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CAMINHO E MONTANHA
PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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A concepção contemporânea de símbolo restringe-se à representação figurativa e acessória de ideias, distanciando-se da função primordial de veículo para a comunicação de verdades universais inalcançáveis pelo pensamento discursivo e pela linguagem ordinária.
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O entendimento comum ocidental reduz o simbolismo a um recurso retórico, decorativo e arbitrário, suplementar à fala comum.
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A inteligência verdadeira distingue-se da razão discursiva por ser capaz de conhecer as coisas em si mesmas, sem a relatividade das construções racionais.
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O conhecimento de caráter universal exige meios que evoquem a ideia de forma imediata, como um lampejo que prescinde de explicações analíticas.
A eficácia do símbolo depende da utilização de elementos do mundo físico para sugerir ideias de ordens superiores, fundamentando-se na correspondência intrínseca entre os diversos planos da realidade universal.-
O ponto de partida de qualquer jornada metafísica situa-se necessariamente no mundo das aparências físicas onde o ser reside.
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A ausência de separação absoluta no universo permite que o contingente reflita o universal, servindo-lhe de suporte para a concepção intelectual.
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A existência de qualquer objeto possui um aspecto simbólico que constitui sua realidade mais profunda, sendo o simbolismo uma descoberta ou revelação de algo preexistente.
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O conceito de poiesis, conforme a etimologia grega e o uso dos antigos, designa o ato de criação pelo qual o Supremo Poeta constrói os mundos através de símbolos.
A arte tradicional manifesta uma visão binária do objeto, unindo a utilidade contingente ao significado metafísico, de modo que a dissociação entre o funcional e o simbólico sinaliza a decadência de uma cultura.-
Vestígios de Ur dos Caldeus, do Egito de Tutancâmon, da arquitetura gótica e da pintura chinesa revelam que cada detalhe construtivo possui apelo primariamente intelectual.
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A fragmentação da vida em compartimentos isolados é impensável para a humanidade normal, para a qual toda função vital integra uma encenação simbólica da existência.
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Culturas ditas progressistas frequentemente caracterizam-se pelo divórcio entre o utilitário e o significativo.
O simbolismo atua como uma álgebra tradicional que utiliza elementos da vida cotidiana como os elos mais reais e apropriados para a tradução da realidade transcendente e incondicionada.-
A diversidade de métodos para simbolizar uma mesma ideia decorre da preferência humana por elementos intimamente ligados à existência terrena.
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A realidade relativa serve como uma tradução condicionada da realidade absoluta, facilitando a ascensão aspiracional do homem.
A transposição de atividades práticas para o domínio do sagrado permite que povos caçadores ou guerreiros encontrem na sua rotina o suporte para rituais e doutrinas de aperfeiçoamento espiritual.-
Povos como os indígenas norte-americanos interpretam a busca pela verdade como a Grande Caçada, transformando o ato cotidiano em um mistério ritual.
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Culturas guerreiras, como os Samurais, Beduínos e Ordens de Cavalaria medievais, utilizam a guerra externa como símbolo da luta interna contra os inimigos da alma.
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A doutrina metafísica da jornada e da ascensão utiliza o caminhar e o escalar como linguagens simbólicas universais.
A análise do símbolo do Caminho e de sua correlação com a Montanha revela a estrutura do destino humano e de seu cumprimento através de alusões tradicionais mundiais.-
O título de viajor encerra uma significação profunda que será examinada através de exemplos do catálogo de alusões tradicionais.
A tradição chinesa denomina-se Taoismo em função do Caminho, diferenciando-se do Confucionismo pela natureza puramente intelectual e voltada aos princípios, em contraste com as aplicações sociais.-
O Tao representa o Princípio intelectual puro em sua dimensão absoluta.
O Tao Te Ching descreve o Princípio e sua Atividade, estabelecendo que o Caminho é indefinível sem o viajor, sendo a peregrinação do próprio Self a realização dessa via invisível.-
A tradução comum como Livro do Caminho e da Virtude deriva da ideia de Princípio e sua manifestação ativa.
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A presença do viajor confere realidade às etapas da jornada, imitando no plano terreno a Atividade do Céu.
O Budismo correlaciona o Caminho ao Objetivo da Iluminação, estruturando estágios de travessia para o despertar da ignorância em direção à única realidade.-
A tradição do Mahayana, ou Grande Caminho, orienta todos os seres à iluminação através de escrituras como as Etapas no Caminho e A Lâmpada para o Caminho.
