====== INTERIORIDADE E INTERIORIZAÇÃO ====== //DAUGE, Yves Albert. L’ ésotérisme: pour quoi faire? Paris: Dervy-Livres, 1986.// * A interioridade é estabelecida como verdade fundamental do esoterismo ao afirmar que tudo está em nós e que essa totalidade interior condiciona o acesso ao essencial. * Céu e Terra, alto e baixo, planos ontológicos, energias ascendentes e descendentes, cosmos, anjos, Deus, o Eu, o Tu e o Si são incluídos como dimensões interiores. * O sentido dessa inclusão é definido como condição de uma vida essencial e como exigência de aguçamento do olhar. * A expressão tudo está em nós é explicitada por um texto-chave apresentado como esclarecedor do esoterismo, por articular Reino de Deus e interioridade. * A formulação é aproximada do ensinamento de Jesus em Lucas 17, 20-21. * A interpretação sublinha que o Reino de Deus é outra coisa que a potência real divina presente no interior. * A questão do homem ordinário é vinculada à restauração de uma realeza interior por meio de uma atitude de espera e de uma conversão de perspectiva. * A realeza de Israel é apresentada como figura de uma realeza interior. * A interiorização é descrita como passagem de uma busca exterior para uma resposta no próprio homem. * A exigência de buscar primeiro o Reino de Deus é associada a uma interioridade entendida como centro decisivo da vida espiritual. * A ordem de buscar o Reino é posta em relação com a transformação do olhar. * A presença do Reino é afirmada como acessível mediante retorno ao centro interior. * A interioridade é definida como presença do centro real do ser no interior de cada homem, de modo que a potência real divina se torna realidade interior. * O Reino é apresentado como existente em cada um. * A conversão do olhar é afirmada como condição para atravessar o mundo fenomênico e reencontrar o centro. * A fórmula tudo está em nós é ampliada até a própria potência de Deus e apoiada por testemunhos que insistem na interioridade como essência do esoterismo. * Angelus Silesius é citado para afirmar Deus em nós e a necessidade de voltar-se para o interior. * Novalis é citado para declarar a eternidade nos mundos interiores e a interioridade do universo. * A exterioridade é descrita como mundo de sombras, enquanto a interioridade é apresentada como região onde se reencontra o Reino e onde se acede ao essencial. * O mundo exterior é figurado como mundo sombrio e rejeitado. * O caminho é descrito como passagem para o interior onde resplende Malkuth e brilha o reino de luz. * A conversão do olhar é apresentada como operação necessária que abre o acesso a uma consciência de si não limitada nem condicionada pelas variações do mundo. * A interioridade é descrita como libertação de variações ilusórias do mundo sensível. * A referência a um dizer sufí acentua o poder atrativo do centro interior. * A interioridade é ilustrada por um exemplo atribuído a Rûmî, no qual o homem aparece como espelho do divino e como lugar onde tudo se reencontra. * O homem é descrito como espelho da soberana Beleza. * Nada é apresentado como externo ao homem, e o todo é afirmado como reencontrável em si. * A essência da pessoa é situada no coração, entendido como lugar secreto em que o Eu divino se revela na mais profunda inconsciência. * O termo sirr é associado ao segredo e ao lugar do divino. * A interioridade é descrita como iluminação da fonte de luz e como abertura para a irradiação. * A interioridade é retomada como imperativo prático, ao enunciar que tudo está em nós e que a tarefa imediata consiste em dissipar brumas que obscurecem o olhar. * A obscuridade é atribuída a um modo de visão que mantém o divino velado. * A necessidade de conversão do olhar é reafirmada como condição do aparecimento do luminoso. * A interiorização é vinculada ao ensinamento de Ramana Maharshi, ao afirmar que a consciência divina não está ausente do coração e que ela é mais próxima que tudo. * A presença divina é afirmada como anterior a qualquer busca exterior. * A proximidade do Atman é evocada como mais íntima que tudo o que é percebido. * O poder de escolher a via interior é formulado como decisão humana diante de uma alternativa entre buscar fora e reconhecer a presença do divino no próprio centro. * A escolha é apresentada como tomada de posição diante do caminho exterior. * A afirmação de que o divino está em si é associada à exigência de voltar-se para o interior. * A realização é definida como reconhecimento do Real e como remoção de obstáculos, não como aquisição de algo inexistente. * A mudança requerida é apresentada como transformação de perspectiva e não como acumulação. * O essencial é descrito como já presente, mas oculto por camadas e aparências. * A responsabilidade da libertação é atribuída ao homem ao afirmar que nenhuma intervenção externa