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CRIACIONISMO ESCOLÁSTICO
SCHAYA, Léo. La Création en Dieu: à la lumière du judaïsme, du christianisme et de l’islam. Paris: Dervy, 1983.
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O recurso à obra de Maimônides fundamenta a análise de um exemplo característico da perspectiva criacionista a partir do nada na tradição judaica, matriz histórica desse conceito nas religiões semíticas.
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A teologia e a filosofia de Maimônides, em conjunto com o pensamento muçulmano, serviram de base preparatória para a estruturação da escolástica cristã.
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O entendimento de figuras como Alberto Magno, Santo Tomás de Aquino, Roger Bacon, São Boaventura e Duns Escoto depende do conhecimento de precursores como Avicena, Averróis e Maimônides.
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A substância da doutrina cristã, embora alimentada pelo Infinito, renova-se e explicita implicações profundas através do confronto com aportes externos que suscitam novas reações intelectuais.
As novidades doutrinárias residem implicitamente nas tradições antigas, sendo os aportes estrangeiros manifestações da riqueza infinita da Sabedoria de quem revelou as religiões autênticas.-
A unidade transcendente das religiões permite a convergência de aspectos antinômicos e complementares da Manifestação universal do único Verdadeiro e Real.
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No contexto cristão, os aportes externos referem-se primordialmente à filosofia grega de Platão e Aristóteles, reinterpretada pelo monoteísmo judeu e muçulmano.
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A recepção dessa herança helênica exigiu revisões para adequá-la ao monoteísmo trinitário e cristológico, distanciando-se da ontocosmologia grega original.
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As definições cristãs de criação, embora terminologicamente análogas às anteriores, divergem no fundo dogmático, exceto quanto à concepção da Essência absoluta de Deus.
Tomás de Aquino afasta-se de Maimônides ao integrar influências de Santo Agostinho e Dionísio o Areopagita, que equilibram o naturalismo de Aristóteles com o platonismo.-
Maimônides evitou a filosofia de Platão por considerá-la obscura e excessivamente imagética, preferindo a autoridade de Aristóteles.
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As divergências entre o Doutor Comum e Moisés ben Maimôn revelam-se tanto na estrutura teológica quanto na aplicação da ontocosmologia à criação.
A divergência fundamental entre Tomás de Aquino e Maimônides concentra-se na interpretação dos atributos divinos afirmativos e sua relação com a Substância de Deus.-
Maimônides sustenta que termos afirmativos como bom ou sábio servem apenas para negar imperfeições ou indicar relações causais com a criatura, sem descrever a Substância divina.
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Tomás de Aquino afirma que os nomes afirmativos significam a própria Substância divina, embora a representem de maneira imperfeita através da semelhança das criaturas com seu Princípio.
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As perfeições encontradas nas criaturas preexistem em Deus de modo proeminente, sendo Ele a causa da bondade por ser essencialmente bom, conforme Santo Agostinho.
Tomás de Aquino e Maimônides concordam que a criação é um ato da livre vontade de Deus, e não uma necessidade da natureza divina.-
A existência do mundo depende exclusivamente da vontade divina como sua causa, não sendo necessário que Deus queira algo além de Si mesmo.
O conceito de criação a partir do nada oscila entre a afirmação literal do nada e a interpretação de que nada externo a Deus preexiste ao ato criador.-
A perspectiva esotérica da criação de Deus e em Deus aproxima-se dessa última visão, desde que se negue qualquer descontinuidade absoluta entre o Criador e o criado.
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Os exoteristas preservam a fórmula do nada para garantir uma separação radical e evitar a confusão entre Deus e a criação.
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O uso simplificado do termo nada em contextos pedagógicos, como catecismos, induz as massas a uma interpretação literal do nada absoluto.
A complexidade das análises escolásticas e a acumulação de distinções técnicas dificultam a eliminação da concepção vulgar e literal do nada na linguagem corrente.-
O sentido elaborado por teólogos e filósofos frequentemente diverge da acepção comum dicionarizada de tirar do nada.
A doutrina da criação a partir do nada está presente no cristianismo desde o período judaico-cristão primitivo, conforme registrado por Santo Hermas no século segundo.-
Santo Hermas define o ato criador como a passagem do não-ser ao ser, o que permite interpretações tanto esotéricas quanto literalistas.
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O Quarto Concílio de Latrão e o Primeiro Concílio do Vaticano dogmatizaram a produção de todas as substâncias, espirituais e materiais, a partir do nada, sob pena de anátema.
Tomás de Aquino define o nada como a ausência de ser, estabelecendo que a criação parte de um não-ente assim como a geração do homem parte do não-homem.-
A comparação lógica utiliza o Logos como princípio eterno para esclarecer a relação entre o criacionismo e a realidade do ser.
O uso do termo emanação em Tomás de Aquino e Maimônides não implica a necessidade panteísta, mas descreve a ação de Deus como fonte total do ser das criaturas.-
A antinomia entre criação e emanação é resolvida pela afirmação de que os seres criados participam do ser sem serem sua própria essência.
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Deus é identificado como a única Essência necessária, cujo ser é idêntico à Sua própria natureza.
O nada na fórmula criacionista não possui caráter absoluto ou causal, representando apenas a inexistência prévia do fenômeno criado na ordem lógica.-
A Causa universal, que é Deus, precede ontologicamente a criatura, sendo o nada apenas a negação da existência da criação antes de sua produção.
