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REINO DOS CÉUS
SCHAYA, Leo. L’Homme et l’Absolu selon la Kabbale. Paris: Dervy-Livres, 1977.
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O conhecimento do Reino celestial no Esoterismo judeu fundamenta-se na doutrina das Sephiroth, que atuam como causas e arquétipos dos mundos celestes.
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A verdadeira compreensão destes mundos não é meramente mental, mas obtida pela visão do coração e pela percepção do Espírito universal que habita o homem.
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A gênese dos céus ocorreu quando o “Santo Único” combinou a Luz original do lado direito com a obscuridade do lado esquerdo, harmonizando fogo e água para formar Schamaïm.
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Os chamados “Céus dos céus” são os princípios imediatos da criação, constituídos pela tríade imanente Schekhinah (Presença de Kether), Metatron (Hokhmah) e Avir ou Éter (Binah).
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Existem dez cortinas no Tabernáculo que simbolizam os dez céus e as dez Sephiroth, mistério acessível apenas pela compreensão espiritual supra-racional.
Os sete céus criados funcionam como moradas hierárquicas para almas humanas, anjos e espíritos, sendo cada “Palácio” presidido por um espírito profético específico.-
No centro de cada céu reside o Homem celestial em uma manifestação profética que revela o Divino conforme a Sephirah dominante daquele plano.
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Almas humanas ocupam uma posição contemplativa e unitiva próxima ao Divino, enquanto anjos e espíritos executam ordens divinas em regiões mais periféricas.
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Há uma correspondência entre os sete palácios do Éden superior (Paraíso celeste) e os sete do Éden inferior (Paraíso terrestre), servindo os inferiores como preparação para os superiores.
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A hierarquia celeste é relativa, pois cada céu manifesta uma perfeição particular de Deus que, simultaneamente, abraça todos os outros aspectos divinos.
O sétimo céu, denominado Araboth, manifesta a Sephirah Hesed (Grâce) e é descrito como a “superfície das águas” onde ocorre o primeiro encontro entre Espírito e substância.-
Araboth é um lugar de pura alegria onde as almas dos justos, anjos oficiantes e o Trono da Glória residem em união integral com a Luz infinita.
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Este céu é dominado pelo Messias, cujo espírito é o do “Antigo dos Dias”, atuando como mediador universal entre a transcendência e a criação.
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Almas humanas são consideradas superiores aos anjos em perfeição por procederem de Metatron e se identificarem com a unidade do Homem principial (Adam qadmon).
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Todas as coisas criadas saem de Deus e retornam a Ele por meio de Araboth, incluindo o próprio inferno que será finalmente reintegrado neste plano.
O Trono da Glória é sustentado por quatro “Seres viventes” (Hayoth) que determinam os confins do cosmos e dão origem aos elementos sutis e corporais.-
Quando o Trono assume um aspecto dinâmico para iniciar a manifestação cósmica, ele é chamado de Char divin (Merkabah).
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Das Hayoth emanam os Kerubim (luzes brilhantes), os Ophanim (rodas vibratórias) e os Seraphim (aqueles que queimam e purificam com fogo espiritual).
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Os Serafins possuem seis asas que manifestam as seis Sephiroth ativas da construção cósmica, cooperando nas fases da cosmogonia e na santificação do Nome divino.
O sexto céu, Makhon (Lugar), manifesta a Sephirah Din (Julgamento) e atua como a esfera do discernimento universal, contendo as reservas de rigor purificador.-
É também chamado de “Palácio de Moisés”, o profeta da Lei que domina este plano e conduz as almas ao “beijo de amor” da absorção beatífica em Deus.
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Quatro arcanjos principais — Mikhaël, Gabriël, Raphaël e Oriël — guardam este palácio e atuam como mediadores que trazem revelações e protegem os justos.
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Deus governa os povos por meio de setenta Chefes celestes (Anjos da Guarda das nações), que são responsáveis perante o Rei supremo pela conduta das humanidades que dirigem.
O quinto céu, Maon (Morada), reflete a Sephirah Tiphereth (Beleza/Amor) e é o lugar onde a multidão celeste se une em harmonia sonora e luminosa.-
Abraham preside este “Palácio do Amor” (Ahabah), personificando a Coluna do Meio que transforma o rigor da Lei em raios salvadores de caridade universal.
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Quatro cores fundamentais (preto, branco, vermelho e amarelo/verde) simbolizam as Sephiroth centrais e se fundem em Maon para criar uma beleza e harmonia indizíveis.
O quarto céu, Zebul, manifesta Netsah (Vitória) e contém a Jerusalém celeste e o Tabernáculo inferior onde o arcanjo Mikhaël exerce a função sacerdotal.-
Isaac domina este céu como “Homem celestial”, pois seu mérito no sacrifício permite que o rigor de Deus seja absorvido pela “Justificação” (Zekhuth).
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O tribunal celeste e o Sanhedrin superior, compostos por luzes espirituais baseadas nos setenta e dois nomes sagrados de Deus, residem neste plano.
O terceiro céu, Schehaqim (Nuvens), manifesta Hod (Glória) e é o local onde a “manne” ou luz redentora (Nogah) é preparada para os justos.-
Jacob personifica a luz unitiva deste céu, onde as vinte e duas letras do alfabeto hebraico atuam como agentes dos arquétipos que traçam a Torah.
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Se a oração dos homens não sobe a este plano, a periferia rigorosa assume o controle e anjos destruidores, incluindo Samaël, descem para punir os mortais.
O segundo céu, Raqiya (Firmamento), manifesta Yesod (Fundamento) e suporta os luminares celestes, sendo o local onde as chaves da Sabedoria são guardadas.-
É neste céu que as almas recebem seu “hábito” celeste conforme o mérito realizado na terra, antes de passarem pela purificação no Rio de Fogo.
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A alma que não se purifica ou que possui culpa excessiva pode ser consumida nas chamas do Rio de Fogo até o fim dos ciclos de existência.
O primeiro céu, Vilon (Véu), manifesta Malkhuth (Reino) e funciona como uma cortina que se enrola ou desdobra para revelar ou esconder a Shekhinah.-
Joseph preside este plano, onde a luz é percebida como através de um saphir ou como o reflexo do sol na água por aqueles que ainda não purificaram sua substância.
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A Coluna do Meio atravessa todos os palácios e permite a ascensão das almas, sendo a oração do homem o motor que provoca a união entre o Espírito de baixo e o Espírito de cima.
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