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SOFIA – SOFIOLOGIA
VERSLUIS, Arthur. Theosophia: hidden dimensions of Christianity. Hudson, NY: Lindisfarne Press, 1994.
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Francis Lee, discípulo espiritual de Jane Leade e membro da Philadelphian Society, afirma em carta de 12 de outubro de 1697 que realizar Sophia corresponde a um estado de revelação e visão divina aberto na alma, condição prévia para integrar o sacerdócio eterno de Melchizedek.
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A realização de Sophia é descrita como abertura interior da visão espiritual.
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O ingresso na ordem intemporal de Melchizedek depende desse estado.
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O nascimento da Sabedoria na alma a torna espelho límpido dos mundos invisíveis.
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O nascimento da Sabedoria precede o nascimento do Poder ou Logos Cristo.
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O processo implica disciplina espiritual complexa de nascimento e crescimento interior.
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A exposição fundamenta-se principalmente na escola boehmiana representada por Louis Claude de Saint-Martin, Gottfried Arnold e Jakob Böhme, privilegiando a forma germânica da mística sofianica.
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Referências cabalísticas à Sophia e à Shekhinah são consideradas secundariamente.
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A teosofia germânica é caracterizada por linguagem alquímica.
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O simbolismo planetário e astrológico exige longa iniciação interpretativa.
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Essa tradição é pouco conhecida na Europa e na América.
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Autores como Vladimir Solovyov e Sergei Bulgakov, situados no contexto ortodoxo oriental, relacionam-se com a teosofia germânica, mas não empregam a linguagem alquímica própria da escola boehmiana.
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Bulgakov reconhece a importância de Böhme, Gichtel, Arnold e Pordage.
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Afirma-se a tradição da Ortodoxia manifestada na Santa Sofia de Istambul.
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A eventual acusação de heterodoxia é considerada secundária diante da convergência experiencial.
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Identifica-se unidade essencial entre gnósticos cristãos, cabalistas, trovadores provençais e italianos, tradição ismaelita persa e teosofias germânica, francesa e inglesa.
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Solovyov estudou Böhme, Gichtel, Arnold e Pordage, mas declara ter buscado confirmações para suas próprias experiências visionárias da Sophia divina, iniciadas na infância.
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Uma das visões ocorreu no Egito.
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A experiência visionária é apresentada como irrefutável.
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Há assimilação de doutrinas intelectuais da teosofia alemã.
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Franz von Baader influencia a concepção da presença de Sophia em múltiplas tradições.
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A concepção tripartida de Sophia em Solovyov distingue aspectos mágico, ideal e encarnado, articulando poder formativo, mediação ideal e sabedoria redentora.
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O aspecto mágico corresponde à potência formadora da criação.
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O aspecto ideal situa-se entre transcendência e imanência.
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O aspecto encarnado manifesta-se como meio de salvação.
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A presença santa na criação é simultaneamente instrumento de redenção.
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A distinção cabalística entre Shekhinah superior e inferior é integrada à sofiologia germânica e russa como diferenciação entre Sophia eterna e Sophia como alma do mundo.
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A Shekhinah superior é luz primordial incriada.
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A Shekhinah inferior é luz emanada presente na criação.
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A Queda implica hipostasia da superior na inferior.
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A unidade última das duas é afirmada apesar da distinção.
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A sophiologia russa enfatiza a missão humana de elevar a Sophia decaída e reuni-la ao arquétipo transcendente, chegando em certos casos a afirmar cooperação na própria realidade divina.
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Florensky estende essa ideia à contribuição humana para Deus.
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Novalis já expressara concepção semelhante em aforismos.
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A duplicidade de Sophia como alma do mundo e forma angélica exige doutrina de redenção.
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A elevação da alma do mundo realiza-se pela reunificação com a Sophia transcendente.
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A espiritualidade sofianica implica processo redentor interior acessível por prática devocional visionária, convergindo tradições judaica, cristã e islâmica, como expresso por Henry Corbin em Spiritual Body and Celestial Earth.
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A percepção do Anjo da Terra ocorre em universo intermediário de imagens arquetípicas.
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Não se trata de conceito abstrato nem de dado sensorial.
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A imagem primordial corresponde à figura pessoal presente no íntimo da alma.
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A experiência dá-se como encontro com presenças arquetípicas.
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O Anjo da Terra é identificado com Sophia como alma do mundo no domínio interior, revelando à alma seu próprio centro espiritual refletido nessa imagem.
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A alma percebe exteriormente aquilo que constitui seu centro mais íntimo.
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A devoção dirige-se ao próprio fundamento transcendente.
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A imagem visionária expressa significação espiritual da existência.
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Sophia é apresentada como elemento puro no qual ocorre a revelação espiritual do Logos e como presença divina manifestada no cosmos, conforme ensinamentos de Jakob Böhme.
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Sophia é comparada a prisma que refrata a luz da Divindade.
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A aproximação da Trindade realiza-se por meio de Sophia.
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Sophia não integra a Trindade, mas funciona como meio de acesso.
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A aproximação exige encontro com a Virgem de Luz como centro verdadeiro do ser.
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A devoção sofianica assume forma antropomórfica e pode expressar-se como eros espiritual ou matrimônio místico, integrando energias naturais do eros humano às origens transcendentais, conforme as mistérias do amor evocadas por Platão.
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A relação com Sophia é comparada à de Dante com Beatriz.
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A analogia estende-se aos trovadores e aos amantes socráticos.
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O eros é orientado ao significado e origem transcendente.
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A expressão pode parecer escandalosa em suas manifestações extremas.
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