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A sucessão lógica não atribui ao nada o papel de substância ou causa do que é criado.
A criação a partir do nada nega a existência de uma causa material preexistente, afirmando que Deus produz a totalidade da substância independentemente de qualquer pressuposto.-
O nada não se torna a substância da coisa, mas indica que a produção divina é integral e soberana.
O não-ser é uma construção da razão sem realidade intrínseca ou cognoscibilidade fora da negação do ser.-
O nada não pode ser causa real de nada, atuando apenas por acidente como privação ou afastamento do influxo positivo do Ser divino.
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O mal e a ignorância são descritos como a atualização de um nada relativo resultante da ausência de luz ou ciência.
Deus pode causar o aniquilamento relativo das coisas ao retirar Sua ação criadora, embora o nada absoluto seja impossível devido à participação intrínseca das criaturas no Ser eterno.-
A potência divina é a fonte permanente do ser, e as potências finitas não podem resistir indefinidamente ao influxo vital de Deus.
Jacques Chevalier observa que, para Tomás de Aquino, o nada é um simples ente de razão que não atua como causa, sujeito ou termo da ação divina.-
A expressão tirada do nada significa a dependência total da criatura em relação ao Incondicionado absoluto.
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O Divino Artista produz efeitos pela virtude de Sua própria natureza, sem necessidade de materiais exteriores.
O ponto de partida da criação é concebido como não-ser puramente lógico, enfatizando que a substância completa da coisa reside no seu termo último.-
O conceito de não-ser serve para ilustrar a transição para a existência cósmica sem postular um nada real preexistente.
As criaturas que não existem em si mesmas preexistem incriadamente em Deus como objetos de Seu conhecimento e preordenação, segundo a epístola aos Romanos quatro, dezessete.-
O nada que precede a ação divina refere-se apenas à ausência de algo que seja externo ou estranho à Essência de Deus.
As criaturas estão em Deus tanto por estarem sob Seu poder e conservação quanto por estarem em Sua mente através de suas razões próprias, que se identificam com a Essência divina.-
A vida em Deus é estática e eterna, enquanto o movimento e a existência temporal ocorrem na natureza própria das criaturas sob a Onipresença divina.
A inexistência criatural das coisas equivale à sua pré-existência inteligível no Ser eterno, que conhece Sua Essência como participável por semelhança.-
Deus concebe em Sua Unidade uma pluralidade de Ideias arquetípicas que funcionam como exemplares para a multiplicidade criada.
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A multiplicidade das Ideias é estabelecida pelo Intelecto divino ao comparar Sua Essência com as possibilidades de participação, sem que isso fragmente a Unidade absoluta de Deus.
As relações subsistentes na Essência divina constituem as três Pessoas da Trindade, que se distinguem das relações cognitivas e causais estabelecidas com as criaturas.-
A determinação do criado como outro em relação à Substância infinita gera a existência efêmera de formas e matérias finitas.
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A descontinuidade entre o Criador e o criado é superada pela relação real de dependência da criatura para com sua Causa incriada.
Deus é o Senhor real das criaturas por lhes conferir realidade e presença íntima através de Sua continuidade infinita, apesar da dissimilitude de naturezas.-
A relação de Deus com a criatura é de razão, mas a relação da criatura com Deus é real, baseada na dependência ontológica absoluta.
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A soberania divina manifesta-se simultaneamente ao surgimento do servo no ato criador.
A presença de Deus em todas as coisas é íntima e profunda, pois Ele é a causa do ser, que é o elemento mais interno de qualquer ente.-
Deus contém todas as coisas e age nelas imediatamente; a distância entre o Criador e o criado é de ordem qualitativa e não espacial.
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A habitação divina no mundo ocorre por Potência, Presença e Essência, sustentando a existência de cada ser.
As coisas preexistem em Deus como em seu Exemplar primeiro, sendo as Ideias identificadas com a própria Essência divina em Sua unidade.-
A multiplicidade arquetípica é reduzida à unidade pela Trindade, que atua como a Causa exemplar e eficiente de todas as coisas.
O ato de criar é comum às três Pessoas da Trindade, embora se atribuam funções específicas a cada uma conforme seus atributos e processões.-
O Pai é o princípio sem princípio (Poder); o Filho é o Verbo por quem tudo foi feito (Sabedoria); o Espírito Santo é o Amor que governa e vivifica (Bondade).
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As processões das Pessoas são as razões produtoras das criaturas, envolvendo Ciência e Vontade no processo de manifestação.
Toda criatura carrega um vestígio da Trindade em sua subsistência (Pai), em sua forma específica (Filho) e em sua ordenação final (Espírito Santo).-
A subsistência representa o princípio; a forma representa a concepção do Verbo; a orientação para o bem representa a vontade do Amor.
A Trindade é a Causa inicial, eficiente, exemplar e final que conduz todas as coisas de volta à Essência divina em um movimento circular.-
O retorno a Deus é o fim último de todas as coisas, devendo ser realizado pela criatura inteligente através da união unitiva do amor e do conhecimento.
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A deificação do homem ocorre pela Graça (participação na Natureza divina), pela Caridade (movimento para o Bem) e pela Sabedoria (alcance da Filiação divina).
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