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SETE

ZOLLA, Elémire. I mistici dell’Occidente. 1. In: Gli Adelphi. Nuova edizione riveduta, quarto edizione ed. Milano: Adelphi edizioni, 2013.

  • A soma do quatro, associado à matéria, com o três, associado ao espírito, produz o sete como cifra da completeza.
    • Quatro designa o âmbito material e três o princípio espiritual.
    • A junção de ambos exprime totalidade ou perfeição.
  • Filon, no De opificio mundi (100-101), define o sete como número único na década por não ser nem gerador nem gerado, qualificando-o como virgem, imóvel e incriado, e associa-o à impassibilidade celeste, à perfeição terrestre, aos ciclos lunares, à Pentecostes e ao Jubileu como cifra de remissão e restauração.
    • Não é gerador ingenerado como o um, nem gerado não gerante como o oito, nem simultaneamente gerado e gerante como o quatro.
    • No mundo celeste significa impassibilidade e imobilidade; no mundo sublunar determina os circuitos da lua, cuja soma dos sete primeiros números resulta em 28.
    • É chamado perfeccionador, pois todo corpo orgânico possui três dimensões e quatro limites.
    • Sete vezes sete produz 49; acrescido de um resulta 50, número do Jubileu, tempo de remissão de dívidas, libertação de escravos e restituição das terras.
    • Após sete semanas desde a Páscoa celebra-se a Pentecostes.
    • O destino expulsa a fortuna como selo da mônada acrescida.
  • O sete estrutura múltiplas correspondências cósmicas, musicais, espaciais, rituais e teológicas, articulando notas, fases lunares, planetas, cores, movimentos, sacramentos, dons e ciclos astronômicos.
    • Sete notas, fases lunares, planetas e cores do arco-íris correspondem entre si.
    • Sete movimentos fundamentais — para cima, para baixo, à direita, à esquerda, para frente, para trás e em círculo — constituem gramática da dança ligada ao trabalho, ao céu e à criação.
    • O espaço torna-se setemplice ao acrescentar o centro às seis direções.
    • O sétimo dia é tabu, perigo, repouso e bênção, reunião à fonte.
    • Sete cordas da lira, meses mínimos de gestação, dia crítico das doenças, vogais, partes do rosto e potências da alma segundo Filon.
    • Cinco sentidos acrescidos de fala e sexo totalizam sete partes movidas como marionetes pela Razão.
    • Aristóteles afirma que quatro é potência e três é atualidade, cuja soma é sabedoria.
    • Sete véus de luz e treva recobrem a face de Deus; sete graus conduzem ao paraíso ou ao templo.
    • Sete sacramentos, beatitudes, dons do Espírito Santo e pecados capitais.
    • As lunações do ano somam 364 dias harmonizáveis com o acréscimo de um ao calendário solar baseado no doze; os planetas possuem correspondência nos doze signos do zodíaco.
    • Sete são as Plêiades e as estrelas da Ursa; as Plêiades determinam a data da semeadura e da colheita ao seu ocaso ou ascensão.
    • Os dois equinócios do sol ocorrem no sétimo mês.
  • Os afrescos de Guarienti nos Eremitani de Pádua, do século XIV, representam as sete idades do homem sob influências planetárias sucessivas.
    • Quatro anos sob a lua, dez sob Mercúrio, sete sob Vênus, dezenove sob o Sol.
    • Quinze sob Marte, doze sob Júpiter e o tempo restante até a morte sob Saturno.
  • As tradições místicas reconhecem uma ordem setemplice nos sete chakras do yoga, nas sete estações de Santo Agostinho, nas fases islâmicas de iluminação, nos pontos cabalísticos e nos estratos do mundo maior descrito por São Roberto Belarmino.
    • Sete chakras e sete estações descritas em De quantitate animae (70-79).
    • Sete cores da iluminação muçulmana e sete pontos da Cabala.
    • Sete estratos do mundo maior: terra, água, ar, fogo, sol, lua e estrelas.
    • O homem supera o mundo menor, depois o mundo maior, depois o mundo espiritual, a alma racional e os anjos.
  • Wilhelm Reich identifica sete anéis de couraça neurótica na fisiologia psicanalítica, correlacionáveis aos plexos do yoga, aos centros da Cabala e à psicologia planetária greco-romana.
    • Os anéis representam ausência de qualidade em contraste com as qualidades místicas.
    • Sete anéis defendem o neurótico contra a vida.