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Existe uma distinção tibetana entre a rota indireta dos homens comuns e o caminho direto ou atalho percorrido pelos santos.
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O estado de Buda define aquele que despertou da ilusão para a consciência do real.
A simbologia do caminho estreito no Cristianismo e a declaração de Cristo como a própria Via exemplificam a centralidade desse símbolo na condução ao Reino do Céu.-
A figura de Cristo personifica a via de acesso direta à transcendência.
As narrativas de jornadas simbólicas, como o retorno de Odisseu e a busca dos Argonautas pelo Velo de Ouro, representam a travessia das etapas do autoconhecimento em direção ao Objetivo.-
Perigos e monstros encontrados em viagens marítimas ou terrestres simbolizam obstáculos internos no processo de realização do ser.
A passagem por estreitos e o desvio de extremos, como ilustrado por Cila e Caribdis ou pelas Rochas Simplegades, simbolizam a resolução do dualismo através do Caminho do Meio pregado por Buda.-
O escapismo de perigos laterais representa a superação da oposição entre o eu e o outro em busca da Unidade.
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A jornada é invariavelmente uma busca pela Unidade que resolve conflitos de polos contrários.
A Montanha Sagrada simboliza a exaltação da Divindade em diversas tradições, sendo o Olimpo grego um exemplo de símbolo que não deve ser confundido com sua localização física terrena.-
O erro de interpretar literalmente a residência dos deuses em picos físicos degrada a doutrina em superstição.
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Montanhas terrestres servem como lembretes ou suportes para a percepção do Olimpo celestial, acessível apenas aos que possuem visão espiritual.
O acesso ao Caminho da Montanha exige o sacrifício do eu individual e separativo para a realização do Self universal, processo denominado como autovanecimento ou autoconhecimento.-
A renúncia sacrificial constitui o tema central de Evangelhos e contos de fadas como meio para o fim último.
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A linguagem racional é incapaz de especificar a via, que se torna aparente apenas mediante o pagamento do preço da negação do ego.
A lenda do Santo Graal situa a busca no Monsalvat, onde a invisibilidade da via cede apenas à visão verdadeira, contrastando com o falso paraíso de Klingsor.-
O erro é definido etimologicamente como um vaguear em relação à conduta firme do viajor.
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A perversão da verdade pelo mago Klingsor ilustra como toda mentira nasce de um desvio do caminho unívoco.
O progresso de Parsifal em direção ao Graal demonstra as três fases da iniciação: a busca inconsciente, a eleição consciente através da pergunta correta e a maturidade do viajor que dissipa ilusões.-
A jornada inicial cega e errante reflete o potencial inato de todo ser para o destino transcendental.
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A indagação sobre a natureza do Graal marca o início da vida de viajor consciente.
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A vitória sobre as ilusões do jardim mágico e a peregrinação consciente habilitam o ser à realeza espiritual.
A peregrinação a montanhas sagradas, como o Monte Fuji ou o Kailas, constitui um ato ritual que vincula o Caminho ao Objetivo, imitando a via interior através do esforço físico e da concentração.-
O centro de peregrinação, seja santuário ou marco natural, representa a meta final da jornada humana.
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Meca e Jerusalém figuram como exemplos de destinos que concretizam o arquétipo do Objetivo.
O Monte Kailas é reverenciado por hindus e budistas como o domicílio de Shiva e símbolo da Transformação, onde o peregrino realiza circuitos rituais para transcender formas individuais em busca do Conhecimento sem forma.-
A geografia árdua do Himalaia prefigura exteriormente a aspiração por uma via suprema e interna.
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O êxito na jornada depende da capacidade intelectual e da habilidade de concentração do fiel sobre o Nome Divino.
A circunvolução rítmica e a veneração das neves eternas no Tibete transformam montanhas locais em suportes para o mesmo propósito universal representado pelo Kailas.-
Expedições ao Everest podem ser lidas sob essa ótica geral de sacralidade atribuída a todas as neves perpétuas.
A ascensão ao cume typifica o Objetivo final onde todas as tendências divergentes se unificam, remetendo à ideia fundamental do Eixo Universal que organiza todos os planos da existência.-
O cume é o ponto focal onde as vias individuais se perdem para se encontrarem na Unidade.
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A cosmologia tradicional situa o Monte Meru como o centro que sintetiza a gradação dos estados de ser.
O Eixo Vertical representa a via de escape da compressão da base em direção à liberdade do ápice, fundindo os símbolos do Caminho e da Montanha em uma única trajetória ascensional.-
A via não é distinta da própria ascensão da montanha quando centrada no eixo.
