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TER UM CENTRO
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A normalidade humana define-se pela homogeneidade da alma que possui um centro unificador, identificado como o sentido do Absoluto ou o amor a Deus, em contraste com a alma heteróclita e dividida.
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Alma normal como casa unida.
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Tendência unívoca em direção ao centro decisivo.
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Destino escatológico da alma fragmentada.
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A antropologia tradicional distingue entre homens centrados, classificados em tipos espirituais, nobres e probos, e homens descentrados que carecem de unidade interior devido a uma mistura desordenada de tendências.
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Tipos centrados: sacerdotal, guerreiro, trabalhador honesto.
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Tipo sem ideal: homem do prazer que necessita ser dominado.
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O desequilíbrio resultante da mistura de castas naturais.
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O tipo humano desprovido de centro, frequentemente associado ao paria, caracteriza-se pela instabilidade psíquica e pela necessidade de imitar personalidades alheias devido à falta de identidade própria.
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Paria como ator nato e sem continuidade.
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Perigo social da imprevisibilidade e falta de confiança.
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Busca de sucedâneos de centro na experiência arbitrária.
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A privação de um centro natural não condena o indivíduo irremediavelmente, pois a conexão com o Centro supra-humano permanece acessível a todos através da oração e da misericórdia divina.
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Possibilidade de recuperação pela submissão a um mestre ou a Deus.
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Oração como meio de situar-se no centro do mundo.
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Universalidade da salvação potencial.
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A aparente descentralização da mulher na busca pelo complemento masculino não implica ausência de centro pessoal, pois como ser humano ela possui plenamente a capacidade de objetividade e virtude.
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Distinção entre o centro sexual e o centro humano.
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Capacidade feminina para a lógica desinteressada e a norma.
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Independência da personalidade integral em relação à psicologia sexual.
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A cultura moderna substituiu o culto aos santos e heróis pela idolatria do gênio, figura muitas vezes caracterizada por uma hipertrofia criativa que mascara a ausência de um centro interior e de equilíbrio moral.
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Fascinação pública pelo gênio infeliz ou mórbido.
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Gênio moderno como compensação para a falta de santidade.
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Distinção entre gênio normal e gênio patológico.
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O gênio moderno apresenta frequentemente uma desproporção entre a obra brilhante e o caráter pessoal medíocre ou patológico, fruto de um subjetivismo sem freios e de uma psique cindida.
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Coexistência de talento artístico e caráter odioso.
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Obra como manifestação de apenas um compartimento da alma.
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Risco de psicopatia no gênio descentrado.
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A produção artística profana não deve ser rejeitada sumariamente se manifestar qualidades cósmicas ou arquétipos de beleza, assim como a arte sacra não é imune à mediocridade técnica ou à ininteligência.
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Gênio profano como médium de qualidades universais.
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Injustiça de julgar a obra apenas pela etiqueta tradicional.
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Independência das valores estéticos em relação ao clima humano.
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O defeito fundamental do gênio mundano reside na colocação do centro fora de si mesmo, na obra, ao contrário do gênio normativo que mantém a primazia da salvação e da interioridade.
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Gênio ideal exemplificado por Dante ou Virgílio.
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Obra como manifestação de um centro rico e profundo.
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Necessidade de a arte comunicar verdade e virtude.
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O humanismo falha ao propor um ideal moral dependente da moda e do homem finito, ignorando que as qualidades humanas só se sustentam quando referidas ao Ser necessário e à autotranscendência.
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Contradição do idealismo sem fundamento transcendente.
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Evolução do humanismo moralista para o amoralismo.
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Religião como única proteção eficaz do homem contra o homem.
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A música de Beethoven exemplifica o gênio humanista que exterioriza e dilata paixões que deveriam permanecer interiores, contrastando a beleza dos motivos com a megalomania da forma e a indiscreção emocional.
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Desproporção entre obra artística e personalidade espiritual.
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Dilapidação de possibilidades contemplativas.
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Afinidade da música moderna com a megalomania plástica da Renascença.
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O destino trágico de gênios como Nietzsche ou a limitação burguesa de Goethe resultam da inadequação entre a grandeza natural da alma e a mediocridade do ambiente cultural pós-renascentista.
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Nietzsche como grito de grandeza em ambiente paralisante.
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Goethe como vítima do clima kantiano e humanista.
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Falta de espaço vital para o alto na cultura moderna.
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A literatura romanesca constitui uma vampirização da vida real, onde autores e leitores vivem vicariamente através de fantasmas imaginários em vez de buscarem a única coisa necessária e viverem suas próprias vidas.
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Romancista que dá seu sangue a sombras.
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Cultura como ópio literário e fuga da realidade.
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Colapso inevitável do mundo de sonho do século XIX.
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A busca obsessiva pela originalidade no modernismo leva à subversão e à feiura, pois é mais fácil destruir e chocar do que construir com base na verdade e na beleza arquetípica.
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Originalidade baseada em absolutos falsos ou negativos.
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Realismo literário como redução à vileza contingente.
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Verdadeira originalidade como combinação de tradição e personalidade.
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A ausência de escrita ou de produção cultural excessiva em povos primitivos não indica falta de gênio, mas uma orientação para o eterno presente e uma satisfação com a cultura fornecida pela natureza virgem.
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Três tipos de gênio primitivo: real, oratório, contemplativo.
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Natureza como alimento suficiente para a alma.
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Desinteresse pela superposição de criações humanas à obra divina.
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A emergência de grandes monumentos culturais nas tradições coincide frequentemente com o declínio da visão espiritual direta, servindo como uma exteriorização necessária para lembrar o centro perdido.
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Cultura tradicional como canto do cisne da revelação.
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Necessidade de suportes externos em épocas de esquecimento.
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Complementaridade entre arte sacra e natureza virgem.
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A inteligência integral define-se pela adequação ao real total e pelo senso das proporções entre o terrestre e o celeste, não se confundindo com a habilidade mental parcial ou o talento artístico isolado.
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Distinção entre inteligência brilhante e inteligência essencial.
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Orgulho como limitador e destruidor da inteligência.
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Ininteligência fundamental do naturalismo grego apesar da exatidão.
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A verdadeira liberdade humana reside na escolha de um centro que liberte e integre a personalidade, superando o narcisismo individualista através da conformidade com a natureza profunda do ser.
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Liberdade para escolher o que somos no fundo.
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Humanismo como decapitação do homem e rebarbarização.
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Santidade como a forma suprema de gênio.
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