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ALQUIMIA TÂNTRICA
PALLIS, Marco Alexander. A Buddhist spectrum: contributions to Buddhist-Christian dialogue. Bloomington, Ind: World Wisdom, 2003.
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Distinção de três abordagens possíveis para o Tantra, cada qual com seu respectivo grau de legitimidade e utilidade.
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A primeira via é a da erudição acadêmica, focada no acúmulo de informações, análise de fontes e afinidades históricas.
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A segunda via é a tradicional ou normal, que compreende o Tantra como a união entre sabedoria (prajna) e método (upaya), ou seja, uma visão metafísica aliada a expedientes yóguicos.
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A terceira via consiste em um sentido tântrico generalizado, que identifica doutrinas e métodos análogos em contextos onde o nome Tantra é desconhecido.
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Avaliação do valor ancilar da erudição acadêmica quando aplicada de forma legítima como suporte ao estudante e praticante.
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O fornecimento de textos confiáveis e referências técnicas auxilia a virtude budista da atenção plena, evitando o obscurecimento de significados originais.
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A discussão especializada sobre termos técnicos é fundamental para mitigar as distorções causadas por traduções ou repetições impensadas ao longo do tempo.
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Crítica ao emprego abusivo da erudição moderna que reduz fenômenos religiosos a meros acidentes históricos ou sociológicos sob um preconceito profano.
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A tentativa de explicar elementos transcendentes, como a revelação e a intelecção, em termos puramente humanísticos constitui uma subversão do sagrado.
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A interpretação psicológica, representada pelas escolas de Freud e Jung, é apontada como uma ameaça por confundir as ordens espiritual e psíquica, tentando anexar o Tantra e o Zen às suas categorias.
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A aceitação acrítica dessas aberrações exegéticas por comentaristas orientais é descrita como uma forma de suicídio intelectual diante do cientificismo moderno.
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Análise da relação entre as formas budistas e hindus do Tantra a partir de uma perspectiva acadêmica ampliada pela intuição metafísica.
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A obra de Sir John Woodroffe (Arthur Avalon) foi pioneira ao trazer o Tantra Shaktista para o conhecimento ocidental, embora tenha gerado a falsa suposição de que o Tantra budista seria uma mera extensão do hindu.
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O simbolismo erótico presente em ambas as vertentes representa a realidade como a interação de princípios masculinos e femininos, sem implicar em um dualismo radical.
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A verdade tântrica reside na união indistinguível dos princípios, onde o estático é idêntico ao criativo e vice-versa.
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Rejeição histórica e superação dos preconceitos contra o Tantra e sua iconografia, frequentemente alvo de calúnias por parte de missionários e orientais ocidentalizados.
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O reconhecimento do Tantra como doutrina espiritualmente importante deve-se, em grande parte, às observações realizadas no campo da tradição tibetana.
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Refutação de preconceitos internos, como os do professor Tajima, que tentavam hierarquizar centros de origem (Nalanda versus Vikramashila) para desqualificar certas formas esotéricas.
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A denigração do simbolismo sexual serviu historicamente para obscurecer o valor das doutrinas de Naropa, Marpa e Mila Repa.
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Identificação de uma divergência fundamental nas atribuições sexuais entre as escolas hindu e budista, apesar do simbolismo comum.
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No Tantra hindu, a divindade masculina (Shiva) representa o aspecto estático, enquanto a feminina representa a Shakti ou energia dinâmica e criativa.
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No Tantra budista, a prajna (sabedoria) é associada ao aspecto estático e feminino, enquanto o upaya (método) é o elemento masculino e dinâmico, vinculado à compaixão e ao esforço.
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A tentativa de alguns autores em declarar uma forma como superior ou anterior à outra é vista como patriotismo religioso tendencioso.
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Compreensão da Revelação Tântrica como um fenômeno providencial que pertence a ambas as tradições indianas em resposta a uma necessidade cíclica.
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O Tantra é considerado o caminho mais apropriado para a fase atual do ciclo mundial, onde métodos primordiais já não atendem plenamente às necessidades dos seres.
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A identidade fundamental entre as vertentes reside na representação da não dualidade através do amor conjugal, preservando características originais conforme o gênio de cada tradição.
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Narrativa sobre a disputa simbólica entre Demchhog e Shiva pelo Monte Kailas como exemplo de como identidades subjacentes atravessam rivalidades religiosas.
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A explicação de um lama tibetano sugere que Demchhog apropriou-se dos atributos e da consorte de Shiva, transmutando a qualidade de Shakti em prajna.
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A permanência imutável da realidade no Monte Kailas demonstra que diferentes formulações tradicionais podem conduzir ao mesmo centro.
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Persistência da viabilidade dos métodos tântricos na contemporaneidade, desde que guardada a estrutura mestre-discípulo e a iniciação por um guru qualificado.
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A ocupação do Tibete representou a perda de uma fonte central de influência espiritual, mas oportunidades persistem em regiões vizinhas e em escolas como Shingon e Tendai no Japão.
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A ameaça do industrialismo e do desenvolvimento de métodos sem sabedoria coloca o homem moderno em uma escravidão mecânica e falta de discernimento.
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A era atual, caracterizada por Tsong Khapa como de resíduos impuros, exige do aspirante uma fidelidade inabalável ao caminho, independentemente das condições externas.
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Expansão dos métodos tântricos para o Ocidente através de mestres tibetanos, abrindo novas portas para a espiritualidade em terras estrangeiras.
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O estabelecimento de centros de ensino na Europa e América cria consequências imprevisíveis para o futuro da tradição.
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Definição do espírito tântrico como a busca pela transmutação da alma humana para permitir a emergência da mente de Bodhi.
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O processo é comparado à alquimia mineral, onde nenhum elemento é destruído, mas sim convertido de uma base poluída em algo puro e nobre.
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A incompreensão moderna sobre a alquimia, que a via apenas como química primitiva ou ganância material, é análoga à incompreensão sobre o Tantra.
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Analogia entre a essência comum dos metais na alquimia e o estado búdico potencial em todos os seres.
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O alquimista vê no chumbo o brilho potencial do ouro, tal como o tântrico vê no homem mundano um Buda enfermo que necessita de cura existencial.
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Atitude tântrica em relação à ética e aos vícios, vistos como fontes de poder latente e virtudes mal aplicadas.
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Em vez da simples supressão da vontade, a técnica consiste em utilizar as paixões como matéria-prima para a regeneração integral, evitando o vácuo psíquico perigoso ilustrado pela parábola de Cristo sobre os sete demônios.
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O tratamento provisório de elementos passionais não implica em aprovação do vício, mas sim em uma busca por equilíbrio psíquico e transmutação do meio onde os atos surgem.
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Compreensão da virtude como um modo de conhecimento e fator dispositivo para a iluminação, enquanto o vício é um fator de espessamento do véu da ignorância.
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A prática das virtudes é comparada à limpeza de uma janela na alma, sendo essencial para quem segue o caminho do conhecimento.
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O Tantra é, em última análise, a ciência alquímica da alma que transmuta o chumbo da existência samsárica no ouro eterno do estado búdico.
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