A rota direta dos santos coincide com o próprio eixo, enquanto todos os outros caminhos são indiretos e determinados por obstáculos ou pela incapacidade do viajor em superar desvios.-
A validade de uma escalada reside em sua proximidade com a linha reta, verdade metafísica que transcende o esporte.
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Desvios laterais são ditados por contingências e limitações da razão ordinária frente a obstáculos.
O Pico Axial serve como mediador universal, simbolizado nas vestes rituais do Imperador chinês como o ponto de estabilidade em meio ao Mar das Possibilidades.-
O governante deve atuar para seus súditos como o Eixo atua para o Mundo.
O alpinismo presta-se ao simbolismo do Caminho e do Objetivo devido ao esforço persistente exigido pela subida, análogo ao empenho necessário em todos os planos da existência.-
A sequência natural de uma escalada permite o comentário sobre suas implicações simbólicas profundas.
O marco de pedras no início da subida, etimologicamente ligado ao chifre e à eminência, atua como um emblema do Eixo e um lembrete de que a via direta deve ser seguida até o Conhecimento.-
Monumentos funerários e marcos de trilha compartilham a função de orientar o viajor em direção ao Goal.
O gesto ritual de adicionar uma pedra ao marco em passos de montanha no Tibete reafirma a dedicação à via e a vitória das possibilidades superiores sobre as tendências inferiores.-
A exclamação ritual celebra a derrota de forças que arrastam o ser para baixo.
A identidade essencial entre o Caminho e o Objetivo é estabelecida pela semelhança entre os marcos da base e do cume, negando contradições entre o princípio e sua manifestação.-
A unidade entre o Alfa e o Ômega é reconhecida na adoração da Causa através do efeito.
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O entendimento espiritual percebe que a separação temporal e espacial entre o início e o fim é aparente.
A ascensão correta exige que cada movimento seja ordenado para a realização do cume, que embora não ocupe espaço, abrange toda a extensão da montanha.-
Objetivos secundários e cumes menores funcionam como estágios da via, mas tornam-se ídolos se confundidos com o Objetivo final.
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A idolatria consiste em permitir que um meio afirme independência em relação ao Princípio.
O estado primordial ou de homem verdadeiro constitui o primeiro estágio importante da via, representando a recuperação das possibilidades humanas integrais perdidas na queda.-
O status humano atual é apenas um título de cortesia que carece da realidade profunda da condição adâmica.
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A primeira visão desobstruída do cume ocorre apenas após o alcance deste estágio de integridade original.
A Divina Comédia de Dante ilustra a ascensão ao Paraíso Terrestre no topo do Purgatório como a restauração da condição de Adão antes da queda.-
O topo do monte permite o passo subsequente em direção às regiões celestiais e estados supra-humanos.
O Jardim do Éden, centrado na Árvore da Vida, simboliza a harmonia interior onde a Inteligência Contemplativa é dirigida à Verdade única, estado que se reflete na paz externa entre as criaturas.-
Árvores sagradas em diversas tradições, como o Carvalho dos Druidas ou o Freixo escandinavo, são símbolos alternativos do Eixo.
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A queda resulta do conhecimento dualístico do bem e do mal, destruindo a unidade e condenando o homem ao conflito e à busca pelo paraíso perdido.
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A memória da unidade persiste como um descontentamento que impulsiona o homem a subir a Colina do Purgatório.
A busca pela vida simples e pela natureza selvagem é um eco da harmonia original onde o homem atuava como protetor e eixo das criaturas, em oposição ao tirano explorador em que se tornou.-
A pintura de paisagem chinesa e movimentos de preservação natural buscam resgatar a adesão à posição axial.
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O homem caído age de forma inconsistente ao transformar aspectos relativos da natureza em ídolos desconectados do todo.
A artificialidade moderna e o comercialismo desfiguram a face da natureza, transformando a busca por refúgio em uma reintrodução dos próprios hábitos urbanos que o viajor pretendia evitar.-
A demanda por facilidades e infraestrutura nas montanhas destrói a pureza virginal que motiva a fuga da cidade.
A experiência de pavor e alegria em florestas virgens, como no Himalaia ou na Guiana, é o reconhecimento instantâneo da pátria espiritual e da santidade intrínseca da natureza intocada.-
Para povos tradicionais como os indígenas, a natureza é a escritura aberta onde se leem os sinais divinos.
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O humilhar do que não é espírito permite que o vento da libertação seja sentido pelo homem de coração não endurecido.