  • O sétimo anel, ocular, consiste na contração dos músculos do bulbo e das pálpebras e corresponde ao Sahasrara do yoga, a Saturno greco-romano, a Shabbatai ou Binah da Cabala e ao dom da sabedoria.
    • Olhos fixos como por trás de máscara.
    • No sistema dos sete dons do Espírito Santo corresponde à sabedoria que saboreia Deus.
    • No sistema dos sete círculos infernais corresponde à soberba; no sistema dantesco dos céus, ao sétimo céu da contemplação.
  • O sexto anel, oral, envolve boca, garganta, occipital e queixo e corresponde ao Ajna do yoga, a Tsede ou Chesed na Cabala e ao dom do entendimento.
    • Relaciona-se ao sonho, à vontade, à compaixão, à renúncia, à resolução e à magnanimidade.
    • Alternativa de paz e maldade sob a Misericórdia.
    • No sistema dantesco associa-se à inveja e ao céu da sabedoria de Júpiter.
  • O quinto anel, cervical profundo, relaciona-se ao Vishuddha ou plexo laríngeo do yoga e a Madim ou Geburah da Cabala, ligando-se ao dom da ciência e ao círculo da ira em Dante.
    • Conecta-se à realidade acústica e ao éter.
    • Preside à força e à reprodução.
    • Céu da guerra pela causa de Deus, isto é, de Marte.
  • O quarto segmento, torácico, reprime emoções e corresponde ao Anahata ou plexo cardíaco, a Shemesh ou Tiferei na Cabala e ao dom do conselho.
    • Associa-se ao ar, ao tato, à esperança, à ansiedade, ao dúvida e ao remorso.
    • Em Dante liga-se à acídia e ao céu da filosofia ou teologia, isto é, do Sol.
    • O pequeno rosto ou princípio formante que oculta o grande rosto ou Kether.
  • O terceiro anel, diafragmático, defende contra prazer e angústia e corresponde ao Manipura ou plexo solar, a Nogah ou Netzach na Cabala e ao dom da força.
    • Relaciona-se ao fogo, à visão, à ira, ao orgulho, à violência e à fome.
    • Produz medo e espanto.
    • Em Dante associa-se à avareza e ao céu de Vênus.
  • O segundo anel, abdominal central, corresponde ao Svadishthana ou plexo prostático, a Kokhab ou Hod na Cabala e ao dom da piedade.
    • Preside ao gosto, às mãos, à água, à língua, à vergonha, ao cansaço e à sede.
    • Relaciona-se à luxúria.
    • Em Dante liga-se à gula e ao céu de Mercúrio.
  • O primeiro anel, pélvico, converte prazer em dor e corresponde ao Muladhara ou plexo sacro, a Levanah ou Yesod na Cabala e ao dom da temperança ou temor.
    • Trivio onde se encontram Ida, Pingala e Sushumna, eixo da montanha primordial.
    • Preside ao olfato, ao sono, à cobiça, à dilusão e à credulidade.
    • Em Dante associa-se à luxúria no inferno e à lua no céu.
    • A dança do ventre, em sentido sagrado, visa dissolver esse anel.
    • Teófanes o Recluso aconselha equilíbrio corporal como corda afinada.
    • São Francisco de Sales descreve a caridade como escala de Jacó composta de sete degraus culminando na união amorosa com Deus.
  • O sétimo intervalo musical marca o início da dissonância, ilustrado pela lenda chinesa de Huang-ti, o caos sem aberturas que morre após receber sete orifícios.
    • Huang-ti era tambor e odre celeste.
    • As sete aberturas concedidas pelos hóspedes provocam sua morte.
  • Santo Afraate o Sírio interpreta os sete olhos da pedra anunciada por Zacarias como as sete operações do Espírito de Deus que repousaram sobre Cristo segundo Isaías.
    • Sabedoria, entendimento, conselho, força, ciência e temor de Deus.
    • Sete olhos que percorrem toda a terra.
  • George Miller demonstra experimentalmente que a capacidade humana de distinção sensorial limita-se a sete variedades por canal.
    • Intensidade sonora, sabor e percepção visual obedecem ao limite setemplice.
    • Combinação de ordens distintas pode elevar o máximo a cerca de 150.
  • Cecco d'Ascoli afirma que o sete está inscrito fisiologicamente na matriz e nas trompas ovarianas, permitindo sete nascimentos sob regência planetária.
    • Sete receptáculos para cada planeta na mãe.
    • Possibilidade de sete nascimentos conforme observado em Leta.
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