====== NATUREZA UNIVERSAL ====== * O princípio alquímico segundo o qual a Arte deve imitar a Natureza indica que o modelo da obra é uma força unitária cujo ritmo universal governa igualmente o mundo exterior e o interior, auxiliando o artista que descobre seu modo de agir. * A Natureza não é mera geração espontânea. * Trata-se de causa ou potência unificadora. * Seu ritmo revela-se tanto no cosmos quanto na alma. * No horizonte neoplatônico, especialmente nas Enéadas de Plotino, a Natureza é descrita como olhar silencioso que, contemplando, produz formas, situando-se entre o espírito universal e a matéria prima. * O noûs contempla o Ser indizível. * A psyche media entre espírito e Natureza. * A hyle permanece virgem e puramente passiva. * A Natureza pode ser entendida como aspecto maternal da matéria prima, ativa e geradora, enquanto a matéria prima permanece imóvel e puramente receptiva. * É princípio motriz. * Dá à luz as formas. * Mantém afinidade com a base potencial da manifestação. * Ibn ‘Arabî descreve a Natureza universal como força feminina e materna, identificando-a com o “hálito misericordioso” de Deus que atualiza possibilidades latentes no não-ser. * Possui aspecto benévolo e caótico. * A pluralidade implica afastamento de Deus. * Sua ação é expressão de misericórdia. * A aproximação entre Ibn ‘Arabî e a doutrina hindu da shakti revela convergência na concepção da força criadora feminina que manifesta e simultaneamente obscurece o princípio uno. * Shakti corresponde à energia produtiva divina. * Aparece como beleza e terror. * Identifica-se também com maya, princípio formador e velador. * Essa visão não contradiz essencialmente a ontologia clássica cristã, pois a existência é simultaneamente dom e limitação em relação ao Ser puro. * O aspecto positivo e negativo têm raiz comum. * A ação impessoal de Deus situa-se em plano distinto da teologia pessoal. * A alquimia adota esse ponto de vista impessoal. * Na obra alquímica exterior, a Natureza é força motriz das transmutação; na interior, atua como potência maternal que liberta a alma de sua rigidez estéril. * É energia potencial das coisas. * Desenvolve germes ocultos. * Pode elevar ou arruinar conforme a relação com o ego. * A Natureza conserva caráter imperativo, mas esse imperativo pode transformar-se em ritmo libertador que eleva a consciência, como o amor que move o Sol e as estrelas segundo Dante. * A força perigosa inicial torna-se impulso criador. * O ascetismo verdadeiro transforma forças naturais. * O egoísmo deve ser destruído, não a energia vital. * Certas práticas imitativas do ritmo natural, como a regulação da respiração ou a contemplação simbólica da dama Natureza, só têm valor sob condições espirituais adequadas e podem tornar-se perigosas sem orientação. * Não constituem técnica autônoma. * Dependem de contexto interior e exterior. * Despertam forças internas latentes. * A distinção entre desenvolvimento natural e graça sobrenatural perde sentido na perspectiva hermética, pois a graça opera sempre no interior da Natureza universal. * A intervenção graciosa pode romper imperativos relativos. * A Natureza designa campos de realidade variáveis. * A ação divina pode ser comparada ao relâmpago. * A alegoria da Natureza como livro, bosque ou mar exprime que seus segredos só se revelam aos iluminados que observam suas leis e se submetem à vontade divina. * O dragão guarda o velo de ouro. * Argonautas simbolizam os sábios. * Sem auxílio divino não há travessia. * Medeia representa o lado obscuro da Natureza, enquanto Sofia simboliza a sabedoria, expressando dois movimentos: expansão para a pluralidade e retorno ao centro espiritual. * A força pode corromper ou elevar. * A fidelidade à sabedoria é condição da vitória. * A energia despertada é impessoal e infinita. * A Natureza universal, como ritmo impessoal e infinito presente no homem, constitui o verdadeiro sentido do termo no contexto alquímico, preservando seu significado sem falseamento. * Não se limita ao indivíduo. * Participa de ordem cósmica. * É fundamento simbólico da obra espiritual.