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MEDITAÇÃO
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A meditação não possui a virtude de provocar por si mesma iluminações; seu papel é negativo no sentido de afastar os obstáculos interiores que se opõem a um conhecimento preexistente e inato, sendo comparável não a uma luz que se acende numa câmara escura, mas a uma abertura praticada no muro para deixar entrar a luz que preexiste do lado de fora.
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O homem, sendo por definição um ser pensante, deve necessariamente partir de um pensamento, não apenas para as necessidades da vida exterior, mas também no esforço espiritual de superar o plano das limitações mentais.
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Quem pensa para o mundo deve também pensar para Deus, pois todo deve integrar-se no espiritual.
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Toda via espiritual, independentemente de seu modo ou nível, comporta três grandes graus: a purificação, que faz o mundo sair do homem; o florescimento, que faz o Divino entrar no homem; e a união, que faz o homem entrar em Deus.
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Há no homem algo que deve morrer: a alma-desejo, cujo ponto de queda é o corpo sensorial.
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Há no homem algo que deve se converter e ser transmutado: a alma-amor ou alma-vontade, cujo centro de gravitação é o ego.
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Há no homem algo que deve tornar-se consciente de si mesmo, despertar e tornar-se tudo: a alma-conhecimento, o Espírito, cujo sujeito é Deus e cujo objeto é ainda Deus.
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O papel da meditação é abrir a alma, primeiramente à graça que afasta do mundo, depois à que aproxima de Deus, e finalmente à que reintegra em Deus.
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A primeira meditação própria a libertar o homem dos apegos terrestres é a da morte e do caráter efêmero de toda coisa; embora de caráter aparentemente negativo, esse aspecto é compensado pelo aspecto positivo: retirar-se do mundo é abrir-se ao Raio divino e dispor-se a conhecer a Eternidade de Deus.
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Mas essa meditação é limitada como toda forma e não pode constituir o único ponto de partida possível.
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A atitude ativa e positiva no mesmo plano ascético deriva não da ideia da morte mas da certeza de encontrar o Absoluto, que como a certeza da morte prevalece sobre todos os valores relativos da vida.
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A meditação ativa vence o temor não por uma atitude retirada mas por uma atitude combativa: a consciência de que Deus nos vê estimula uma afirmação voluntária que abre a alma à Graça e elimina o que a enfraquece.
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O que o homem deve superar por esta meditação não é o desejo mas a torpor natural da alma, sua preguiça em relação à única coisa necessária; sacudindo essa sonolência, o homem se abre ao Influxo divino.
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A perspectiva do amor contempla as Perfeições divinas, sinteticamente designadas pelo termo Beleza; ao invés de rejeitar o mundo por causa do caráter efêmero de suas perfeições, o amor se apega aos Protótipos divinos dessas perfeições, de modo que o mundo, esvaziado de seu conteúdo, não terá mais presa sobre o homem.
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Quem sabe que tudo o que ama aqui é amável em virtude das Essências e preexiste infinitamente na Divindade se desprende quase sem o querer das sombras terrestres; nada se perde, pois as perfeições deste mundo não são senão reflexos fugazes das Perfeições eternas.
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Essa meditação ajuda a superar o mundo não renunciando a ele a priori, mas reencontrando-o além do criado, no Princípio que é a Causa de todo bem; a alma assim consolada se repousa em Deus e encontra a paz.
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A beleza é nas criaturas antes de tudo um atributo exterior, e aparece da forma mais pura e abstrata no reino mais periférico, o dos minerais; essa exterioridade da beleza é o reflexo inverso do rapport principial: se a beleza parece exterior nas criaturas, é porque é interior em Deus.
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A Beleza de Deus, se fosse tão facilmente acessível quanto a das criaturas, as aparentes contradições da criação se resolveriam por si mesmas; assim como a beleza de uma mulher pode suprimir todos os raciocínios, a Beleza divina compensa infinitamente as misérias do mundo.
