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GRAUS E DIMENSÕES DO TEÍSMO

  • Cada conceito associado ao termo teísmo possui legitimidade desde que interpretado segundo uma intenção metafísica justa, incluindo o ateísmo, que em perspectiva búdica pode significar um imantismo espiritual subjetivo.
    • O termo ateísmo é, contudo, evitado por sua conotação puramente negadora e profana no uso convencional.
    • Expressões derivadas do termo teísmo são consideradas arriscadas devido ao uso linguístico desgastado, com exceção do monoteísmo, embora o foco resida na natureza das realidades e não nas nomenclaturas.
  • O metateísmo define a concepção vedantina ou taoista de uma Realidade sobreontológica (Atma suprapessoal) que ultrapassa o teísmo propriamente dito por excluir a dualidade inerente à Maya.
    • A Essência divina, por definição, não possui parceiros ou relações, ao passo que o Deus do teísmo cria, legisla, julga e salva.
    • O monoteísmo convencional reconhece a Essência de forma incidental ou a atribui ao Deus pessoal, o que gera o paradoxo de um Bem onipotente que parece desejar o mal ao não impedi-lo.
  • O pneumatoteísmo e o ouranoteísmo referem-se, respectivamente, ao Espírito de Deus refletido no centro do cosmos e aos Céus habitados pela Divindade, representando extensões do Princípio na manifestação.
    • O monoteísmo rigoroso acaba por englobar a manifestação divina na ordem principial ao tomar consciência dos traços da Essência.
    • Existe uma confusão teológica frequente que projeta a Essência na Pessoa ou vice-versa, em uma tentativa de conciliar os diferentes planos da Realidade.
  • O panteísmo tradicional, exemplificado pelo xamanismo, situa Deus acima do mundo, mas reconhece Sua penetração consciente na natureza através de anjos e espíritos.
    • Esta perspectiva difere do panteísmo filosófico de Espinoza (Deus sive natura), que identifica a Divindade integralmente com a substância do mundo.
    • Tradições como o Shinto, o Bon-Po tibetano e as religiões indígenas americanas baseiam-se nessa visão de uma presença divina mediada por entidades como os kami ou manitou.
    • A ligação desse panteísmo com a magia decorre da função prática conferida a esses espíritos como suportes de influências divinas no mundo sensível.
  • O limite inferior do teísmo é o panteísmo clássico, onde Deus é reduzido à totalidade do que existe, enquanto no xamanismo a sacralidade dos seres reside na alma subjacente e no arquétipo da espécie.
    • O metafísico reconhece que toda coisa é Atma por integrar-se na Existência e nas qualidades universais, sem que isso implique em um culto exclusivo aos fenômenos visíveis.
    • Os extremos se tocam: a compreensão da Essência divina leva ao reconhecimento da divindade indireta de tudo o que não é o nada, respeitando os fenômenos como assinaturas do Absoluto.
  • O panteísmo fundamenta-se no ponto de vista da imantidade, que é a presença divina tanto na alma quanto no mundo circundante.
    • A transcendência, inversamente, representa a inacessibilidade de Deus tanto acima da manifestação quanto no fundo do coração humano.
    • As variações da imantidade incluem o desvio objetivo (idolatria da natureza) e o desvio subjetivo (autodivinização do monarca, como no caso do Faraó ou dos imperadores romanos).
  • A cada forma de teísmo corresponde uma modalidade de latria ou culto, como a logolatria (culto ao Avatar e ao Intelecto) e a heliolatria (culto ao sol e aos astros, ligada ao panteísmo).
    • O culto aos animais pode ser legítimo quando o animal evoca princípios espirituais e normas arquétipicas intrínsecas à sua espécie.
    • A zoolatria constitui um desvio quando a adoração se fixa na forma física em vez do arquétipo evocado.
  • O animal, embora inferior ao homem por não ser um centro total, encarna valores ou não-valores específicos, podendo servir como veículo de influências espirituais ou mágicas.
