====== AMOR AO PRÓXIMO ====== //JEAN BORELLA. La Charité profanée. Subversion de l’âme chrétienne. Paris: Éditions du Cèdre, 1979.// Introdução O segundo mandamento não é separável do primeiro. Eis o que ensina toda a Escritura. O amor de Deus não se dá sem o amor do próximo, nem o amor do próximo sem o amor de Deus. Este único amor logo tem duas dimensões; as separar, é as destruir, quer dizer destruir o amor que é sua união crucificante. Mas as confundir, é também as destruir, uma e outra, arruinando sua razão de ser. O amor não é não importa o que. Não amo Deus como amo o próximo. Logo é preciso amar Deus de todo si mesmo (corpo, alma, espírito), quer dizer mais que si mesmo, porque ele é mais eu-mesmo que eu. É preciso amar o próximo como si mesmo. O que supõe que se ama si mesmo. Ora para se amar si mesmo, é preciso amar Deus. O amor de si, que é a medida do amor do próximo só é fundado e possível pelo amor de Deus que é sem medida. A causa pela qual amo Deus, dizia Bernardo de Clairvaux, é Deus ele mesmo; a medida deste amor, é o ser sem medida. Com efeito, o amor de si mesmo é sempre o amor de uma criatura, logo de uma limitação e de uma imperfeição. Logo o amor de si só é possível se esta imperfeição é como apagada, per-doada, resgatada pela Toda-Perfeição divina na qual o amor de Deus me faz entrar. Senão só pode haver ódio de si, logo amor próprio, quer dizer o amor de apropriação, não é mais então que uma modalidade. SEÇÃO I A CARIDADE FRATERNAL NA SUA ORDEM OBJETIVA * A caridade da ação * Em qual condição a caridade objetiva é uma via espiritual? * Universalidade e limite da caridade na sua ordem objetiva SEÇÃO II A CARIDADE FRATERNAL NA SUA ORDEM SUBJETIVA * A regra de ouro * O que é o próximo? * O amor não criado pela relação de proximidade * O amor do próximo pressupõe o amor de si