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BUDISMO SIKKIM (1)
PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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A descrição condensada da vida tradicional de uma nação exige a identificação do que é essencial, priorizando a união vital com o objeto de estudo em detrimento da mera curiosidade científica moderna voltada para fatos etnológicos.
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A abordagem do Budismo no Sikkim foca no caráter local sem perder de vista a forma universal que toca a todos.
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O termo Sikkim define o campo geográfico, mas a ênfase repousa sobre a tradição budista.
O fundamento das observações apresentadas reside em uma longa familiaridade com o país, incluindo visitas realizadas entre o período de vinte anos que antecedeu o verão de 1959 e o convívio com diversas figuras locais.-
Impressões foram colhidas através da sociedade com amigos sikkimeses de diferentes estratos sociais.
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O contato com o falecido Abade de Lachhen proporcionou acesso à preeminência da vida espiritual do país.
O Budismo no Sikkim vincula-se ao ramo Mahayana e é governado espiritualmente pela linhagem Nyingmapa, instituída por Padma Sambhava, apresentando uma estrutura monástica menos segregada da vida leiga do que a observada no Tibete.-
As gonpas sikkimesas são tipicamente pequenas, consistindo em templos isolados para rituais sazonais.
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Os lamas, muitas vezes não celibatários, compartilham as atividades cotidianas da vida camponesa.
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A proximidade entre monges e leigos intensifica a influência tradicional, mas gera o risco de submersão das aspirações espirituais em preocupações mundanas em tempos de decadência.
O assentamento de Sinen, localizado no Sikkim Ocidental acima de Tashiding, serve como modelo típico para a compreensão da preservação do modo de vida tradicional frente às mudanças raciais e migratórias provocadas pelo período britânico.-
Sinen faz parte de bolsões raciais situados em terrenos elevados sobre o vale do Rangit.
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A região preserva a fisionomia cultural anterior à imigração em larga escala de nepaleses hindus.
A organização do ambiente sikkimese demonstra um compromisso bem-sucedido entre os interesses humanos e a natureza, refletindo a ausência da cupidez exploratória moderna e a aplicação prática do conceito de Meio de Vida Correto.-
Os métodos agrícolas tradicionais respeitam os limites impostos pelo caráter do país e pela floresta.
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A preservação da vida selvagem e das árvores é reconhecida como a salvaguarda da prosperidade material e espiritual.
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A natureza intocada atua como berçário para a vida contemplativa de santos e iogues que buscam o deserto antes de retornarem ao auxílio da comunidade.
A onipresença de templos e gonpas nas colinas do Sikkim Ocidental aponta para a importância central do elemento contemplativo, cuja ausência atual ameaça a coesão de todos os outros aspectos da tradição.-
O conhecimento budista real decorre da Intelecção direta e não de frutos da atividade mental individual ou racional.
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A transparência da realidade é alcançada através da aplicação de métodos que removem obstáculos físicos e mentais.
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A fragilização do coração contemplativo da tradição compromete a saúde de todo o organismo social e ritual.
As habitações camponesas próximas às encostas manifestam uma beleza de aptidão funcional e adaptação ao clima, sendo habitadas por pessoas de disposição aberta, cortesia natural e hospitalidade vasta.-
As casas utilizam materiais locais com fidelidade estrutural e ornamentos decorativos sutis.
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O caráter humano é definido por uma alegria e um senso de hospitalidade marcantes.
O templo principal de Sinen exemplifica a arquitetura sacra de dois andares dedicada a Guru Rinpochhe, utilizando alvenaria espessa e telhados de palha de cana que superam as shoddiness estéticas e acústicas do ferro corrugado moderno.-
A construção exige reparos periódicos que mantêm a tradição artesanal viva.
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O uso de materiais modernos em outros locais é apontado como um fator de destruição da homogeneidade artística.