substitui o trabalho interior. * A libertação é descrita como dependente da energia profunda e da vontade íntima. * A interiorização é colocada como condição do acesso ao possível. * A atenção é concentrada na responsabilidade pessoal ao propor que o homem seja sua própria luz e seu próprio refúgio. * Uma exortação do Dhammapada é evocada para afirmar ser a própria chama. * A confiança em refúgios exteriores é recusada como insuficiente. * A interiorização é descrita como movimento que exige inversão de sentido da energia e retorno ao centro do ser, identificado com segredo do coração. * A dispersão no exterior é apresentada como perda de sentido e de força. * A conversão para dentro é apresentada como reorientação do olhar e da energia. * A oposição entre olhar exterior e olhar interior é estabelecida como diferença entre ignorância do mundo metafísico e conhecimento iluminante do essencial. * O olhar exterior é ligado ao fluxo do devir fenomenal. * O olhar interior é ligado à prajñā e à experiência decisiva do Si. * A percepção interior é apresentada como penetração no todo e como reconexão com o eixo de ascensão da vida espiritual. * Angelus Silesius é evocado para afirmar ver a noite e abraçar o universo na interioridade. * A ascensão é descrita como passagem do fragmentário ao essencial. * A interioridade é afirmada como inseparável da verticalidade ao definir o esoterismo como duplo movimento de descida e subida no eixo interior. * O movimento interior é descrito como símbolo do circuito da energia. * A expressão introrsum ascendere é apresentada como nome do movimento ascendente. * A ascensão interior é descrita como operação que exige “espaço interior” e que reconduz do relativo ao eterno, do psicológico ao transcendente. * O interior é descrito como lugar do retorno e do recolhimento. * O objetivo é descrito como ruptura com a exterioridade e reconquista do centro. * A conversão do mental é apresentada como condição necessária e suficiente para realizar a interiorização. * Ramana Maharshi é evocado para definir a passagem do mental para o coração. * O mental é descrito como a ser destruído enquanto obstáculo ao essencial. * A destruição do mental é especificada como destruição de um mental exterior e disperso, e a correção é definida como interiorização e verticalização. * A interiorização é descrita como intensificação e unificação. * O essencial é descrito como retorno ao centro e reintegração da energia. * A intuição é apresentada como própria do homem e a interiorização é descrita como reorientação da energia para o alto, simbolizada pela kundalinī. * A energia é descrita como tendo de acumular-se e ascender em vez de consumir-se no múltiplo. * A imagem da coluna de fogo é usada para figurar a elevação luminosa. * A interioridade é definida como universalidade verdadeira ao afirmar que a diferença entre criadores e criaturas se reduz à forma exterior e que o interior conduz à unidade. * A penetração no interior é descrita como acesso à zona de paz e de unidade misteriosa. * O atravessamento das “cascas” é descrito como condição do reencontro do centro. * A alusão à alquimia é usada para associar a interiorização ao conhecimento do centro de todas as coisas e à textura do Vivente como ciência do divino. * A alquimia é descrita como linguagem divina e como Espírito de Vida. * A interiorização é ligada ao conhecimento do centro como exigência de unidade. * A paz profunda é evocada como experiência interior em que o Reino é reencontrado e em que a pluralidade é reunida numa unidade. * A realeza interior é descrita como singular e plural ao mesmo tempo. * O segredo do ser é descrito como descoberto em si e simultaneamente no outro. * O interior é apresentado como lugar onde o ser se revela e onde o conhecimento ultrapassa a oposição rígida entre dentro e fora. * O fora é descrito como circulação interior e como presença do Logos ou do Verbo. * A unidade é descrita como reencontrada por meio de paciência, pureza do olhar e liberdade. * A necessidade de conversão do olhar é reiterada por referências a Najmoddin Kobra e a Sohrawardî ao afirmar que o mundo interior é o lugar do paraíso e do inferno e que o trabalho consiste em entrar em si. * A realidade interior é descrita como lugar de vida, morte e juízo em sentido espiritual. * A recitação e a interiorização do Corão são associadas ao retorno ao centro e ao reconhecimento do próprio interior. * A interiorização é concluída como passagem para o homem interior e como condição do esoterismo entendido como não redução, não petrificação e não fechamento do espírito. * A interioridade é descrita como abertura a múltiplas perspectivas e como superação do relativo. * A dinâmica do Vivente e os circuitos da Luz são apresentados como horizonte da realização interior. {{tag>Dauge YDE}}