====== CHAKRAS ====== //[[jeip|Ioga do Poder]]// * O muladhara-chakra, correlacionado ao plexo sacrococcígeo e situado na base da medula espinal, apresenta-se como um lótus de quatro pétalas amarelas associado ao elemento terra, ao sentido do olfato e à força vital apana. * Atribuição das letras sânscritas va, sha, ca e sa às pétalas * Mandala em formato de quadrado como símbolo do tattva terra * Mantra LAM como vibração sonora fundamental do centro * Relação fisiológica com o esqueleto humano e a coesão da matéria física * Este centro constitui a sede do demiurgo Brahma e da divindade Dakini, abrigando em seu interior o princípio da potência geradora sob a forma de um linga e a força kundalini em estado latente. * Representação da estática e do peso da terra por meio de um elefante * Presença de um triângulo invertido simbolizando o princípio Shakti * Inscrição do mantra do desejo, KLIM, sobre o svayambhu-linga * Obstrução do limiar de Brahman pela serpente kundalini enrolada no linga * A vida afetiva ordinária vinculada a este chakra manifesta-se por meio de tendências obtusas, incluindo a ganância, o falso conhecimento, a credulidade e a inclinação a prazeres materiais grosseiros. * Associação da força que induz ao sono a este centro basal * Lobha como expressão da avidez material no plano emocional * O svadhishthana-chakra, localizado na base dos órgãos genitais e correspondente ao plexo prostático, possui seis pétalas brancas e vincula-se ao elemento água, ao sentido do paladar e às funções reprodutivas. * Mandala em forma de crescente lunar simbolizando o tattva água * Mantra VAM como núcleo sonoro do chakra * Relação com a força de contração da matéria e os tecidos adiposos * Conexão com os órgãos de preensão e as funções ejaculatórias da força vital * Este centro é a morada de Vishnu, princípio preservador da divindade, e de sua Shakti Rakini, cujas representações iconográficas sugerem a transformação da potência úmida em águas celestiais superiores. * Atributos de Vishnu: concha, disco, lótus e maça * Aspecto aterrorizante da deusa Rakini com seus três olhos e armas * Significado do nome como base própria da Shakti * Alusão alquímica à transmutação das águas inferiores em águas puras e lunares * As correspondências afetivas deste nível compreendem o desejo sexual, a aversão, a vergonha e a lassidão, sendo atribuída a este chakra a força que gera a sede no indivíduo comum. * Manifestação da fadiga e do torpor no plano emocional * O manipura-chakra, situado na região lombar ao nível do umbigo e correspondente ao plexo hipogástrico, possui dez pétalas vermelhas associadas ao elemento fogo, ao sentido da visão e às funções digestivas. * Mandala triangular com suásticas representando o tattva fogo * Mantra RAM como regente sonoro do centro * Relação com a expansão da matéria e a função de defecação * Vinculação ao tejas ou brilho e à assimilação da força vital pelos músculos * Designado como a cidade das joias, este centro é a sede de Rudra e da divindade Lakini, simbolizando a combustão das forças de desejo e a manifestação consumidora da potência cósmica. * Iconografia de Rudra coberto por cinzas em gestos de dissipação do medo * Caracterização de Lakini com três cabeças e armas de destruição * Transformação do desejo líquido em substância ígnea e onipresente * Processo ióguico de combustão interna dos elementos materiais * As forças afetivas associadas a este ponto são a ira, o medo, a violência e o orgulho, residindo aqui a origem da fome experimentada pelo homem comum. * Krodha como expressão da raiva no plano vital * O anahata-chakra, localizado ao nível do coração e correspondente ao plexo cardíaco, possui doze pétalas cinzas e representa o centro da personalidade humana e o assento do atman. * Cor cinza simbolizando o fumo que envolve o espírito antes da iluminação * Mandala de estrela de seis pontas representando o equilíbrio do elemento ar * Mantra YAM como vibração fundamental * Relação com o sistema sanguíneo, o sentido do tato e o órgão sexual masculino * Este centro abriga Isha e sua Shakti Kakini, permitindo a percepção do som não percutido e a visualização do princípio vital como uma chama imóvel em local sem vento. * Manifestação do poder primordial na forma de um deus pessoal * Presença de um triângulo invertido contendo um vana-linga dourado * Hamsah como símbolo do Eu supra-individual sob o linga * Fusão das visões upanishádicas sobre o coração com a doutrina tântrica * No plano afetivo, este chakra vincula-se à esperança, à ansiedade, ao remorso e à hesitação, sendo simbolizado por um antílope negro que representa a velocidade imaterial do vento. * Atribuição da dúvida e do arrependimento a este nível de consciência * O vishuddha-chakra, situado na garganta ao nível da laringe, possui dezesseis pétalas brancas e brilhantes associadas ao elemento éter e ao sentido da audição. * Mandala circular simbolizando a espacialidade do tattva akasha * Mantra HAM como núcleo vibratório * Relação com a expressão da energia vital e a boca * Conexão entre o éter e a consciência espacial transparente em oposição à densidade * Este centro é a morada do deus andrógino Sadashiva e da divindade Sakini, representando o limiar da grande libertação e o domínio sobre as três dimensões do tempo. * Sadashiva como alusão ao ser eterno e à condição fora do samsara * Natureza fria e luminosa de Sakini como luz autossuficiente * Visão do atma em todas as coisas a partir deste estágio etéreo * Representação do mantra HAM por um elefante branco * As forças afetivas correlatas incluem a afeição, o respeito, a devoção, a felicidade e o pesar nas relações interpessoais. * Manifestação da tristeza e do arrependimento no plano emocional * O ajna-chakra, localizado entre as sobrancelhas e correspondente ao plexo cavernoso, possui duas pétalas brancas e representa o centro de comando e a sede da visão clarividente. * Mantra AUM como som primordial deste centro * Relação com o cerebelo, a medula e o órgão interno da inteligência * Conexão com a sukshma-prakriti ou raiz das potências sutis da natureza * Neste centro, a deusa Hakini une-se a Paramshiva, manifestando a força do terceiro olho de Shiva como um raio que possibilita a visão transcendente e cíclica. * Presença da deusa inebriada pelo néctar da imortalidade * Simbolismo do vajra ou diamante no interior do triângulo genital * Visualização do antaratma como chama brilhante acima do linga * Espaço infinito e resplandecente contido no bindu lunar * Os textos tântricos identificam dois centros menores próximos ao ajna: o manas-chakra, ligado às faculdades mentais e imaginativas, e o soma-chakra, associado ao pensamento lógico e ao autocontrole. * Perigo de alucinações e clarividência caótica no despertar do manas-chakra * Soma-chakra como sede da compaixão, generosidade e determinação * Atribuição da seriedade e da renúncia a este nível cerebral superior * A região da testa abriga um lótus de doze pétalas associado aos tattvas puros, onde se realiza a união suprema entre Shiva e Shakti e a percepção do hamsah eterno. * Residência sem fundamentos como símbolo do poder autossustentado * Triângulo a-ka-tha representando a tríade transcendental * Realização das sete formas do corpo causal pelo iogue * Manifestação do mestre eterno sobre um altar de gemas vermelhas * O sahasrara-chakra, situado acima da cabeça, é o lótus de mil pétalas que representa a transcendência incondicionada e a união final onde a Shakti se dissolve inteiramente em Shiva. * Número mil simbolizando a potencialização das letras do alfabeto sânscrito * Parabindu como ponto supremo sob o aspecto do vazio absoluto * Resolução da Shakti em chidrupini, livre de resíduos condicionados * Correspondência ao mahasukha-kaya ou corpo de grande beatitude * Localizado fora dos limites físicos do crânio, o sahasrara-chakra não é um centro corporal comum, mas a dimensão que ultrapassa o universo manifestado. * Analogia entre o corpo humano e a estrutura do cosmos * Posição axial que projeta a consciência para além do crânio * A descrição tântrica revela que cada chakra abriga formas de consciência e divindades que presidem funções orgânicas, estabelecendo uma base para o conhecimento dos elementos por meio da meditação. * Correspondência entre os cinco centros inferiores e os elementos da natureza * Utilidade prática dos mantras para facilitar o despertar dos centros * Função da iconografia divina na preparação do caminho ióguico * O despertar de um chakra permite a desmitologização das divindades associadas, revelando sua essência como estados amorfos de conhecimento iniciático. * Instrumentabilidade dos deuses na realização do dhyana * Transição das imagens simbólicas para o saber metafísico puro * A hierarquia dos sete chakras encontra paralelo em diversas tradições iniciáticas, como os mistérios de Mitra e a alquimia, simbolizando a ascensão da consciência através de esferas planetárias e planos suprafenomênicos. * Experiência de expansão cósmica em oposição à mera psicologia * Apropriação de corpos divinos e posse de assentos celestiais (lokas) * Correspondência entre a kundalini e a ascensão pelas sete esferas * Cada chakra desperto confere um tipo de conhecimento específico sobre as leis da natureza e as disposições alheias, permitindo ao praticante o domínio mágico sobre os elementos externos. * Conhecimento do caráter humano através do plexo solar * Percepção de pensamentos e sentimentos alheios via centros cardíaco e laríngeo * Unidade ontológica entre os princípios internos e as forças do mundo exterior * A simbologia da kundalini guarda estreita relação com tradições ocidentais e egípcias, manifestando-se no ureus real, no basilisco dos filósofos e na via seca do hermetismo. * O serpente na fronte dos reis egípcios como símbolo da força vital * Fogo transmutador do hermetismo como referência ao despertar da serpente * Persistência de correspondências universais acerca do centro basal muladhara