O estilo arquitetônico local de Sinen, embora vinculado ao padrão tibetano, destaca-se pela riqueza de entalhes originais em madeira, visíveis nas colunas e capitéis das estruturas internas.-
Os pilares de sustentação apresentam capitéis entalhados deixados em cor natural.
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O templo de Tashiding é citado como outro exemplo magnífico dessa execução técnica.
A genialidade dos criadores dessas obras sacras decorre da normalidade tradicional e da conformidade ao dharma, onde o anonimato e a mente unânime permitem a liberação de uma originalidade ordenada.-
Os artesãos agiam como descendentes de uma linhagem camponesa, seguindo o que era tradicionalmente revelado como correto.
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A redução do senso de individualidade permite que a mente tradicional opere sem as restrições do egoísmo artístico.
As pinturas murais e imagens internas de Sinen possuem uma qualidade artística e espiritual que exige preservação cuidadosa contra os perigos de restaurações leigas ou intempéries climáticas.-
A restauração por mãos não especializadas em afrescos do Tibete resultou em destruição total de obras preciosas.
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A arte tradicional infunde a experiência contemplativa do autor no trabalho, servindo como meio de graça para o observador.
A preservação de Sinen deve ocorrer de maneira discreta para evitar a profanação do local pelo turismo, mantendo o sustento espiritual daqueles que vivem em sua proximidade.-
O interesse turístico desordenado é visto como um caminho para a destruição do espírito do monumento.
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A vigilância sobre a segurança do local deve ser eficiente, porém leve e desprovida de exibicionismo.
A observação da vida cotidiana em Sinen revela que a atividade espiritual da população é predominantemente ritual e devocional, carecendo de precisão doutrinária explícita, embora verdades profundas sejam assimiladas por mitos e símbolos.-
Cerimônias processionais e serviços rituais exibem dignidade e espontaneidade.
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A falta de conhecimento doutrinário formal torna a mente vulnerável frente às falsas doutrinas do mundo moderno.
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O conhecimento tradicional pode ser transmitido por meios não analíticos que atingem níveis profundos da psique.
Os rituais funcionam para os camponeses como elementos de equilíbrio e proteção contra influências sutis inferiores, mantendo abertos os canais de comunicação espiritual que o materialismo moderno tende a obstruir.-
O fechamento dos canais rituais deixa o ser humano exposto a forças de dissolução situadas abaixo do nível humano.
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O endurecimento do coração provocado pela mentalidade profana impede a livre circulação da influência tradicional.
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O ceticismo espiritual contemporâneo caminha lado a lado com uma credulidade quase absoluta na validade dos fatos materiais.
O Budismo no Sikkim não deve ser reduzido a um mero resíduo de superstições, pois a subestrutura tradicional ainda carrega a mensagem original de forma implícita através de rituais e práticas seculares.-
A falta de instrução doutrinária é mais evidente entre as classes abastadas, sujeitas a maior pressão da profanidade moderna.
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A atmosfera local e a atitude dos homens permanecem essencialmente vinculadas ao caráter budista.
A permissão para o consumo de álcool no caminho Nyingmapa deriva da autoridade de Guru Rinpochhe e reflete a variabilidade das formas tradicionais em resposta às necessidades de diferentes tipos de homens.-
Divergências formais dentro de uma mesma tradição são indícios de vitalidade e adaptação.
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Todas as escolas budistas mantêm a essência da doutrina, apesar de incompatibilidades externas em certas regras.
O uso sacramental de substâncias como o vinho em métodos tântricos baseia-se em propriedades simbólicas que representam o conhecimento esotérico ou a amrita, exigindo uma compreensão espiritual para evitar o abuso profano.-
Padma Sambhava utilizava meios simbólicos para representar a liberação do estado mortal.
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O vinho simboliza o conhecimento que permite a libertação.
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A prevenção do abuso reside na compreensão correta do espírito dos ensinamentos e não apenas na observação da letra da permissão.
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