A santidade da natureza definha sob o domínio do progresso e do mapeamento sistemático, restando apenas ao Olho Intelectual perceber a presença materna divina através dos destroços de um mundo dessacralizado.-
A máxima taoista de evitar o mexer é negligenciada pelo ativismo humano, resultando na disfiguração da Grande Mãe.
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A realidade eterna do Intelecto Divino subsiste independentemente das alterações provocadas pela técnica humana.
O estreitamento da via e a percepção de sua dificuldade não devem causar preocupação, mas conforto, pois indicam que o viajor permanece no caminho correto em direção ao Éden.-
A fatalidade histórica do progresso é uma queda contínua que remonta ao início da dualidade.
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Toda encosta possui subida e descida, e o caminho íngreme confirma a fidelidade à rota de retorno.
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A percepção do cume da montanha exerce uma atração irresistível que altera a perspectiva da jornada, revelando que a iniciativa do viajor, anteriormente atribuída ao livre-arbítrio, é secundária em relação à ação da graça emanada pelo objetivo.
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A transição do estado primordial para o cume torna-se clara e inevitável uma vez que o destino final se manifesta ao intelecto.
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A atração exercida pelo cume inverte os papéis de agente e paciente, evidenciando que o objetivo é a força ativa que evoca e sustenta o esforço do caminhante.
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A atividade sem ação do cume confere sentido e direção a cada passo da escalada, que sem esse incentivo sequer existiria.
O passo final em direção à realização suprema caracteriza-se por uma descontinuidade absoluta em relação a qualquer estágio anterior, tornando-se inexpressível pela razão ou linguagem humanas.-
A impotência do homem frente ao mistério final exige o silêncio, pois a união com o cume transcende toda comparação e alternativa.
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No cume, todas as distinções e oposições são reconciliadas em um ponto que reside fora do espaço, do tempo e da sucessão.
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O conhecedor do cume habita o presente eterno, onde a única eloquência possível é a ausência de palavras.
A indagação sobre o motivo da escalada permanece sem resposta satisfatória enquanto for formulada pela razão, pois o objetivo, tal como o Santo Graal, deve ser conhecido imediatamente em sua essência e não por justificativas relacionais.-
A razão, limitada à relação entre as coisas, é incapaz de tocar o que é essencial e transcende as relatividades.
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A pergunta correta, conforme exemplificado por Parsifal, busca o que é o objeto e não o porquê de sua busca.
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Abordagens discursivas são apenas traduções indiretas da rota direta que leva ao cume.
O debate entre os defensores do esporte puro e os moralistas falha por ambos circunscreverem a questão à ordem social ou moral, ignorando que a escalada é uma reação contra as pressões da sociedade e uma busca por integração na Via.-
Moralistas erram ao tentar justificar o alpinismo através de propósitos sociais ou utilitários que não correspondem aos fatos.
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Defensores do esporte puro acertam ao intuir a ausência de um propósito sério convencional, mas falham ao isolar o esporte do todo da existência.
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Conflitos intelectuais intensos geralmente ocorrem entre posições similares que compartilham a mesma base de compreensão limitada.
A resolução de toda oposição reside no conhecimento de um princípio unificador que transcende as distinções, simbolizado pela doutrina hindu da criação como o Brinquedo Divino.-
O termo esporte, em sua essência tradicional, denota a liberdade e a ausência de necessidade coativa ou leis externas.
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A negação de uma causa impelente para a criação afirma a liberdade divina de qualquer limitação extrínseca.
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O esporte, despojado de competições pessoais ou nacionais, espelha a liberdade divina e serve como meio para o seu conhecimento.
O trabalho e o esporte encontram sua reconciliação final no cume, onde o verdadeiro artista ou poeta, ao imitar a arte criativa, transforma o serviço por necessidade em perfeita liberdade.-
O operário autêntico une o elemento livre ao elemento necessário em sua ação correta.
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A oposição entre dever e lazer desaparece na unidade do princípio supremo.
A síntese final do simbolismo da Via e da Montanha configura uma Cruz, onde o Eixo vertical produz e integra todos os níveis horizontais de possibilidades, culminando na paz da realização total.-
O eixo axial atravessa cada nível em seu ponto central, contendo em si a totalidade da montanha.
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O personagem Estrela Polar representa o viajor que, ao atingir o cume, unifica a montanha e o caminho, conforme a profecia de Isaías sobre a exaltação dos vales e o nivelamento dos montes.
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O conhecedor da Cruz alcança a paz que advém da superação de todas as dualidades e da fixação no centro imóvel.
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