    • O simbolismo animal autêntico baseia-se no caráter intrínseco da espécie, e não em associações de ideias convencionais ou detalhes exteriores arbitrários.
    • A ambiguidade do culto aos animais reflete a natureza intermediária do xamanismo operante, situado entre o espiritual e o psíquico.
  • O Islã exemplifica como um mesmo teísmo comporta diferentes latrias: uma fundamentada no amor e na benevolência (Rahmah) e outra fundamentada no temor e no culto ao Poder.
    • A teologia de Ashari e Ghazali prioriza o temor, mas a consciência coletiva compensa essa visão com a confiança e o amor místico.
    • O monoteísmo enfrenta o desafio de atribuir ao Deus Único tanto a Toda-Possibilidade (própria do Sobre-Ser) quanto as contingências acidentais (próprias do Logos cósmico).
  • A atribuição de eventos triviais ou infames à vontade direta do Souverain Bien é uma desproporção teológica decorrente da necessidade de salvaguardar a unidade absoluta e pessoal de Deus.
    • O Deus pessoal afirma as possibilidades arquétipicas, querendo as possibilidades como tais, sem se ocupar diretamente com os acidentes particulares.
    • A Essência suprapessoal quer apenas a Toda-Possibilidade em si, que coincide com Sua tendência ao irradiamento infinito.
  • A queda das criaturas na matéria densa decorre do princípio da expansão universal e é uma possibilidade contida na consciência do Ser, enquanto as múltiplas contingências resultantes dessa queda pertencem ao domínio do Logos.
    • O Logos rege o mundo diretamente e identifica-se com o Demiurgo platônico e com a Trimurti hindu (Brahma, Vishnu e Shiva).
    • A queda representa o afastamento de uma substância paradisíaca e incorruptível em direção a uma realidade inferior.
  • A Divindade permanece absolutamente una e simples em todas as Suas autodeterminações hipostáticas, não cessando de ser Deus mesmo ao manifestar diferentes camadas de conhecimento.
    • Um Deus matematicamente uno sob todos os aspectos, sem polaridades internas, seria incapaz de produzir a existência, criar o mundo ou comunicar-se com os homens.
    • A simplicidade divina coexiste com a complexidade de Seus relacionamentos com a relatividade, dependendo da perspectiva adotada.
  • O espírito hindu utiliza distinções sutis para organizar os diferentes planos da Realidade, o que resulta na aparência de um politeísmo popular que, em essência, mantém o Princípio supremo como único.
    • O gênio do hinduísmo consiste em não excluir nenhuma possibilidade religiosa, integrando simbolismos mitológicos e cultos diversos.
  • O ginecoteísmo fundamenta-se na ideia de que a deiformidade humana inclui necessariamente o feminino, sendo a mulher também imagem de Deus e protótipo de mistério e infinitude.
    • O androteísmo das religiões semíticas vê o macho como a totalidade que inclui a fêmea, partindo da precedência bíblica de Adam sobre Eva.
    • O shaktismo hindu concebe a Divindade em seu aspecto de feminilidade, associando-a ao informel e ao Criador como Mãe.
  • O cristianismo atribui à Virgem Maria o culto de hiperdulia, o que representa uma divinização de fato, situando-a como um Avatar feminino no grau supremo.
    • Maria é considerada a Esposa do Espírito Santo e Corredentora, títulos que a vinculam ao prolongamento cósmico da Ordem divina.
    • O Ave Maria e o título de Mãe de Deus inserem-na no culto do Logos e na mediação entre o humano e o divino.
  • As demarcações teístas decorrem tanto de perspectivas doutrinais quanto de sensibilidades religiosas individuais, refletindo um processo onde o homem escolhe seu Deus e Deus escolhe seu homem.
    • A diversidade de opções espirituais atende às diferentes necessidades e naturezas humanas no caminho da realização.
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