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schuon:olho:iman-islam-ihsan

IMAN – ISLAM – IHSAN

  • A tradição islâmica comporta três elementos ou estados fundamentais: el-iman, a fé, cujo assento é o coração; el-islã, o abandono ou submissão à Vontade divina, que engloba todo o indivíduo incluindo as faculdades de sensação e ação; e el-ihsan, a virtude, que consiste na progressão qualitativa dos dois elementos precedentes.
    • O iman e o islã pertencem, a priori e segundo a interpretação ordinária, ao domínio da shariah, a Lei exterior.
    • O ihsan se identifica, na linguagem dos Sufis, ao tasawwuf mesmo, penetrando e qualificando os dois outros estados e os universalizando até a realização de seu sentido mais profundo.
    • O exoterismo tem do ihsan apenas uma definição extrínseca e não sabe explicar sua natureza; é aqui que intervém o Sufismo, que é a ciência mesma do ihsan e o ponto de junção entre a religião exterior e a sabedoria iniciática.
  • A fé, em seu sentido profundo, é o consentimento a uma ideia de natureza em parte extra-intelectual, que concerne menos às ideias puras do que às formas de que elas se revestem; a adesão religiosa deve ser realizável por todos os membros de uma coletividade, sendo em parte intuitiva, racional e emotiva, portanto relativamente passiva e inconsciente.
    • O iman em sentido puramente espiritual não é mais uma consciência indireta e simbólica do Divino, mas uma participação imediata e ativa a Ele, uma parcela da própria Ciência divina.
    • A fé, ao contrário do conhecimento, é considerada uma virtude, o que mostra que não é coisa intelectual; a certeza implicada pelo conhecimento não é meritória, assim como não o é nenhuma evidência adquirida pelas faculdades sensíveis.
    • O que confere à fé seu caráter meritório é a ausência pressuposta de uma razão objetiva suficiente, pois é virtuoso crer o que não se vê; o conhecimento, ao contrário, é a si mesmo sua própria razão de ser.
    • Todo conhecimento é objetivo e estático por definição, enquanto a fé, função intelectual do amor, é sempre subjetiva e dinâmica.
  • O termo islã, e não iman, serviu de denominação à tradição muçulmana porque, se em princípio a ideia é mais que sua aplicação, no plano da manifestação a aplicação envolve para assim dizer a ideia; o islã comporta três graus: o islã natural, o intencional e o espiritual.
    • O islã natural é a conformidade necessária, passiva e inconsciente das coisas à sua Causa ontológica, em virtude da qual todo ser contingente é muslim, submetido.
    • O islã intencional, voluntário e livre, se traduz por uma conformidade ritual e moral à legislação sagrada, e concerne aos que são submetidos por sua vontade; são os Muçulmanos, ou, em sentido mais amplo, os homens vinculados à sua tradição respectiva.
    • O islã espiritual não abrange nenhuma coletividade como tal; quem o realiza está unido no Amor divino, submetido pelo efeito de sua realização espiritual e não por uma vontade mais ou menos separada de si mesmo, sendo por isso a si mesmo sua própria Lei.
    • O Sufi, que é muslim em pleno conhecimento de causa e com todo o seu ser, realiza o islã universal, comparável em perfeição ao islã natural mas ativo e consciente: a alma se estende à manifestação total e nela se infunde, e inversamente a manifestação total entra na alma e torna-se o islã desta; o mundo parece depender do Sufi, e como este é sua própria Lei, é a Lei do mundo.
  • O terceiro estado, o ihsan, é compreendido pelo ternário shariah, tariqah e haqiqah: a shariah compreende o iman e o islã como elementos religiosos e sociais; a tariqah, a via estreita e direta, é idêntica ao ihsan; e a haqiqah, a Verdade transcendente, é sua razão de ser e fim supremo.
    • A shariah é a participação indireta à haqiqah; a tariqah conduz de uma à outra mediante o Conhecimento.
    • O ihsan é assim simultaneamente a Via e a Verdade, o Conhecimento e o Amor.
  • Os dois modos do ihsan, a Conhecimento (marifah) e o Amor (mahabbah), traduzem respectivamente o iman e o islã: a marifah é um iman vivificado que ultrapassou a letra e tornou-se espírito; e a mahabbah é um islã vivificado em que a submissão estática tornou-se participação dinâmica.
    • O conhecimento relativo é separado do amor relativo, como o iman é separado do islã; mas o Conhecimento absoluto se identifica ao Amor absoluto.
    • Conhecimento e Amor são então os dois aspectos de uma mesma Realidade, como a Verdade e a Perfeição são uma.
    • O Intelecto ocupa no microcosmo humano o papel do Princípio, e o indivíduo o do manifestado; o ihsan é a realização consciente, ativa e imediata das relações entre o Princípio e a manifestação: é por um lado a santificação do criado e por outro sua reabsorção ou aniquilação no imutável.
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