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A concentração contemplativa na Beleza ou Beatitude divina implica na atitude do indivíduo uma analogia paralela (calma, repouso, paz) e uma analogia inversa (contentamento com o que possui de modo imediato e inelutável, resignação com tudo o que é segundo a vontade do destino).
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A fervura, atitude complementar do contentamento, lança a alma em direção à Bondade e Misericórdia divinas, dissolve todos os endurecimentos da alma e se afirma exteriormente pelo amor ao próximo, abolindo as separações individuais nascidas do endurecimento do coração.
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As meditações de caráter metafísico, exclusivamente esotéricas, partem não do indivíduo mas da natureza das coisas; a primeira é o discernimento entre o Real e o irreal, que, sendo distinção e mesmo aniquilamento do irreal, corresponde no plano da intelectualidade pura ao renúncia do plano passional.
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Segundo essa perspectiva, Deus sozinho é; o mundo não é senão ilusão ou nada; não há que renunciar, pois nada é; basta conhecer pelo Intelecto que nada é real.
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A Unicidade divina não pode se manifestar como tal; para se manifestar no mundo, deve se velar, sob pena de reduzir o mundo a nada; esse véu necessário, que não é outra coisa que a Existência, tem por consequência uma refração da Unicidade divina, daí as diferentes Revelações que se excluem mutuamente no plano das formas mas cada uma representa e transmite realmente a Unicidade não manifestada.
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Essa atitude engendra o conhecimento de si mesmo, condição sine qua non do conhecimento de Deus, e é a justiça ou objetividade em sua forma mais elevada.
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A perspectiva da união formula-se assim: nada é fora de Deus senão o nada, e como eu não sou nada, sou tudo; não sou outro que Ele em minha Essência supra-individual da qual o ego não é senão uma refração e portanto um símbolo.
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O ato mental correspondente é a concentração sobre o Real, o Absoluto, o Infinito, que realiza uma atualização quase existencial de Deus, pressupondo o discernimento intelectual precedente.
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É somente em Deus que eu sou realmente Eu; na ilusão individual, sou como separado de mim mesmo, e o eu criado não é senão um véu que me esconde a Mim-mesmo que sou incriado.
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Essa meditação é plenitude e totalidade, não vazio e unicidade; é inacessível ao espírito vulgar e mesmo mortal para ele, daí as negações e interdições teológicas que visam sempre o interesse comum.
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São Macário do Egito afirmou que as coroas e diademas que recebem os cristãos são incriados; São Gregório Palamas afirmou que os santos que participam da Graça divina tornam-se, conforme à Graça, sem origem e infinitos; Mestre Eckhart afirmou que somos totalmente transformados em Deus, de tal modo que não há mais nenhuma distinção.
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As seis atitudes espirituais fundamentais correspondem rigorosamente à natureza das coisas e podem ser designadas respectivamente pelos termos negação e afirmação, passividade e atividade, vazio e plenitude, ou pelos símbolos cristal e relâmpago, água e fogo, noite e sol.
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Na crainte há uma atitude negativa (renúncia, desapego) e uma afirmativa (esforço, perseverança).
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No amor há uma atitude passiva (contentamento, paz) e uma ativa (fé, fervor).
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No conhecimento há uma atitude distintiva (discernimento entre o Real e o irreal, extinção do irreal) e uma unitiva (concentração sobre o que realmente sou, identidade com o que sou).
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As fórmulas resumem as seis atitudes: Deus é Pureza imutável; Força vitoriosa; Beleza bem-aventurada; Bondade salvadora, Amor misericordioso; Inteligência discernente, Unicidade; Realidade una sem escissão.
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Segundo a doutrina hesicasta, as duas grandes graças que o Cristo legou com seu Nome são a paz e o amor, correspondendo respectivamente ao aspecto estático e ao aspecto dinâmico de um mesmo modo de espiritualidade, a bhakti.
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