====== EROS E TENDÊNCIA AO PRAZER ====== //[[sexo|METAFÍSICA DO SEXO]]// * É necessário reconhecer a prioridade do impulso elementar que atrai os sexos, sem que esse reconhecimento permita conclusões unilaterais equivocas sobre a natureza do instinto. * A prioridade do impulso entre os sexos deve ser admitida diante da biologia. * Esse reconhecimento não pode gerar mal-entendidos que distorçam a compreensão do fenômeno em sentido oposto. * A teoria que fundamenta o instinto sexual na busca do prazer é questionada, pois a antecipação consciente do prazer como objetivo separado afasta-se da normalidade do Eros e caracteriza a luxúria, erro no qual incorreu o freudismo ao erigir o princípio do prazer como base da vida psíquica, posição que a própria obra freudiana posterior tratou de superar. * Na atração sexual, o homem comum avalia o prazer antecipado da parceira, não suas qualidades procriativas. * A busca do prazer como objetivo consciente e isolado constitui uma dissociação do amor físico, denominada luxúria ou libertinagem. * O impulso erótico normal, despertado pela polaridade sexual, conduz naturalmente a um estado de embriaguez que culmina no prazer, sem que este seja a meta pré-ordenada. * O freudismo, ao instituir o princípio do prazer como fundamento do eros e de toda a psique, revelou-se um produto de sua época decadente, na qual a sexualidade funciona como um estupefaciente. * A obra posterior de Freud, "Além do princípio do prazer", representa um abandono forçado dessa posição inicial. * A existência histórica de uma ars amandi, ou arte do amor, atesta que o cultivo da experiência erótica não se reduz necessariamente à depravação, tendo sido praticada e respeitada em certas culturas, nas quais suas detentoras eram equiparadas a outros artistas e por vezes associadas a cultos religiosos. * A ars amandi antiga e oriental não consistia em meras técnicas para a luxúria, mas sim numa arte respeitada. * Na Antiguidade Clássica, heteras eram estimadas por figuras ilustres e homenageadas com templos e estátuas, ao lado de heróis e políticos. * No Japão, algumas mulheres peritas nessa arte foram celebradas em monumentos. * A arte amorosa tradicional, como outras artes, provavelmente envolvia uma ciência secreta, frequentemente ligada a cultos específicos. * O desenvolvimento das potencialidades superiores da experiência erótica não ocorre espontaneamente em suas formas grosseiras, sendo crucial distinguir entre uma ars amandi que aprofunda a dimensão do eros e outra que degenera na busca exterior do prazer, lembrando que a técnica, por si só, é ineficaz sem as premissas internas adequadas. * A experiência erótica entregue à sua espontaneidade bruta não desenvolve suas formas mais elevadas. * A questão central é saber se a experiência erótica mantém sua dimensão profunda ou se degenera na procura libertina do prazer. * Técnicas amorosas voltadas apenas para o prazer são inócuas sem a base psíquica e interna adequada. * Com as premissas internas corretas, um simples contato pode ser mais intenso do que a manipulação técnica de zonas erógenas. * A análise dos pontos de vista sexológicos materialistas sobre o prazer mostra-se útil para libertar a compreensão do eros dessas explicações redutoras, confirmando a necessidade de colocar o termo "prazer" entre aspas ao designar o ápice do amor físico. * A discussão sobre o "prazer" no clímax do amor físico justifica o uso de aspas para o termo. * A análise da sexologia materialista serve para demarcar o domínio do eros dessas explicações.