, cujas raízes são firmes e cujos ramos se elevam aos céus, produzindo frutos em todas as estações pela permissão de seu Senhor.
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A citação do Alcorão (XIV: 24–25) estabelece a boa palavra como símbolo de uma árvore boa, com raízes fixas e ramos no céu.
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A produção de frutos em todas as estações ocorre pela permissão de Deus, que apresenta símbolos para que os homens possam refletir e lembrar.
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A jornada espiritual para a extinção na Verdade da Certeza é assimilada a um ato de memória, uma vez que o Eterno, sendo o Antigo de Dias, envolve todo o tempo, o que implica a existência de um passado espiritual e vertical para o homem, para além do passado histórico e horizontal.
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Deus, como o Eterno e o Que Tudo Abraça, existe antes e depois de todo o tempo, sendo o Antigo de Dias.
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Cada grau espiritual superior envolve os graus inferiores, de modo que o mundo vindouro, com todos os seus degraus, está antes e depois do tempo terreno.
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O ditado profético sobre ser profeta enquanto Adão estava entre a água e o barro exemplifica a precedência espiritual sobre a criação temporal, estabelecendo um passado vertical ao lado do passado horizontal.
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O conhecimento doutrinário meramente teórico é uma lembrança horizontal do que foi ensinado, enquanto a certeza sobre o mundo além implica um elemento vertical de intuição intelectual ou amor espiritual, que constitui a lembrança vertical (dhikr) capaz de atrair as faculdades da alma para o seu centro, onde se encontra a Árvore da Imortalidade.
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Os símbolos utilizados no dhikr para recordar ao homem seu estado original baseiam-se nas correspondências verticais entre os diferentes domínios do Universo, nas quais um domínio inferior, como uma sombra em relação ao objeto que a projeta, reflete uma realidade superior e oculta.
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A correspondência entre o mundo exterior e o mundo interior da alma, bem como entre o Jardim do Coração e o Jardim da Alma, são exemplos da verdade geral de que todos os domínios do Universo são imagens do próprio Universo.
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O conhecimento dessas correspondências era uma dotação original do homem, fundamentando, por exemplo, as ciências antigas como a medicina.
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No contexto do dhikr, o termo corânico mathal refere-se às semelhanças essenciais ou verticais entre domínios superiores e inferiores, nas quais um símbolo de um domínio inferior e conhecido proporciona um vislumbre intuitivo de uma realidade superior e estranha correspondente.
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Os símbolos são as perfeições ilusórias da criação que atuam como guias para o viajante, lembrando-o de suas contrapartes nos mundos superiores, não por mera semelhança acidental, mas por uma relação real de sombra e objeto, como indicado na afirmação corânica de que até mesmo um mosquito pode ser citado como símbolo.
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A contemplação de um objeto em seu aspecto universal, como uma sombra cuja existência depende inteiramente de arquétipos em um mundo superior, revela que a verdade primordial sobre qualquer forma é a de ser um símbolo.
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Cada mundo na criação é apenas um tecido de sombras, inteiramente dependente dos arquétipos do mundo acima; sem a projeção de sombras, os mundos inferiores deixariam de existir.
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O fato mais verdadeiro sobre qualquer forma é que ela é um símbolo, e considerá-la em seu aspecto universal é o que explica sua existência e permite a lembrança das realidades superiores.
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Devido à relação verdadeira entre este mundo e o próximo, os objetos conhecidos e habituais adquirem um aspecto de estranheza maravilhosa para o homem espiritual, enquanto as realidades superiores, inversamente, possuem algo de conhecido para as almas abençoadas no Paraíso, que já experimentaram suas sombras na terra.
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A experiência terrena das sombras das realidades faz com que os frutos do jardim celestial sejam reconhecidos como algo que já foi dado anteriormente, embora em uma forma semelhante, conforme o versículo corânico (II: 25).
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Os atos terrenos, como sombras correspondentes que se estendem por todo o Universo, podem ser santificados através da lembrança (dhikr) das Qualidades Divinas nas quais estão enraizados, atuando como o ponto de apoio para uma aspiração ascendente, à semelhança dos degraus de uma escada.
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Cada ato terreno é o último de uma hierarquia de sombras correspondentes, sendo como o degrau mais baixo de uma escada que atravessa os diferentes mundos.
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Permanecer no sopé da escada em aspiração ascendente constitui o ato de lembrança (dhikr), pelo qual o viajante pode santificar seus atos.
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Os atos fundamentais da vida, dados na criação, são ritos primordiais, aos quais a Providência acrescentou os ritos revelados aos Profetas, cada um servindo como o pé de uma escada descida pela Misericórdia Divina como veículo de Graça e meio eminente de lembrança.
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Essa escada, vista por Jacó em sonho com anjos subindo e descendo, é identificada com o caminho reto (al-ṣirāṭu ’l-mustaqīm), que é o caminho da criação percorrido de volta de seu fim ao seu Princípio.
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A imagem da árvore boa é retomada para simbolizar a palavra divina proferida como dhikr, cuja raiz é a própria palavra firmemente intencionada, cujos ramos representam seu impacto ascendente por todo o Universo e cujo fruto é a Realidade em cuja memória o dhikr é realizado.
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A escada, como símbolo do rito verdadeiro, remete à árvore mencionada na abertura, que simboliza a boa palavra.
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O melhor exemplo de boa palavra é um Nome Divino pronunciado como dhikr em aspiração ascendente para a Verdade.
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A raiz firme da árvore é o dhikr proferido com propósito firme, os ramos que alcançam o céu são o impacto do dhikr ao ascender pelo Universo, e o fruto é a própria Realidade lembrada.
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As imagens da árvore e da escada elucidam a razão pela qual os Livros Revelados, descidos diretamente do Céu, admitem múltiplas interpretações hierárquicas e não contraditórias, cada uma correta em seu próprio nível, constituindo uma dimensão vertical ausente em livros profanos, que são como uma árvore má, desenraizada e superficial.
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As diferentes interpretações das Escrituras são hierárquicas como os degraus de uma escada, formando a dimensão vertical do Livro.
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Toda Revelação deixa um rastro luminoso de verdades superiores, ao passo que um livro profano possui apenas um significado e nenhuma dimensão vertical.
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A palavra má é comparada a uma árvore má, arrancada da superfície da terra, conforme o Alcorão (XIV: 26).
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